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Q1069515 Medicina

Uma paciente de 36 anos de idade procurou o serviço de urgência com quadro de abdômen agudo associado a discreto sangramento vaginal. Ao avaliar a carteira de pré‐natal, o médico calculou a idade gestacional cronológica, que era de sete semanas, sem a possibilidade do cálculo da idade gestacional ultrassonográfica, uma vez que a paciente ainda não tinha realizado esse exame. Ao exame físico especular, encontrava‐se hemodinamicamente estável, mas com discreta quantidade de sangramento coletado e, ao toque, o colo encontrava‐se impérvio. Solicitou‐se ultrassonografia transvaginal, que demonstrou um eco endometrial de 2 mm e apenas discreta quantidade de líquido em fundo de saco posterior. O exame βhCG: 4.000 mUI/ml.

Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

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Tema central: O caso aborda conduta em situação de possível abortamento precoce e destaca o papel do monitoramento seriado de β-hCG associado à ultrassonografia transvaginal para elucidação diagnóstica.

Justificativa da Alternativa Correta (E):
Quando a paciente apresenta sangramento vaginal no início da gestação, com β-hCG positivo e uma ultrassonografia que não evidencia gestação intrauterina definida, torna-se essencial diferenciar entre abortamento completo, gestação inicial ou gestação ectópica. Conforme o protocolo do Ministério da Saúde:
“Em casos de suspeita de abortamento, recomenda-se a realização de dosagens seriadas de β-hCG a cada 48 horas e ultrassonografias transvaginais...”
Esse acompanhamento permite avaliar a queda ou ascensão dos níveis hormonais e reconhecer possíveis alterações ultrassonográficas. Essa conduta é respaldada por evidências científicas que reforçam a necessidade de monitoramento antes de se estabelecer qualquer intervenção invasiva ou alta definitiva.

Análise das Alternativas Incorretas:

A) Refere-se a ameaça de abortamento, porém o quadro não preenche os critérios pois o útero está vazio ao USG, e o β-hCG apresenta valor limítrofe. Altas sem esclarecimento pode ser arriscado.

B) Não há evidências ultrassonográficas ou laboratoriais sugestivas de mola hidatiforme (ausência de imagem vesicular, β-hCG muito inferior ao esperado para mola).

C) O diagnóstico de abortamento completo exige plena confirmação de esvaziamento uterino e normalização do quadro clínico, o que ainda não é seguro sem dosagens seriadas e nova imagem.

D) O processo de nidação tipicamente ocorre entre a 3ª e 4ª semana, antes do β-hCG atingir valores tão elevados, e raramente provoca quadro de abdômen agudo.

Atenção para Pegadinhas: Palavras como “abortamento completo” ou “gestação inicial” podem induzir respostas precipitadas. O termo “abdômen agudo” sugere potenciais complicações (ex: ectópica), salientando a necessidade de seguimento rigoroso antes de definir conduta.

Estratégia de Prova: Sempre que houver incerteza diagnóstica, valorize a necessidade de reavaliação clínica e laboratorial, conforme indica a literatura (“Atenção Técnica para Prevenção, Avaliação e Conduta nos Casos de Abortamento”, Ministério da Saúde, p.36).

Resumo: Repetir β-hCG e USG em 48h é abordagem segura e respaldada por diretriz e evidência (UpToDate: "Pregnancy of unknown location: Evaluation and management").

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Com base nas informações apresentadas, a alternativa correta é a E. O caso hipotético apresenta uma paciente com abdômen agudo e discreto sangramento vaginal, com idade gestacional cronológica de sete semanas, sem a possibilidade de cálculo da idade gestacional ultrassonográfica. Ao exame físico especular, a paciente encontrava-se hemodinamicamente estável, mas com discreta quantidade de sangramento coletado e colo impérvio. A ultrassonografia transvaginal demonstrou um eco endometrial de 2 mm e apenas discreta quantidade de líquido em fundo de saco posterior, e o exame βhCG foi de 4.000 mUI/ml. A conduta mais adequada é solicitar um novo βhCG e ultrassonografias em dois dias para elucidação do quadro. Isso porque, nesse momento, não é possível determinar com precisão o diagnóstico, podendo ser uma gestação inicial, um abortamento ou uma mola hidatiforme, por exemplo. Portanto, é necessário aguardar a evolução do quadro para definir a melhor conduta a ser adotada.

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