Para Armando Boito Jr. os governos neodesenvolvimentistas c...

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Q3619693 Serviço Social
Para Armando Boito Jr. os governos neodesenvolvimentistas colocaram em curso um projeto econômico que se expressou na relação de representação política dos interesses da grande burguesia interna. Para este estudioso é "possível definir, ainda que provisoriamente, o neodesenvolvimentismo" como o “desenvolvimento possível dentro do modelo capitalista neoliberal periférico". Complementa que a insistência no prefixo "neo" indica que há diferenças importantes em relação ao desenvolvimentistmo do período de 1930-1980.
BOITO JR., Armando. Reforma e crise política no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT. Campinas, SP: Editora da Unicamp / São Paulo, SP: Editora Unesp, 2018.

Avalie as afirmações a seguir para detectar qual(ais) dela possui(em) caraterísticas inerentes ao modelo neodesenvolvimentista:

I. O novo desenvolvimento do referido período foi capaz de produzir índices mais modestos de crescimento econômico porque está limitado pela acumulação financeira ainda em vigor, aspecto fundamental do modelo capitalista neoliberal. O peso da rolagem da dívida pública e do juro elevado sobre a receita do Estado e sobre o lucro das empresas do setor produtivo inibe o investimento e o crescimento econômico.

II. O neodesenvolvimentismo aceita a especialização regressiva, recuo que o modelo capitalista neoliberal impôs aos países dependentes que tinham logrado desenvolver um parque industrial mais complexo, como foi o caso do Brasil. Assim, o novo desenvolvimento concentra-se nos setores de processamento de produtos agrícolas, pecuários ou de recursos naturais e, no caso da indústria de transformação, está focada nos segmentos de baixa densidade tecnológica. O velho desenvolvimentismo, diferentemente, forçava a abertura de brechas na divisão internacional capitalista do trabalho – em primeiro lugar, a própria política de industrialização e, em seguida, as sucessivas tentativas, mais ou menos bem-sucedidas, de internalizar setores produtivos mais sofisticados como indústria de base, bens de consumo duráveis, bens de capital, indústria aeronáutica, informática, indústria bélica e outros. No modelo desenvolvimentista, as grandes empresas nacionais, classificadas entre as empresas mais fortes dos seus respectivos segmentos em escala mundial, são – feita a exceção de praxe representada pela Embraer – a Friboi, a Brasil Foods, a Vale, a Gerdau, a Votorantim Celulose e outras que processam produtos de baixo valor agregado.

III. Desenvolvimento voltado, muito mais que o antecessor, para o mercado interno, isto é, para a substituição das exportações. Também essa característica resulta da manutenção do modelo capitalista neoliberal. O processo de reconstrução da renda ocorrido nas décadas neoliberais e a abertura da economia brasileira estimulam o foco nas importações. Ademais, tendo os demais países dependentes também passado por processos de abertura, uma economia capitalista dependente, porém mais forte, como é a do Brasil, pode se valer dessa superioridade para celebrar convênios com mercados até então inacessíveis devido ao protecionismo mais ou menos generalizado, a fim de exportar excedentes após o suprimento do mercado local e da produção tecnológica para servir à indústria nacional. Nesse particular, o comportamento político da grande burguesia interna foi exemplar. Na década de 1990, a indústria voltada para o mercado interno teve uma postura preponderantemente defensiva, e, os industriais reclamavam da falta de uma política de Estado que preparasse a indústria brasileira para a concorrência aberta em território nacional. Na década de 2000, a burguesia interna abandonou aquela posição defensiva e, acomodando-se ao modelo neoliberal, buscou fortalecer o protecionismo herdado do velho desenvolvimento e partiu para a briga concorrencial com empresas espalhadas pelo Estado brasileiro. O Estado brasileiro no período de Lula adotou, em consonância com essa postura da grande burguesia interna, uma agressiva política de financiamento, através do BNDES, voltada para promover as empresas e os investimentos brasileiros em suas vendas no comércio nacional.


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