Observe o seguinte desabafo do filósofo Nietzsche: “Ah, o ...
“Ah, o quanto me repugna impingir a outro meus pensamentos! Como me alegro de todo estado de ânimo e secreta mudança dentro de mim, em que os pensamentos de outros prevalecem diante dos meus! De vez em quando, porém, há uma festa ainda maior, quando é permitido distribuir seus bens espirituais, à maneira do confessor que se acha sentado no canto, ávido de que um necessitado venha e fale da miséria de seus pensamentos, para que ele possa lhe encher a mão e o coração e aliviar a alma inquieta!”.
Sobre a estrutura e os componentes desse texto, é correto afirmar que
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Tema central: Esta questão aborda interpretação de texto, mais especificamente o reconhecimento de elementos de subjetividade, pronomes pessoais e verbos na primeira pessoa, pontos fundamentais para compreender a função emotiva da linguagem conforme a norma-padrão.
Justificativa da alternativa correta — D)
A alternativa marcada como correta afirma que "a subjetividade do texto se materializa nas formas verbais e pronominais de primeira pessoa do singular". Isso está alinhado com a regra gramatical básica de identificação da 1ª pessoa do singular: a utilização de pronomes (“me”, “meu”) e verbos (“me alegro”, “me repugna”) com flexão em primeira pessoa marcam a perspectiva pessoal do enunciador.
Segundo autores como Bechara (“Moderna Gramática Portuguesa”) e Celso Cunha & Lindley Cintra, a função emotiva privilegia a expressão do “eu”, ou seja, é centrada no emissor, e se manifesta justamente nessas formas linguísticas. A subjetividade está patente também pela exposição de sentimentos (repugnância, alegria), típico da função emotiva.
Por que as alternativas estão erradas?
A) — A maior satisfação do autor não é apenas reconhecer a supremacia de pensamentos alheios, mas sim poder compartilhar seus próprios pensamentos de forma especial, quando convidado, sem impor.
B) — Não há superioridade do confessor sobre o escritor. O texto faz uma analogia para mostrar o prazer de compartilhar ideias, não de hierarquia entre as figuras.
C) — O termo “alma inquieta” refere-se ao necessitado que busca ajuda, não ao confessor (escritor). O confessor (analogia do escritor) é aquele que ouve e alivia.
E) — O texto ressalta que impingir ideias (impor pensamentos) é repugnante ao autor, e não orienta o escritor a distribuir pensamentos indiscriminadamente aos leitores. O ato de compartilhar ocorre em uma situação específica e desejada.
Dicas e Estratégias de Prova: Sempre localize os pronomes pessoais e os verbos conjugados para identificar o foco do texto. Analise cuidadosamente as analogias e o sujeito de cada oração, pois há frequentes pegadinhas que deslocam o referente (como em “alma inquieta” ou quem é o confessor).
Resumo: O domínio dos mecanismos de subjetividade textual (1ª pessoa) e da função emotiva é essencial, especialmente para Revisores de Texto – setores que exigem precisão na identificação do ponto de vista textual.
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Comentários
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Letra D.
tô tentando entender até agora
O texto de fato retrata uma função da linguagem expressiva.
Esse tipo de linguagem tem como característica a subjetividade, exatamente porque é muito centrada no sujeito e em suas emoções, por isso há ,também, uma predominância das formas pronominais em primeira pessoa do singular (me, meus, mim).
ele ta falando no texto que gosta mais de ouvir o que os outros têm a dizer do que falar dos seus pensamentos pros outros. Logo, nenhuma alternativa vai por esse caminho, e acaba restando a letra D, que fala da estrutura do texto.
É subjetivo pois está na primeira pessoa (o escritor falando dele mesmo)
Vou traduzir o texto e as alternativas para quem não compreendeu:
Basicamente, o autor sente repulsa pela ideia de forçar alguém a pensar como ele. Assim, ele se alegra por dentro quando alguém o convence a pensar de outra forma. Porém, a maior felicidade é quando alguém vem até ele sedento, implorando por conhecimento, como o padre confessor, que fica aguardando o aflito para a confissão.
Assim, vejamos cada alternativa:
A o maior bem encontrado pelo autor do texto é descobrir a supremacia de outros pensamentos sobre os seus.
= Nesse caso, não pode ser a A, pois embora o autor se sinta bem ao deixar que outros pensamentos prevaleçam sobre os seus, este não é o MAIOR bem encontrado.
B a analogia entre o escritor e o confessor mostra a superioridade deste sobre aquele.
= na verdade a analogia evidencia equivalência. O escritor vive esperando alguém que busque seus pensamentos, "à maneira do confessor que se acha sentado no canto, ávido de que um necessitado venha."
C a “alma inquieta”, referida no final do segmento, é a do confessor, que se vê impossibilitado de ajudar o próximo.
= A alma inquieta é a do necessitado que busca alívio ao falar da miséria de seus pensamentos.
D a subjetividade do texto se materializa nas formas verbais e pronominais de primeira pessoa do singular
= CORRETA - “Ah, o quanto me repugna impingir a outro meus pensamentos! Como me alegro de todo estado de ânimo e secreta mudança dentro de mim, em que os pensamentos de outros prevalecem diante dos meus! - em seguida, o autor se coloca como um dos polos da semelhança com o confessor.
E a tarefa do escritor, segundo o texto, é a de distribuir seus pensamentos pelos leitores aflitos.
= não é a tarefa, apenas o que lhe traz maior felicidade, mais até do que rever suas convicções.
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