Paciente de 68 anos, com ICFEr, em uso de Enalapril 20 mg 1...

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Q3793055 Medicina
Paciente de 68 anos, com ICFEr, em uso de Enalapril 20 mg 12/12h, Carvedilol 25 mg 12/12h e Espironolactona 25 mg/dia. Sua creatinina basal era 2.4 mg/dL. Retorna ao ambulatório com exames que mostram Creatinina 3.2 mg/dL e Potássio 5.8 mEq/L. Com base nos aspectos práticos do manejo de IECAs/BRAs, a conduta correta é: 
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: ESC Guidelines on Heart Failure Web Tables, tabela prática de uso de ACE inhibitor/ARB: "If potassium rises to >5.5 mmol/L or creatinine increases by >100% or to >310 μmol/L (3.5 mg/dL)/eGFR <20 mL/min/1.73 m2, the ACE inhibitor (or ARB) should be stopped and specialist advice sought". No caso, o paciente em uso de Enalapril apresentou potássio de 5,8 mEq/L, acima de 5,5; por isso, a conduta compatível com a diretriz é considerar a suspensão do IECA.

Tema central: Manejo de IECA/BRA
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque usa apenas o aumento da creatinina, de cerca de 33%, para justificar manutenção do Enalapril. A base admite que esse aumento, isoladamente, poderia estar dentro de faixa tolerável, mas isso não prevalece quando o potássio já ultrapassou 5,5 mEq/L. O critério que exclui a alternativa é a vedação prática de manter IECA diante de hipercalemia acima desse limiar.
B
Errada
Está errada porque trocar Enalapril por Losartana não resolve o fundamento do caso. BRA também bloqueia o SRAA e compartilha risco de hipercalemia. A base é expressa em afirmar que IECA e BRA não se diferenciam, para esta questão, a ponto de a troca simples justificar manutenção do bloqueio com potássio de 5,8 mEq/L.
C
Errada
Está errada porque propõe intensificar o Enalapril apesar de hipercalemia já estabelecida acima do limite de segurança. O erro jurídico-técnico é frontal: a orientação prática manda suspender IECA/BRA quando o potássio sobe acima de 5,5 mmol/L, não aumentar a dose com mera vigilância.
D
Errada
Está errada porque, embora nitrato e hidralazina possam ser opção quando o paciente não pode usar agentes do SRAA, a alternativa determina manter o IECA e a espironolactona apesar da hipercalemia relevante. Isso contraria o critério decisivo da questão: com potássio acima de 5,5 mEq/L, não se legitima a manutenção do IECA. Além disso, a própria base registra que a espironolactona também se associa a hipercalemia.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o dado decisivo do caso é a hipercalemia de 5,8 mEq/L durante uso de IECA. Pela orientação prática indicada na base, potássio acima de 5,5 mmol/L impõe interrupção do bloqueador do SRAA, com reavaliação especializada. Portanto, não cabe manter inalterado nem intensificar o Enalapril; a resposta compatível com esse limite objetivo de segurança é considerar sua suspensão.
Pegadinha da questão
A banca tentou deslocar o foco para o percentual de aumento da creatinina, mas o elemento realmente decisivo era o potássio de 5,8 mEq/L, que por si só afasta a manutenção do IECA.
Dica para questões semelhantes
  • Em manejo prático de IECA/BRA na ICFEr, verifique primeiro o potássio: acima de 5,5 mEq/L, a diretriz da base indica suspensão do bloqueador do SRAA.
  • A elevação da creatinina pode ser tolerada em certa medida, mas não neutraliza a contraindicação prática criada por hipercalemia acima do limite.
  • Não trate BRA como solução automática para hipercalemia causada por IECA; ambos compartilham esse risco no bloqueio do SRAA.

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