Paciente com suspeita de febre reumática relata artrite mig...

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Q3293060 Medicina
Paciente com suspeita de febre reumática relata artrite migratória e sopro mitral. Exames confirmam atividade inflamatória. Assinale a proposta de tratamento inicial:
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Alternativa correta: B — Penicilina benzatina para erradicar o estreptococo, anti-inflamatórios ou corticosteroides conforme gravidade, e vigilância de insuficiência valvar.

Tema central e raciocínio clínico: Febre reumática aguda (FRA) é uma complicação autoimune da faringoamigdalite por Streptococcus pyogenes (grupo A). O quadro de artrite migratória associado a sopro mitral sugere cardite reumática. Exames com atividade inflamatória elevada (VHS/CRP) apoiam o diagnóstico. Pela Revisão dos Critérios de Jones (AHA), cardite e poliartrite são critérios maiores; é necessário também evidência de infecção estreptocócica prévia (ex.: ASO/anti-DNase B elevados, cultura de orofaringe ou teste rápido) (AHA 2015; UpToDate; Harrison).

Por que a alternativa B é a correta?

- Erradicação do estreptococo: penicilina benzatina IM dose única (≥27 kg: 1.200.000 UI; <27 kg: 600.000 UI). Reduz a carga bacteriana e, sobretudo, previne recidivas, que agravam lesão valvar (AHA/WHO/Ministério da Saúde).

- Controle da inflamação: AAS ou naproxeno/ibuprofeno para artrite. Corticosteroide (p. ex., prednisona 1–2 mg/kg/dia) em cardite moderada a grave ou insuficiência cardíaca; reduzir gradualmente e, muitas vezes, associar AINE na transição.

- Vigilância/conduta cardiológica: monitorar insuficiência valvar (eco, sinais de IC). Tratar IC se presente (diurético, IECA, etc.).

Dica de prova: lembrar da profilaxia secundária com penicilina benzatina a cada 3–4 semanas por anos, dependendo da presença de cardite.

Análise das alternativas incorretas:

A – “AINE apenas, sem antibiótico”: incorreta. Mesmo após resolução da faringite, é mandatória a erradicação do Streptococcus para reduzir recorrências e progressão da doença valvar (AHA/WHO/UpToDate).

C – “Suspender penicilinas, etiologia não relacionada ao EBHGA”: incorreta. A fisiopatologia da FRA é reação autoimune por mimetismo molecular após infecção por estreptococo beta-hemolítico do grupo A; a penicilina é pilar do manejo (Harrison; AHA).

D – “Uso exclusivo de diurético”: incorreta. Diuréticos só têm papel se houver insuficiência cardíaca; não tratam a inflamação articular nem a erradicação bacteriana.

Estratégia para a prova: Identifique pistas-chave como artrite migratória + sopro. Em FRA, pense sempre em: 1) antibiótico para estreptococo; 2) anti-inflamatório ou corticoide conforme gravidade da cardite; 3) monitorização cardíaca e profilaxia secundária.

Referências essenciais: American Heart Association (Jones Criteria 2015); WHO Technical Report on Rheumatic Fever; Ministério da Saúde – Protocolo Clínico de FRA; UpToDate (Rheumatic fever: diagnosis and management); Harrison’s Principles of Internal Medicine.

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