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Q1069518 Medicina

Uma paciente de 25 anos de idade, primigesta, com 32 semanas e dois dias de gestação, procurou o serviço de emergência, referindo que, há uma semana, apresentara perda de grande quantidade de líquido pela vagina, não procurando atendimento por pensar que se tratava de urina e, há dois dias, iniciara quadro febril, sendo que hoje observou a saída de secreção fétida por via vaginal. Ao exame, bom estado geral, pressão arterial de 100 x 60 mmHg, temperatura axilar de 39 ºC, AU de 29 cm e BCF de 180 bpm. No exame especular, saída de secreção purulenta. Ao toque, colo pérvio para 2 cm e apresentação cefálica. Cardiotocografia padrão tranquilizador.

Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta para a paciente.

Alternativas

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Tema central da questão: Trata-se do manejo de uma gestante com corioamnionite, condição infecciosa que afeta as membranas ovulares e o líquido amniótico. Os principais critérios clínicos envolvem febre materna, taquicardia fetal, secreção purulenta/vaginal e história compatível de perda antecipada de líquido.

Justificativa para a alternativa correta (D):
A conduta correta diante de corioamnionite clínica diagnosticada é internação imediata, antibioticoterapia de amplo espectro e induçao do parto vaginal, independentemente da idade gestacional. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção ao Parto e Nascimento do Ministério da Saúde (2022), seção 6.1: “O tratamento de escolha da corioamnionite é a interrupção do parto via vaginal associada à antibioticoterapia, independente da idade gestacional”. A cesariana só está indicada se houver contraindicação ao parto vaginal.

Análise das alternativas incorretas:

A) Cesariana imediata devido ao sofrimento fetal crônico: Não há sinais de sofrimento fetal agudo (padrão cardiotocográfico é tranquilizador). A indicação de cesariana está errada.

B) Cesariana imediata pelo quadro infeccioso: A cesariana só aumenta o risco de complicações maternas na infecção. O parto vaginal é o preferível na corioamnionite sem outras indicações.

C) Corticoterapia, antibiótico e indução do parto: A administração de corticosteroides (betametasona/dexametasona) é contraindicada na suspeita de corioamnionite, pois imunossupressão pode agravar a infecção e não há tempo suficiente para seu efeito (precisaria de 48h).

E) Corticoterapia + antibiótico + cesariana programada: Repetimos o erro da alternativa anterior em relação à corticoterapia e soma-se o erro da cesariana agendada sem critério.

Pegadinhas:
Não se deve priorizar corticoterapia nem indicar cesariana de rotina diante de corioamnionite — pontos que geram dúvidas em provas.

Resumo dos protocolos: Em corioamnionite, a diretriz é antibioticoterapia de amplo espectro (ex: ampicilina + gentamicina), interrupção imediata da gestação por via vaginal e internação. (Manual MSD; Ministério da Saúde p. 135, 2022).

Dica de interpretação: Foque nos sinais clínicos-chave e nos fundamentos dos protocolos. Evite propostas “automáticas” de cesariana e saiba reconhecer quando corticoterapia é contraindicada.

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Comentários

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A alternativa correta é a D - internação, indução do parto e uso de antibiótico de amplo espectro. Este é um caso de quadro infeccioso grave, que apresenta risco tanto para a mãe quanto para o feto. A perda de líquido pela vagina, a secreção purulenta e a febre sugerem uma infecção do trato genital, que pode ser grave e afetar o feto. A conduta indicada é a internação da paciente, o uso de antibiótico de amplo espectro para tratar a infecção e a indução do parto, uma vez que a gestante já está com 32 semanas e dois dias de gestação. A cesariana imediata não é indicada, a menos que haja um quadro de sofrimento fetal agudo ou corioaminionite, o que não é o caso descrito.

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