Paciente com carcinoma epidermoide localizado em óstio de b...
Dados: VO2max = volume de oxigênio máximo; TSE = teste de subida de escada; SWT = suttle walk test; pCO2 = pressão parcial de gás carbônico; VEF = volume expiratório forçado no 1º segundo.
O paciente deverá ser excluído da possibilidade de tratamento cirúrgico se apresentar:
Gabarito comentado
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Tema central: Avaliação funcional pré-operatória para ressecção pulmonar em câncer de pulmão. O objetivo é estimar risco de complicações/mortalidade após lobectomia/pneumonectomia usando VEF1ppo, DLCOppo e testes funcionais (teste cardiopulmonar de exercício – CPET com VO2máx, stair climbing e shuttle walk).
Alternativa correta: A – VO2máx < 12 mL/kg/min ou < 35% do previsto indica risco muito alto para ressecções pulmonares maiores, devendo contraindicar cirurgia ou redirecionar para tratamentos não cirúrgicos (ex.: radioterapia estereotáxica) ou ressecções menos extensas. Diretrizes ACCP/ERS-ESTS apontam que VO2máx < 10–12 mL/kg/min (ou <35% previsto) associa-se a mortalidade inaceitável após lobectomia/pneumonectomia, sendo critério de exclusão cirúrgica em muitos algoritmos (ACCP 2013; ERS/ESTS 2009–2023; UpToDate 2024).
Por que as demais estão incorretas?
B) TSE ≥ 22 m: No teste de subida de escadas o parâmetro é a altura vertical alcançada. Desempenho ≥ 22 m sugere boa capacidade para lobectomia (baixa probabilidade de complicação). Exclusão costuma ocorrer quando < 12 m (alto risco). Portanto, ≥22 m não exclui (ACCP/ERS-ESTS).
C) SWT ≥ 400 m: No shuttle walk test, ≥ 400 m indica capacidade funcional aceitável. O ponto de corte de alerta é < 400 m, que sugere necessidade de CPET e possível alto risco. Logo, ≥400 m não contraindica cirurgia.
D) pCO₂ > 45 mmHg em repouso: Hipercapnia isolada não é contraindicação absoluta. É marcador de risco e exige otimização (reabilitação, tratamento de DPOC/apneia), mas a decisão deve integrar VEF1ppo/DLCOppo e VO2máx. Diretrizes não recomendam excluir apenas por pCO₂ elevada (ACCP; UpToDate).
E) VEF1ppo e DLCOppo ≤ 60%: Valores < 30% (não 60%) são classicamente os de alto risco para grandes ressecções e motivam contraindicação ou exigem VO2máx muito favorável. Entre 30–60% é risco intermediário, pedindo avaliação complementar (SWT/TSE/CPET), não exclusão automática (ERS/ESTS; ACCP 2013).
Estratégia para a prova:
- Leia os pontos de corte: VO2máx (<10–12 mL/kg/min), altura no TSE (não passos), distância no SWT (400 m).
- Lembre que gases arteriais isolados não definem operabilidade.
- Use o algoritmo: VEF1ppo/DLCOppo → testes simples (SWT/TSE) → CPET (VO2máx) para decisão final.
Referências: ACCP Lung Cancer Guidelines (2013); ERS/ESTS Guidelines on fitness for lung resection (2009–2023); UpToDate 2024; Harrison’s Principles of Internal Medicine (cap. Doenças pulmonares e avaliação pré-operatória).
Mensagem final: identifique corretamente os cut-offs e o tipo de teste. A pergunta explora justamente inversões de interpretação (ex.: ≥22 m no TSE e ≥400 m no SWT indicam bom desempenho).
Gabarito: A
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