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Q4151121 Linguística
Leia o Texto I a seguir para responder à questão.


Texto I


Notícias falsas: os “novos vetores”


A proliferação de notícias falsas (“fake news”) está contribuindo tanto quanto os insetos para o retrocesso no combate a velhas e novas epidemias. Segundo uma pesquisa realizada este ano pelo Ibope, sob encomenda da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em parceria com a rede de mobilização social Avaaz, dois terços dos brasileiros acreditam em ao menos uma afirmação imprecisa sobre vacinação. 

Intitulado “As Fake News estão nos deixando doentes?”, o estudo teve como objetivo investigar a associação entre a desinformação e a queda nas coberturas vacinais verificadas nos últimos anos. O Ibope entrevistou cerca de duas mil pessoas acima de 16 anos, em todos os estados e no Distrito Federal e revelou o peso da ignorância e de informações falsas para o avanço de novas e antigas epidemias.

“Esse é de fato um fenômeno novo com o qual temos que aprender a lidar”, constata a professora Celina Turchi. Apesar disso, a pesquisadora da Fiocruz-PE acredita na efetividade da divulgação constante de informações sobre as formas de prevenção e controle das doenças infecciosas transmitidas por vetores, como parte das estratégias de controle de criadouros de mosquitos.

“Creio que a população, em geral, compreende mensagens como a importância da manutenção de vasos sem água, tampar vasilhames, colocar garrafas e pneus em posição que não possibilite o acúmulo de água, e tenta manter esse tipo de proteção, particularmente durante as epidemias”. 

“É um fato complicado, talvez estejamos chegando próximos ao Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley”, comentou a professora Selma Jeronimo sobre as notícias falsas que têm levado pessoas a desacreditarem a ciência e medidas como a vacinação. No entanto, ela que é também presidente da Sociedade Brasileira de Bioquímica (SBBq) se diz otimista e pontua que as pessoas que não acreditam na ciência, na verdade, são minoria. “A ciência está para ficar, nunca tivemos tanta sobrevida para cânceres como hoje”. Jeronimo disse que tem esperança porque há hoje, no mundo, inteligência suficiente para identificar os problemas. “A gente só escuta quem grita. Essa onda de ‘fake news’ é porque uma minoria está gritando mais”. 

“As fake news confundem a sociedade, prejudicando a tomada de decisão no nível individual e mesmo no coletivo”, diz o professor Wilson Savino. Para combater as notícias falsas, afirma o pesquisador da Fiocruz, é preciso “um ministério de ciência e tecnologia forte, com recursos muito mais importantes que os atuais, que permitam avanços importantes, de base científica e tecnológica, que serão entregues à sociedade, visando à melhoria de vida das pessoas”. 

Além disso, a longo prazo, políticas de ciência e tecnologia precisam estar associadas a uma educação forte nos seus diversos níveis, com a formação de pensamento crítico, tão importante no desenvolvimento de qualquer sociedade. “Os custos gerados por tais políticas são mínimos comparados aos benefícios para a sociedade”, conclui Savino.


Disponível em: <http://jcnoticias.jornaldaciencia.org.br/wpcontent/uploads/2019/12/JC_787.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2020. (Adaptado).

Uma estratégia enunciativa recorrente nesse artigo de opinião e que auxilia na validação da tese defendida nesse artigo envolve 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A questão exigia identificar a estratégia enunciativa recorrente que valida a tese no artigo; o critério decisivo é a presença reiterada de falas de cientistas em discurso direto, entre aspas.

Tema central: validação da tese
Análise das alternativas
A
Errada
A referência à pesquisa do Ibope realmente aparece e ajuda na credibilidade do texto, mas a alternativa não aponta a estratégia enunciativa recorrente mais marcante. O critério decisivo era a recorrência de vozes autorizadas em discurso direto ao longo do artigo, não a simples menção a uma pesquisa ou à instituição que a realizou.
B
Errada
O uso de “fake news” é um elemento lexical e temático. Isso não corresponde, por si só, a uma estratégia enunciativa de validação da tese, porque escolha vocabular não se confunde com o mecanismo de legitimação argumentativa pedido na questão.
C
Certa
A correta identifica o recurso que sustenta a argumentação do texto: a incorporação reiterada de falas de autoridades científicas em discurso direto. Como a questão cobra estratégia enunciativa, o ponto central é a citação dessas vozes autorizadas, que reforça a tese sobre os efeitos das fake news na saúde e na ciência.
D
Errada
Explicar siglas, como em “Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)”, é recurso de clareza informativa. No texto, isso não exerce papel argumentativo recorrente nem funciona como estratégia central de validação da tese, ao contrário das citações diretas de especialistas.
Pegadinha da questão
A confusão explorada foi fazer o candidato marcar qualquer elemento que dê credibilidade ao texto, especialmente a pesquisa do Ibope, sem perceber que a pergunta exigia a estratégia enunciativa recorrente mais saliente: a organização de falas de cientistas em discurso direto.
Dica para questões semelhantes
  • Se a questão pedir estratégia enunciativa, procure como as vozes são organizadas no texto, e não apenas dados, termos ou informações presentes nele.
  • Para decidir entre alternativas plausíveis, privilegie o recurso que aparece de forma recorrente e com função clara de sustentar a tese.
  • Diferencie argumento de autoridade em discurso direto de elementos apenas informativos, como siglas explicadas ou escolhas lexicais.
  • Nem todo fator de credibilidade é o núcleo da resposta; o correto é identificar o mecanismo textual principal de legitimação argumentativa.

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