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Q3546725 Português
    Cresci brincando no chio entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas do que comparação. Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago de minhas raízes crianceiras a visão comungante e obliqua das coisas. Eu sei dizer sem pudor que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão obliqua vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. O menino e o rio. Era o menino e as arvores. 


BARROS, Manoel de. Meu quintal é maior do que o mundo. Rio de Janeiro: Objetiva. 2025  

Com base nas ideias e nos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue (C ou E) o item a seguir. 


Infere-se do texto que “a visão comungante e oblíqua” que o narrador tem das coisas é resultado da forma como se deu sua infância. 

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema da questão: Interpretação de texto — inferência com base na coesão causal (relação de causa e efeito no discurso).

Estratégia de leitura para este item

- Busque marcadores de causa no texto: palavras e construções que indicam origem/motivo, como “porque”, “vem de”, “trago de”, “raízes”.

- Identifique repetições e paralelismos que reforçam uma ideia: a sequência “o menino e os bichinhos / o menino e o rio / o menino e as árvores” sinaliza uma infância em intensa comunhão com a natureza, sustentando a conclusão.

- Relacione o termo-chave “visão comungante e oblíqua” com a origem declarada pelo narrador: expressões como “vem de eu ter sido criança” e “trago de minhas raízes” apontam diretamente a causa.

Comentário do item (Certo)

A assertiva é CERTA. O narrador atribui explicitamente sua “visão comungante e oblíqua” ao modo como viveu a infância, marcada por comunhão com a natureza. Há nexo causal claro: ele afirma que essa visão “vem de” ter sido criança em um lugar de “transfusão da natureza”, e que a traz de suas “raízes” infantis. Esses elementos lexicais (vem de, trago de, raízes) funcionam como gatilhos linguísticos de causa/origem, confirmando que a visão resulta da infância.

Observações linguísticas úteis

- Coesão causal: a conjunção “porque” e construções como “vem de” introduzem motivo/causa, de acordo com a gramática normativa (cf. Bechara; Cunha & Cintra, ao tratarem das conjunções causais e da regência verbal).

- Regência de “vir de”: a locução indica origem/causa (“decorre de”, “resulta de”), reforçando a leitura de que a visão é resultado da infância.

- Vocabulário e figura de linguagem: “oblíqua/oblíquo” (grafia conforme VOLP) e “paradoxo” (ex.: “o escuro me ilumina”) reforçam a natureza poética dessa visão, mas não anulam a sua causa declarada.

Pegadinha evitada

O verbo “inferir” pode sugerir leitura implícita; porém, aqui a relação é explícita no texto por meio dos marcadores de causa. Assim, a conclusão não é especulativa: é sustentada pela própria enunciação.

Gabarito: C – Certo

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Comentários

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 "Então eu trago de minhas raízes crianceiras a visão comungante e obliqua das coisas."

É COMO SE ELE DISSSESSE QUE É DEVIDO A COMO PASSOU A INFÂNCIA QUE TINHA ESSA VISÃO DAS COISAS.

Questão correta.

A "visão comungante e oblíqua das coisas” decorre de sua infância vivida em contato direto com a natureza, na comunhão com formigas, pássaros, árvores e rios.

Infere-se: interpretação de texto; é o que não está expressamente escrito, mas surge de uma conclusão que advém do que se compreende (o que está expresso) e do conhecimento prévio do leitor

Apesar de não ser bem uma inferência, pois o que se pede na questão está literalmente escrito no texto, a questão está correta.

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