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Q4378692 Português

TEXTO I

O HOMEM E A SERPENTE



    O filho de um camponês pisou, por acaso, na cauda de uma serpente, que se virou e o mordeu, de tal forma que o jovem veio a falecer.

    O pai, furioso, pegou seu machado e, perseguindo a serpente, cortou-lhe parte da cauda. Então, a cobra, como vingança, começou a picar o gado do agricultor, causando-lhe grandes prejuízos na fazenda.

    Assim, o Agricultor achou melhor tentar fazer as pazes com a Serpente e levou comida e mel à entrada da sua toca. Ao chegar lá, disse-lhe:

    - Vamos esquecer tudo e perdoar um ao outro? Talvez tenhas razão em castigar o meu filho e vingar-te do meu gado, mas certamente que eu tinha razão em tentar vingar-me dele. Agora que estamos ambos satisfeitos, por que não havemos de nos tornar amigos?

- Não! De modo algum – disse a Serpente, completando – leva os teus presentes. Tu nunca poderás esquecer a morte do teu filho, nem eu a perda da minha cauda. Fonte: ESOPO. Fábulas de Esopo. O homem e a serpente.



Fonte: 82 Fábulas de Esopo em prosa. O homem e a serpente. Fonte: 82 Fábulas de Esopo em prosa. (adaptado).(adaptado).

A partir da leitura do texto I, é correta a afirmação contida na seguinte mensagem:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: E

Fundamento decisivo: A fala final da serpente: “Tu nunca poderás esquecer a morte do teu filho, nem eu a perda da minha cauda.” estabelece a permanência da memória das perdas para ambos. Como a mensagem deve ser inferida do desfecho, e não apenas da proposta anterior do agricultor, essa evidência sustenta o gabarito E.

Tema central: Perdão e memória dos danos
Análise das alternativas
A
Errada
A amizade aparece como proposta do agricultor, mas é rejeitada pela serpente. Tomar essa proposta como mensagem central ignora a recusa que encerra a narrativa e destaca a lembrança das perdas.
B
Errada
O perdão é proposto, mas não se realiza na narrativa. Além disso, o texto não apresenta a paz de espírito como resultado do perdão; essa relação é acrescentada pela alternativa.
C
Errada
A tentativa de fazer as pazes não estabelece que a paz seja superior a ter razão. O próprio agricultor reivindica razão para sua vingança, e o desfecho trata da impossibilidade de esquecer as perdas, não dessa comparação.
D
Errada
A recomendação de que os momentos difíceis sempre devem ser esquecidos contraria o desfecho: a serpente afirma que nenhum dos dois poderá esquecer o dano sofrido. A proposta do agricultor de esquecer não é confirmada pela resposta final.
E
Certa
Em E, “podem ser perdoados” expressa possibilidade, não perdão efetivamente realizado. O agricultor propõe o perdão, mas a serpente recusa a reconciliação por considerar inesquecíveis as perdas de ambos. Assim, “mas não esquecidos” corresponde à fala final. Nesse contexto, “ferimentos” abrange os danos e sofrimentos recíprocos, incluindo a morte do filho e a perda de parte da cauda.
Pegadinha da questão
Confundir a proposta de perdão e amizade feita pelo agricultor com uma reconciliação efetivamente realizada. Em E, a possibilidade de perdoar não significa que os personagens tenham se perdoado.
Dica para questões semelhantes
  • Confronte a mensagem sugerida por cada alternativa com o desfecho, e não apenas com o desejo de um personagem.
  • Diferencie uma proposta de ação de sua realização na narrativa.
  • Observe expressões de possibilidade e de negação: “podem” não afirma realização; “nunca” e “nem eu” negam o esquecimento para ambos.

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