Laura é proprietária de imóvel urbano vizinho ao de Marcos. ...

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Q3882041 Direito Civil
Laura é proprietária de imóvel urbano vizinho ao de Marcos. Embora não utilize sua propriedade para fins residenciais ou comerciais, Laura passou a realizar, de forma reiterada, obras ruidosas em horários noturnos e a instalar refletores direcionados exclusivamente para o imóvel de Marcos, sem qualquer proveito econômico ou utilidade prática para si.
Restou comprovado que tais condutas tinham como único objetivo constranger o vizinho, em razão de desavença pessoal antiga.
Em razão desses fatos, Marcos ajuizou ação indenizatória, pleiteando reparação por danos morais e materiais decorrentes da conduta de Laura.
Considerando o regime jurídico do abuso do direito e da responsabilidade civil no Código Civil, assinale a afirmativa correta.
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: Código Civil, art. 187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.” As obras noturnas e os refletores dirigidos ao imóvel de Marcos, sem utilidade para Laura e destinados a constrangê-lo, configuram esse excesso manifesto; por isso, a alternativa E está correta.

Tema central: Abuso do direito de propriedade
Análise das alternativas
A
Errada
Exige culpa em sentido estrito, contrariando o critério objetivo-finalístico do art. 187, explicitado pelo Enunciado 37 do CJF. A responsabilidade decorrente do abuso independe de culpa, e a titularidade do direito de propriedade não torna lícito seu exercício manifestamente abusivo.
B
Errada
O Código Civil, art. 927, caput, determina: “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.” Não há condicionamento da reparação ao insucesso de medidas de cessação do abuso. A possibilidade de fazer cessar a conduta não autoriza restringir a indenização pelos danos causados com fundamento na intervenção mínima.
C
Errada
Acrescenta indevidamente a exigência de infração direta a outra norma expressa: o excesso manifesto em relação aos limites do art. 187 já caracteriza a ilicitude abusiva. Para a figura específica do ato emulativo, o Código Civil, art. 1.228, § 2º, estabelece: “São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem.” Ausência de utilidade e intenção de prejudicar estão presentes no caso, sem necessidade de demonstrar infração adicional.
D
Errada
Nega a reparabilidade do dano exclusivamente moral, expressamente admitida pelo Código Civil, art. 186: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.” Em conjunto com o art. 927, isso afasta a exigência de prejuízo patrimonial concomitante para a reparação moral. Continuam necessários o dano moral e seu nexo causal com o abuso.
E
Certa
A titularidade da propriedade não legitima seu exercício manifestamente contrário aos limites do art. 187 do Código Civil. O Enunciado 37 da I Jornada de Direito Civil do CJF, de natureza doutrinária interpretativa, explicita que a responsabilidade pelo abuso segue o critério objetivo-finalístico e independe de culpa. Assim, a intenção específica de prejudicar não é requisito geral do abuso, embora esteja comprovada no caso e integre a figura específica do ato emulativo. A indenização exige dano causalmente ligado à conduta, conforme o art. 927, caput: os prejuízos materiais pedidos não estão automaticamente comprovados pela existência do abuso.
Pegadinha da questão
Confundir a intenção de prejudicar, exigida para o ato emulativo do art. 1.228, § 2º, com um requisito geral do abuso do direito. A alternativa E dispensa essa intenção no regime geral do abuso, não na figura específica do ato emulativo.
Dica para questões semelhantes
  • Separe os requisitos: o abuso do art. 187 segue o critério objetivo-finalístico; o ato emulativo do art. 1.228, § 2º, exige ausência de comodidade ou utilidade e intenção de prejudicar.
  • Não confunda dispensa de culpa com dispensa de dano e nexo causal: estes permanecem necessários à indenização.
  • A ausência de prejuízo patrimonial não impede reparação por dano exclusivamente moral.
  • A cessação da conduta abusiva não condiciona nem substitui o dever de reparar os danos causados.

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GABARITO E

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Enunciado n. 37 CJF: A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico.

Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha.

GAB E, F, COLEGAS Q CONC:

Enunciado n. 37 CJF: A responsabilidade civil decorrente do abuso do direito independe de culpa e fundamenta-se somente no critério objetivo-finalístico.

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha.

O abuso de direito é um ato lícito na causa, mas ilícito nas consequências, ou seja, trata-se de exercício irregular de direito regular. O instituto vem previsto especificamente no art. 187, ainda que não com o nome de “abuso de direito”

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes.

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

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