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Q3058501 Português
Texto 02 para a questão.

Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e, se ela for excessiva, saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim nem se aproveite disso.
Que, se eu faço uma bobagem, o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que, se estou apenas cansada, o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quanto me dói a ideia da perda e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida.
Que, se estou numa fase ruim, o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo “Olha que estou tendo muita paciência com você!”
Que, quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que, se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. 
Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que, mesmo se às vezes me esforço, não sou nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa – uma mulher. 

Lya Luft. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2011. https://www.pensador.com/textos_sobre_a_mulher/. Acesso em 16/07/20da´.Adaptado.

Leia o fragmento de texto abaixo:



Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, MAS me aceite QUANDO não estou podendo ser nada disso.



Sobre os termos nele destacados em maiúscula, é CORRETO afirmar que

Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Esta questão aborda o uso de conjunções na construção de sentido em orações — mais especificamente, conjunções adversativas (como “mas”) e temporais (como “quando”). É fundamental reconhecer o efeito semântico e a função dessas palavras na frase.

Justificativa da alternativa correta (E): A palavra “mas” é uma conjunção coordenativa adversativa, utilizada para criar oposição em relação ao que foi dito anteriormente. Na frase, contrasta a ideia de “não me considere sempre disponível” com “me aceite quando não estou podendo ser nada disso”. Segundo Cunha & Cintra e Bechara, “mas” pode ser substituído por “porém”, mantendo-se o sentido normativo: “Que o outro não me considere sempre disponível, (...) porém me aceite...”.

“Quando” atua como conjunção subordinativa temporal, introduzindo uma oração que indica o tempo em que ocorre a ação principal. Neste caso, refere-se ao momento “em que não estou podendo ser nada disso”.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Incorreta: “Mas” nunca possui valor conclusivo; “logo” expressa conclusão, não oposição.
  • B) Incorreta: “Quando” indica tempo, não concessão; “embora” tem valor concessivo e alteraria o sentido.
  • C) Incorreta: A inversão do valor semântico — “mas” nunca indica temporalidade; além disso, “embora” não substitui “mas” corretamente.
  • D) Incorreta: “Quando” não expressa contrariedade, e sim tempo; “enquanto” daria ideia de simultaneidade, alterando o sentido original.

Estratégias para questões desse tipo: Ao analisar conectivos, observe o sentido que criam na frase: oposição (mas/porém/todavia), consequência (portanto/logo) ou tempo (quando/enquanto). Trocar a conjunção por outra, sem prejuízo ao contexto, confirma a alternativa correta. Evite “pegadinhas” que envolvem substituições de conectivos por outros de sentido distinto.

Referências normativas: Moderna Gramática Portuguesa, de Bechara, e Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Cunha & Cintra, confirmam que conjunções adversativas como “mas” e “porém” estabelecem oposição, e subordinativas temporais como “quando” indicam tempo.

Gabarito: E) O primeiro (“mas”) contraria algo anteriormente declarado, podendo ser igualmente substituído por “porém”.

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Comentários

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Gabarito: E

Introduzem argumentos que se opõem a outros: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto, não obstante, embora, ainda que, mesmo (que), apesar de (que), a despeito de, conquanto, se bem que, sem que....

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