Analise as passagens a seguir, tendo em vista a presença d...
I - “Me sinto inspirada por sua forma íntegra de agir e viver em harmonia com a natureza [...].”
II - “Mas hoje, ao pensar nesse tema, quem me vem à mente é meu amigo Carlinhos.”
III - “[...] sabedoria aprendida com os mais velhos e sua generosidade em nos ensinar.”
IV - “Me lembro de uma citação de Clarice Lispector, de Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres (Rocco) [...].”
V - “O dela me parece ser bem alto e, inclusive, faz sentido.”
Estão CORRETAS as passagens
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Gabarito: C) I e IV, apenas.
Tema central da questão: Colocação pronominal (próclise, ênclise e mesóclise), com foco no uso do pronome oblíquo átono “me” e a distinção entre norma-padrão e linguagem coloquial.
Regra da norma-padrão: Segundo a Moderna Gramática Portuguesa de Evanildo Bechara, os pronomes oblíquos (como “me”) têm sua posição definida por regras precisas:
— Próclise: o pronome vem antes do verbo quando há palavras atrativas (advérbios, pronomes relativos, negativas).
— Ênclise: o pronome ocorre após o verbo, especialmente quando ele inicia a oração.
— Mesóclise: uso em tempos futuros, pouco comum na língua falada.
Análise das passagens:
- I – “Me sinto inspirada...” (incorreta, coloquial)
Próclise sem palavra atrativa. Pela norma culta: “Sinto-me inspirada...” - II – “... quem me vem à mente...” (correta)
“Quem” é palavra atrativa. Próclise justificada. - III – “... em nos ensinar.” (correta)
Preposição “em” funciona como atrativa ao pronome. Uso adequado pela norma culta. - IV – “Me lembro de uma citação...” (incorreta, coloquial)
Aqui não há atrativo: “Lembro-me de uma citação...” seria o correto, pois a oração inicia-se pelo verbo. - V – “O dela me parece ser...” (correta)
O pronome demonstrativo “o” é palavra atrativa, autorizando a próclise.
Por que a alternativa C?
A questão pede passagens corretas quanto à coloquialidade no uso do “me”. I e IV são exemplos de estrutura desviante da norma culta, demonstrando a marca de oralidade/coloquialidade exigida na alternativa C. II, III e V estão em perfeita conformidade com as regras gramaticais.
Estratégia de prova:
Observe sempre se há palavra que exija a próclise (“não”, “quem”, “se”, pronomes relativos etc.). Em caso de dúvida, lembre-se: o uso do pronome antes do verbo, sem palavra atrativa, é tipicamente coloquial.
Referências:
Bechara, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa.
Cunha & Cintra. Nova Gramática do Português Contemporâneo.
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As marcas de coloquialidade são características da linguagem coloquial, que é a forma informal de comunicação utilizada no dia a dia. Algumas dessas marcas são:
- Uso de gírias e expressões idiomáticas
- Abreviações e contrações, como "vc" em vez de "você" ou "pq" em vez de "porque"
- Pouco rigor gramatical
- Uso de articuladores de ideias, como “tipo assim” ou “aí”
- Pronúncia mais descuidada de certas palavras e expressões
- Não utilização das marcas de concordância
- Uso constante de “a gente” no lugar de “nós”
- Mistura de pessoas gramaticais
A linguagem coloquial é utilizada em situações informais de interlocução, como em conversas com amigos, em família, ou no trabalho.
Dependendo do gênero escrito, as marcas de oralidade podem ser propositais, como na literatura e em crônicas, para representar um diálogo orgânico.
De acordo com a norma padrão da língua portuguesa, não se deve iniciar uma frase com os pronomes pessoais "me", "te", "se", "lhe(s)", "o(s)", "a(s)", "nos" e "vos". O pronome deve ser colocado em ênclise, ou seja, depois do verbo. Por exemplo, "Enviei-lhe um recado por e-mail" ou "Diga-me sempre a verdade".
O "me" é um pronome pessoal do caso oblíquo átono, que é usado como objeto direto ou indireto. Ele sempre está acompanhado de um verbo.
O "mim" é usado depois de uma preposição, como "para", "a" ou "de". Por exemplo, "Ela mãe gosta muito de mim"
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