À luz da teoria da ação comunicativa de Habermas, a comunica...

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Q3993989 Administração Pública
À luz da teoria da ação comunicativa de Habermas, a comunicação na gestão pública orientada à legitimidade democrática deve priorizar
Alternativas

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O ponto decisivo era a associação entre legitimidade democrática e racionalidade comunicativa, em contraste com alternativas fundadas em controle, eficiência instrumental ou persuasão.

Tema central: Racionalidade comunicativa
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque controle estratégico da informação pertence à lógica da ação estratégica: busca dirigir o comportamento alheio para êxito próprio. O critério habermasiano cobrado é entendimento mútuo, não controle.
B
Errada
Está errada porque eficiência instrumental é própria da racionalidade instrumental, centrada na adequação entre meios e fins. O enunciado cobra o fundamento da legitimidade democrática, que não se reduz a êxito funcional.
C
Errada
Está errada porque persuasão unilateral caracteriza comunicação estratégica, orientada a produzir efeito no outro. Isso contrasta com o processo dialógico exigido pela racionalidade comunicativa.
D
Errada
Está errada porque centralização decisória com publicidade posterior não equivale à formação comunicativa da decisão. A base distingue transparência ex post de deliberação legitimadora no próprio processo decisório.
E
Certa
Na teoria da ação comunicativa de Habermas, a legitimidade democrática se vincula ao entendimento mútuo entre os participantes. Por isso, a comunicação pública orientada a essa legitimidade deve priorizar processos dialógicos baseados na racionalidade comunicativa, e não a ação estratégica ou a racionalidade instrumental.
Pegadinha da questão
A questão explora a confusão entre legitimidade democrática, governabilidade, eficiência e transparência posterior, além de testar a distinção entre agir comunicativo e agir estratégico.
Dica para questões semelhantes
  • Se o enunciado associar Habermas à legitimidade democrática, procure alternativas centradas em entendimento mútuo, deliberação e processo dialógico.
  • Elimine opções fundadas em controle, influência unilateral ou gestão do comportamento alheio, porque isso indica ação estratégica.
  • Elimine opções que priorizem eficiência de meios e fins quando a cobrança for legitimidade, porque isso aponta racionalidade instrumental.
  • Não confunda publicidade ou transparência posterior com legitimação comunicativa da decisão.

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Harbermas distingue dois tipos de racionalidade:

  • Racionalidade instrumental/estratégica: voltada a fins, típica da economia e da política tradicional.
  • Racionalidade comunicativa: voltada ao entendimento mútuo, baseada em diálogo e consenso.
  • Na gestão pública, o que garante legitimidade democrática não é apenas a eficiência administrativa, mas a capacidade de envolver os cidadãos em processos de deliberação.

Aplicação na Gestão pública:

  • Não basta governabilidade (controle estratégico da informação).
  • Não basta eficiência administrativa (instrumentalidade).
  • O que se exige é deliberação pública, em que diferentes atores possam participar, argumentar e chegar a consensos.
  • Isso fortalece a esfera pública e legitima as decisões do Estado.

Alternativas:

  • A – Controle estratégico da informação → reduz participação, não gera legitimidade.
  • B – Eficiência instrumental → importante, mas insuficiente para democracia.
  • C – Comunicação estratégica unilateral → é persuasão, não diálogo.
  • D – Centralização decisória com publicidade posterior → transparência tardia, sem participação.
  • E – Processos dialógicos baseados na racionalidade comunicativa → correta, pois reflete a essência da teoria de Habermas.

“A racionalidade comunicativa se realiza quando os participantes de uma interação buscam o entendimento mútuo e não apenas o sucesso individual.”

Habermas. Teoria da Ação Comunicativa (1981):

“A legitimidade democrática depende de processos de formação da opinião e da vontade que se orientem pela racionalidade comunicativa.

Direito e Democracia: Entre Facticidade e Validade (1992)

Bons estudos

Pv 21:31

Teoria da ação comunicativa (Jürgen Habermas):

  • racionalidade instrumental;
  • argumentação racional;
  • buscando na comunicação e na intersubjetividade a possibilidade de construção de consensos no mundo contemporâneo.

Gabarito: letra E.

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A correta é a E) processos dialógicos baseados na racionalidade comunicativa.

De acordo com a Teoria da Ação Comunicativa de Jürgen Habermas, a legitimidade democrática não se constrói por meio da imposição, da manipulação ou da mera eficácia técnica. Ela decorre do entendimento mútuo alcançado de forma livre e consensual entre os cidadãos.

Na gestão pública voltada para esse ideal, a tomada de decisões deve priorizar o agir comunicativo (processos dialógicos). Isso significa criar espaços públicos de debate em que as decisões administrativas surjam de uma deliberação racional, argumentativa, transparente e livre de coerções, contrapondo-se à lógica puramente burocrática ou de controle estratégico.

Jürgen Habermas, na Teoria do Agir Comunicativo (1981), distingue o agir comunicativo, orientado ao entendimento mútuo por meio do diálogo e da apresentação de argumentos, do agir estratégico, no qual os participantes procuram influenciar o comportamento dos outros para alcançar objetivos particulares. A racionalidade comunicativa pressupõe a possibilidade de questionar afirmações, apresentar razões e discutir pretensões de validade em condições de diálogo, favorecendo a construção de consensos fundamentados em argumentos, e não apenas na imposição de interesses.

P2. Na gestão pública orientada à legitimidade democrática, a comunicação deve permitir que cidadãos, gestores e demais interessados participem do debate público, apresentem argumentos e contribuam para a formação das decisões coletivas.

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