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Ano: 2015 Banca: IF-RR Órgão: IF-RR Prova: IF-RR - 2015 - IF-RR - Médico - Clínica Geral |
Q1024220 Medicina
Homem, 40 anos, apresenta astenia e anorexia há cerca de 14 dias, associadas à febre de 37,5 - 38ºC. Há 8 dias, começou a apresentar cefaleia holocraniana com piora progressiva, que já não cedia com o uso de Dipirona. Há dois dias, passou a apresentar sonolência e confusão mental, sendo internado. Ao exame: acordado, desorientado e febril, sem lesões cutâneas, e sem sinais focais, porém com rigidez de nuca. Realizada punção lombar obtendo-se LCF claro com 210 células e predomínio de neutrófilos (59%), proteínas de 300 mg e glicose de 20 mg (para uma glicemia de 89). O diagnóstico mais provável é:
Alternativas

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Tema central da questão: O caso aborda meningoencefalites, enfocando diagnóstico diferencial a partir de evolução clínica subaguda e achados no Líquido Cefalorraquidiano (LCR). Compreender a interpretação do LCR e a evolução clínica direciona para o diagnóstico correto.

Justificativa para a alternativa correta – C) Meningite tuberculosa: O quadro apresentado possui evolução subaguda (dias a semanas), sintomas inespecíficos (astenia, anorexia, febre baixa), seguida de cefaleia progressiva, distúrbios neurológicos e rigidez de nuca. No exame do LCR observa-se:

  • Líquido claro (ausência de turvação intensa)
  • Pleocitose moderada (210 células/mm³), podendo ter predomínio de neutrófilos na fase inicial
  • Proteínas muito elevadas (300 mg/dL)
  • Glicose marcadamente reduzida (20 mg/dL), com relação LCR/glicemia <0,5

Segundo o Guia de Vigilância em Saúde – 6ª edição do Ministério da Saúde, a meningite tuberculosa cursa com LCR límpido (ou levemente opalescente), proteínas elevadas, glicose baixa e, no início, predomínio de neutrófilos (p. 371). Evolui para predomínio linfocitário mais tardiamente. A apresentação subaguda, sem sinais focais marcantes e ausência de lesões cutâneas reforça esse diagnóstico, conforme também preconizam Harrison’s e UpToDate.

Análise crítica das alternativas incorretas:

A) Abscesso cerebral: Espera-se sintomatologia neurológica focal e piora rápida. LCR geralmente com poucas células e exames de imagem evidenciando coleções; não condiz com quadro subagudo nem com LCR do caso.

B) Encefalite herpética: Costuma apresentar alteração comportamental aguda, crises convulsivas e sinais de acometimento de lobo temporal. O LCR possui predomínio linfocitário, não proteínas tão elevadas, além de ser raro predomínio inicial de neutrófilos.

D) Meningite pneumocócica: Evolução aguda, sintomas exuberantes (febre alta, rebaixamento agudo, vômitos), LCR tipicamente turvo e pleocitose importante, geralmente com glicose LCR extremamente baixa, mas a evolução do quadro clínico não sugere apresentação típica.

E) Meningoencefalite por toxoplasmose: Prevalece em pacientes imunossuprimidos, com sinais focais e achados radiológicos típicos de lesões expansivas cerebrais, o que não se encaixa neste caso.

Estratégia para provas: Fique atento ao tempo de evolução, padrão do LCR e sinais neurológicos. A apresentação subaguda e ausência de sinais meníngeos exuberantes afastam as causas bacterianas clássicas. O predomínio de neutrófilos, se acompanhado de evolução não aguda e proteínas muito elevadas, aponta para tuberculose meníngea, especialmente na ausência de sinais focais.

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A partir dos sintomas apresentados, como astenia, anorexia, febre, cefaleia holocraniana, sonolência e confusão mental, é possível suspeitar de uma infecção do sistema nervoso central. Além disso, a presença de rigidez de nuca sugere uma meningite. A análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) revela um aumento no número de células e predomínio de neutrófilos, além de uma diminuição na glicose. Esses achados são consistentes com o diagnóstico de meningite tuberculosa. Portanto, a alternativa correta é a C. É importante ressaltar que a meningite tuberculosa é uma forma grave e potencialmente fatal da tuberculose, e seu diagnóstico precoce e tratamento adequado são fundamentais para a recuperação do paciente.

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