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Q907837 Português

                                  Como se chama


      Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto – como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente – como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupada, e de repente parar por ter sido tomada por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota – como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear com a própria pergunta. Qual é o nome? e é este o nome.

(LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo, Círculo do livro, 1988.)

O texto inicia-se com uma conjunção cujo emprego pode resultar em diferentes matizes de sentido de acordo com o contexto em que está inserida. Em referência específica ao contexto apresentado, pode-se afirmar que o efeito de sentido produzido está corretamente expresso em:
Alternativas

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Tema central: Interpretação de texto – Função e sentido da conjunção “se” (oração condicional/suposição).

Análise da questão:

No texto de Clarice Lispector, a palavra “Se” inicia frases que trazem situações hipotéticas para o leitor refletir sobre sentimentos difíceis de nomear. Pela norma-padrão e seguindo a gramática de Evanildo Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”), o “se” quando inicia uma oração, assume valor de conjunção subordinativa condicional, isto é, apresenta uma condição ou suposição que serve de base para o questionamento da autora.

Considere a frase: “Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto – como se chama o que sinto?” Aqui, não se trata de um fato ocorrido ou sabido, mas de um possível acontecimento, uma hipótese.

Por que a alternativa B está correta?

A alternativa B (“A partir de uma suposição, é apresentado fato possível ou provável.”) está correta porque resume o mecanismo textual: o texto apresenta uma suposição (se) para introduzir um fato ou sentimento possível. Isso está em perfeita sintonia com o conteúdo teórico das orações condicionais e o efeito de sentido do “se” na literatura e na norma-padrão.

Análise das alternativas incorretas:

A) Apresentam-se dados já conhecidos ou pressupostos.Errada. O texto constrói hipóteses, e não menciona fatos previamente estabelecidos.

C) Tendo em vista uma atitude de incerteza, é apresentada uma situação irreversível.Errada. Não há situação irreversível; todas as condições são hipotéticas e abertas à reflexão.

D) O mesmo sentido seria produzido caso a conjunção inicial fosse substituída por “visto que”.Errada. “Visto que” expressa causa certa, diferente do “se”, que aqui cria suposição e hipótese.

Dica de prova: Atenção ao valor semântico dos conectivos! A troca de uma conjunção condicional (“se”) por uma causal (“visto que”) altera completamente o sentido do período — essa é uma pegadinha típica!

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Comentários

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Gabarito Letra b. Descreve o que é uma hipótese: A partir de uma suposição, é apresentado fato possível ou provável.

"Se" é uma conjunção condicional.

Com algumas alterações, caberia o "Caso" também. 

Indica possibilidade, dúvida, incerteza.

 

GABARITO: B

Pessoal, o título faz parte do texto? Fiquei em dúvida se a pergunta se referia ao "Como" ou ao "Se".

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