Paciente, vítima de trauma cranioencefálico (TCE) e politra...

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Q3365963 Medicina
Paciente, vítima de trauma cranioencefálico (TCE) e politrauma, submetido à laparotomia por lesão hepática e gástrica graves. Sondagem nasogástrica (sete dias), drenagem torácica esquerda (oito dias), drenagem abdominal com dreno tubulolaminar à direita (15 dias). Permaneceu com intubação orotraqueal por nove dias e, posteriormente, foi submetido à traqueostomia, mantido com cânula plástica com balonete por mais vinte dias. Evoluindo com melhora do nível de consciência, trocou-se a cânula de traqueostomia plástica por metálica, realimentou-se por via oral o paciente, porém ele apresentou aumento do volume de secreção pulmonar e expectoração abundante.
O diagnóstico e a conduta são, respectivamente:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Complicações tardias de via aérea após intubação/traqueostomia, especialmente fístula traqueoesofágica (FTE) por isquemia de mucosa causada por balonete e sonda nasogástrica, manifestando-se com aspiração maciça ao reiniciar dieta.

Resposta correta: C) Fístula traqueoesofágica pós-IOT prolongada; broncofibroscopia para diagnóstico e aspiração traqueal.

Raciocínio clínico: O paciente teve IOT prolongada (9 dias) e traqueostomia com cânula cuffed por 20 dias, além de sonda nasogástrica prévia — fatores clássicos para FTE por necrose de pressão. A troca para cânula metálica (geralmente sem cuff) removeu o “selamento” do defeito, e a realimentação oral levou a grande volume de secreção/expectoração por aspiração do conteúdo esofágico via fístula. Sinais típicos: tosse ao deglutir (sinal de Ono), distensão gástrica durante ventilação e pneumonia recorrente. Broncofibroscopia é o exame inicial útil para visualizar a fístula e aspirar secreções; pode ser complementada por esofagoscopia e TC com contraste. Diretrizes/Referências: UpToDate (Acquired tracheoesophageal fistula in adults), Sabiston Textbook of Surgery.

Conduta prática imediata (além do que consta na alternativa): suspender dieta oral, reposicionar cânula cuffed com balonete distal à fístula, higiene brônquica, antibiótico se infeção, nutrição enteral pós-pilórica; correção cirúrgica quando clínica estabilizar. Evitar pressões do cuff <= 25–30 cmH₂O para prevenção.

Por que as demais estão incorretas?

  • A) Disfunção de pregas vocais: cursa com disfonia/estridor e possível aspiração, mas não explica a abrupta piora após troca para cânula sem cuff e reinício da dieta. O padrão é de aspiração maciça, típico de FTE. Laringoscopia avalia laringe, mas não detecta fístula traqueoesofágica distal.
  • B) Estenose de traqueia: manifesta-se com estridor/dispneia e dificuldade de desmame, não com grande secreção após alimentação. Recolocar cânula plástica não trata estenose e não aborda a causa.
  • D) Pneumonia bacteriana: pode aumentar secreção, porém o gatilho temporal (troca para metálica + dieta) indica aspiração por FTE. Broncoscopia para cultura é acessória, mas não é o diagnóstico principal aqui.
  • E) Laceração esofagotraqueal aguda por IOT inicial: ocorreria no período imediato ao trauma/entubação, com sinais precoces. Endoprótese esofágica é opção selecionada em fístulas malignas ou casos específicos; não é a conduta padrão deste cenário.

Dica de prova (pegadinha): a troca de cânula plástica cuffed por metálica sem cuff pode “desmascarar” a FTE ao permitir passagem de alimento para a via aérea. Associe reinício da dieta + secreção abundante a FTE.

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