Ao analisar o português brasileiro, Berlinck, Augusto e Sch...
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Tema central: Variação pronominal no português brasileiro e seu impacto no paradigma verbal. A questão aborda especificamente a substituição de “nós” por “a gente” e as consequências dessa mudança para a morfologia verbal.
Explicação teórica: Em linguística descritiva, analisando usos efetivos da língua, observa-se que os falantes do português brasileiro tendem a simplificar estruturas morfológicas. O pronome “a gente”, originalmente substantivo coletivo, passou a funcionar como pronome de 1ª pessoa do plural, mas exige verbo na 3ª pessoa do singular: “A gente vai trabalhar cedo”. Essa mudança demonstra simplificação do paradigma verbal, reduzindo as flexões específicas para a 1ª pessoa do plural (“nós vamos” → “a gente vai”). Esse fenômeno é amplamente fundamentado em autores como Perini, Berlinck e Scher (Introdução à linguística, 2005).
Justificativa da alternativa correta (E): A expressão "a gente" substituiu amplamente “nós” em contextos informais. Coerente ao contexto prático, o verbo se desloca para a conjugação da terceira pessoa do singular, simplificando e unificando as formas, um claro exemplo de mudança linguística por economia do sistema. Esse fenômeno é bem descrito em obras clássicas e recentes sobre variação linguística (como nas pesquisas de Silva & Namiuti, 2019).
Análise das alternativas incorretas:
A) Incorreta: O paradigma verbal é altamente influenciado pela oralidade, principalmente em grupos jovens, invalidando a ideia de inalterabilidade.
B) Incorreta: O uso do “tu” não é expressivo no Brasil todo, e frequentemente ocorre com concordância de terceira pessoa, não da segunda (“tu vai”).
C) Incorreta: Embora haja coexistência de “você”/“tu”, a distinção entre formal/informal não é fixa, e o uso de sujeito expresso não é tendência exclusiva do português atual.
D) Incorreta: O duplo sujeito (substantivo + pronome) ocorre em diversos contextos e não é restrito à literatura contemporânea.
Estratégia: Em provas, fique atento a termos como “substituto”, “contribuiu para simplificar” e as descrições de processos naturais de mudança linguística. Desconfie de afirmações absolutas (como “mantém-se inalterado”) e de associações rígidas entre formas e usos.
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Errada
A questão pede para identificar, segundo Berlinck, Augusto e Scher (2005), observações sobre o português brasileiro contemporâneo no eixo da sintaxe e pronomes pessoais.
Vamos analisar cada alternativa:
A. Incorreta → O paradigma flexional do português brasileiro vem sofrendo simplificações (ex.: "a gente" no lugar de "nós"; “tu” com verbo na 3ª pessoa). Não é “inalterado” nem impermeável.
B. Incorreta → O uso de “tu” não implica necessariamente o verbo na 2ª pessoa. Pelo contrário, em muitas regiões (Sul, Norte), “tu” aparece com verbo na 3ª pessoa (“tu vai”, “tu gosta”), simplificando a flexão.
C. Incorreta → O português brasileiro de fato tende a ser língua de sujeito expresso, mas a oposição entre “tu” e “você” não se dá apenas por formalidade/informalidade, e sim por questões regionais.
D. Incorreta → O sujeito duplo (“A Maria, ela...”) é muito produtivo no PB oral, não restrito a literatura.
E. Correta → A expressão “a gente” realmente entrou como substituta de “nós”, conjugada com verbo na 3ª pessoa do singular (“a gente vai”, “a gente sabe”), o que contribuiu para a simplificação do paradigma verbal.
✅ Resposta correta: E
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