No quarto parágrafo, ao usar repetidamente a estrutura “Se a...

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Q3458824 Português
Leia, com atenção, o texto 01 e, a seguir, responda a questão, que a ele se refere.

Texto 01

O que fazer para suportar essa tal felicidade?

        Um dia me fizeram a pergunta: “Você é sempre assim, insuportavelmente feliz?”. Confesso que fiquei sem ação. Naquele momento não consegui encontrar uma resposta, pois na minha cabeça eu precisava ainda definir: O que seria ser feliz? Qual seria o peso do advérbio sempre? Insuportável para quem?

        Na hora só consegui pedir desculpas. Sim, me desculpei por parecer feliz e até insuportável. Para minha sorte, a ausência dessa resposta não pesou no resultado da entrevista. Entrevista? Exatamente. Essa dúvida quanto ao meu estado constante de felicidade aconteceu no meio de um processo seletivo para uma grande empresa. Apesar de não encontrar a resposta, eu fui contratada. Agora, depois de tantos anos, essa pergunta voltou a ressoar em minha mente e resolvi, então, tentar entender as suas partes.

        Sou avessa aos determinismos e reducionismos quando se tratam de fenômenos existenciais humanos. Palavras como “sempre” e “nunca” nos aprisionam a uma condição imutável e de permanência. E nos impedem de transitar pelo “quase” ou pelo “talvez”, que nos permitem a dúvida, a crise, a possibilidade de escolher novos caminhos e provocar a mudança. Definitivamente o “sempre” não me representa. No insuportável, evidencia-se o peso da subjetividade. Assim como a dor, o nível de tolerância acontecerá a partir do conteúdo interno de cada um, bem como o impacto que isso gera. De fato, não podemos nos culpar pelo outro não se sentir à vontade com a nossa suposta felicidade. [...]

        Com alguns anos de atraso, encontrei a resposta. Se a felicidade está na tomada de consciência de que não existe um estado de permanência e as oscilações acontecem e fazem parte irremediável da existência, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é sentir a minha humanidade, me permitir chorar nas adversidades, rir ou chorar de alegria, e sorrir quando dou de cara com um novo desafio, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é ter uma relação familiar e com amigos, onde cuidamos para que uma convivência de respeito seja a prioridade, apesar das diferenças, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é me permitir o silêncio e as pausas necessárias para que eu possa me escutar e organizar as minhas ideias, mesmo que por alguns minutos, sim, eu sou feliz! Se a felicidade está em viver a fé, exercitando a prática do bem, sim, eu sou feliz! Se a felicidade é um projeto de vida que exige escolhas e ação, sim, eu sou feliz!

        Portanto, a felicidade não é uma estética. Não está no sorriso. Está no sentir e no sentido que encontramos para viver, mesmo quando as lágrimas se manifestam. Acredito que a felicidade está em encontrarmos espaços que nos comportem, nos ampliem e não mais tentar entrar em lugares que nos reduzam, porque se é para ser, que sejamos inteiros e de verdade.

Fonte: MORAIS, Elizabeth dos Santos. O que fazer para suportar essa tal felicidade? Disponível em: vidasimples.co/voce-simples/. Acesso em: 18 abr. 2025. Adaptado.
No quarto parágrafo, ao usar repetidamente a estrutura “Se a felicidade é [...]”, a autora lança mão do recurso linguístico denominado
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central da questão: Paralelismo sintático — Recurso de coesão textual utilizado para dar clareza, ênfase e harmonia ao texto por meio da repetição de estruturas gramaticais semelhantes. É um ponto de extrema importância para provas de concursos, porque está diretamente ligado à clareza e organização das ideias.

Justificativa da alternativa correta (C):

No quarto parágrafo, a autora repete a estrutura sintática: “Se a felicidade é [...] sim, eu sou feliz!”. Essa repetição caracteriza o paralelismo sintático. Segundo Bechara (2009), paralelismo é “a disposição ordenada de elementos gramaticais ou orações, de valor equivalente, para produzir um ritmo regular e facilitar o entendimento”.

O uso criterioso desse recurso confere uniformidade e clareza, ajudando o leitor a compreender os vários sentidos atribuídos ao conceito de felicidade no texto.

Análise das alternativas incorretas:

A) Coloquialidade — A linguagem do texto é cuidada, formal e reflexiva, não apresentando marcas de linguagem coloquial.

B) Eufemismo — Não se trata de suavização de uma ideia negativa, mas sim da exposição clara do pensamento da autora.

D) Linguagem metafórica — O parágrafo citado se fundamenta em construções literais e não em metáforas. Ainda que o texto contenha metáforas em outros momentos, aqui o que predomina é a estruturação paralela.

E) Linguagem ambígua — Não há ambiguidade, pois as repetições buscam justamente eliminar dúvidas, tornando o sentido inequívoco.

Estratégia de prova e dica:

Fique atento em questões que citam repetição de estruturas: quase sempre remetem ao paralelismo. Isso pode ser cobrado tanto em interpretação quanto em reescritura de frases.

Referência em gramática normativa: Bechara, Evanildo, "Moderna Gramática Portuguesa"; Cunha & Cintra, "Nova Gramática do Português Contemporâneo".

Resumo: O recurso utilizado é o paralelismo sintático, pois a autora repete intencionalmente a estrutura "Se a felicidade é...", reforçando e organizando seus argumentos.

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