Homem, 40 anos, apresenta astenia e anorexia há cerca de 14 ...
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Tema central da questão: O caso aborda meningoencefalites, enfocando diagnóstico diferencial a partir de evolução clínica subaguda e achados no Líquido Cefalorraquidiano (LCR). Compreender a interpretação do LCR e a evolução clínica direciona para o diagnóstico correto.
Justificativa para a alternativa correta – C) Meningite tuberculosa: O quadro apresentado possui evolução subaguda (dias a semanas), sintomas inespecíficos (astenia, anorexia, febre baixa), seguida de cefaleia progressiva, distúrbios neurológicos e rigidez de nuca. No exame do LCR observa-se:
- Líquido claro (ausência de turvação intensa)
- Pleocitose moderada (210 células/mm³), podendo ter predomínio de neutrófilos na fase inicial
- Proteínas muito elevadas (300 mg/dL)
- Glicose marcadamente reduzida (20 mg/dL), com relação LCR/glicemia <0,5
Segundo o Guia de Vigilância em Saúde – 6ª edição do Ministério da Saúde, a meningite tuberculosa cursa com LCR límpido (ou levemente opalescente), proteínas elevadas, glicose baixa e, no início, predomínio de neutrófilos (p. 371). Evolui para predomínio linfocitário mais tardiamente. A apresentação subaguda, sem sinais focais marcantes e ausência de lesões cutâneas reforça esse diagnóstico, conforme também preconizam Harrison’s e UpToDate.
Análise crítica das alternativas incorretas:
A) Abscesso cerebral: Espera-se sintomatologia neurológica focal e piora rápida. LCR geralmente com poucas células e exames de imagem evidenciando coleções; não condiz com quadro subagudo nem com LCR do caso.
B) Encefalite herpética: Costuma apresentar alteração comportamental aguda, crises convulsivas e sinais de acometimento de lobo temporal. O LCR possui predomínio linfocitário, não proteínas tão elevadas, além de ser raro predomínio inicial de neutrófilos.
D) Meningite pneumocócica: Evolução aguda, sintomas exuberantes (febre alta, rebaixamento agudo, vômitos), LCR tipicamente turvo e pleocitose importante, geralmente com glicose LCR extremamente baixa, mas a evolução do quadro clínico não sugere apresentação típica.
E) Meningoencefalite por toxoplasmose: Prevalece em pacientes imunossuprimidos, com sinais focais e achados radiológicos típicos de lesões expansivas cerebrais, o que não se encaixa neste caso.
Estratégia para provas: Fique atento ao tempo de evolução, padrão do LCR e sinais neurológicos. A apresentação subaguda e ausência de sinais meníngeos exuberantes afastam as causas bacterianas clássicas. O predomínio de neutrófilos, se acompanhado de evolução não aguda e proteínas muito elevadas, aponta para tuberculose meníngea, especialmente na ausência de sinais focais.
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