Em “No Brasil, no entanto, o conceito de liberdade de impr...

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Ano: 2014 Banca: IDECAN Órgão: HC-UFPE Prova: IDECAN - 2014 - HC-UFPE - Advogado |
Q552957 Português
Liberdade de imprensa e liberdade de opinião
Há muita dificuldade conceitual, especialmente no Judiciário, para entender o papel dos grupos de mídia e de conceitos como liberdade de imprensa, liberdade de opinião e direito à informação.
Tratam como se fossem conceitos similares.
Direito à informação e liberdade de expressão são direitos dos cidadãos, cláusulas pétreas da Constituição.
Liberdade de imprensa é um direito acessório das empresas jornalísticas. Por acessório significa que só se justifica se utilizado para o cumprimento correto da importantíssima missão constitucional que lhe foi conferida.
No Brasil, no entanto, o conceito de liberdade de imprensa tornou-se extraordinariamente elástico, fugindo completamente dos princípios que o originaram. E há enorme resistência do Judiciário em discutir o tema. É tabu.
Os grupos de mídia trabalham com jornalismo, entretenimento e marketing. E têm interesses comerciais próprios de uma empresa privada.
Jogaram todas as atividades de mídia debaixo da proteção da liberdade de imprensa, mesmo as não jornalísticas, tornando-as imunes a qualquer forma de controle seja de costumes seja da mera classificação indicativa.
Anos atrás, uma procuradora da República intimou a Rede Globo devido a conceitos incorretos sobre educação inclusiva propagados em uma novela. Foi alvo de artigos desmoralizadores do colunista Arthur Xexéo – “acusando-a” de pretender interferir no roteiro, ferindo a liberdade de expressão.
A ação proposta contra o apresentador Gugu, por ocasião da falsa reportagem sobre o PCC, rendeu reportagem desmoralizadora da revista Veja contra os proponentes da ação, em nome da liberdade de expressão.
A mera tentativa do Ministério da Justiça de definir uma classificação etária indicativa para programas de televisão foi torpedeada pela rede Globo, sob a acusação de interferência na liberdade de expressão.
Em todos os casos, a Justiça derrubou as ações em nome da liberdade de imprensa.
Quando o conceito de liberdade de imprensa foi desenvolvido – no bojo da criação do modelo de democracia norte-americano – o pilar central era o da mídia descentralizada, exprimindo a posição de grupos diversificados, permitindo que dessa atoarda nascessem consensos e representações.
As rádios comunitárias eram a expressão mais autêntica desse papel democratizante da mídia, assim como as mídias regionais.
Hoje as rádios comunitárias são criminalizadas. E as concessões públicas tornaram-se moeda de troca com grupos políticos, com coronéis eletrônicos, que a tratam como propriedade privada. É inacreditável a naturalidade com que se aceita o aluguel de horários para grupos religiosos, ou a venda das concessões para outros grupos, como se fossem propriedade privada e não um ativo público.
Tudo isso decorre da enorme concentração do setor, responsável por inúmeras distorções. Houve perda de representatividade da mídia regional, esmagamento das diferenças culturais, ideológicas.
Daí o movimento, em muitos países, por um marco regulatório que de maneira alguma interfira na liberdade de expressão. Mas que permita a desconcentração de mercado, promovendo o florescimento de novos grupos de mídia que tragam a diversificação e a pluralidade para o setor.
Enfim, instituir a verdadeira economia de mercado no setor.
(Luis Nassif. Disponível em: http://jornalggn.com.br/noticia/liberdade-de-imprensa-e-liberdade-de-opiniao.)
Em “No Brasil, no entanto, o conceito de liberdade de imprensa tornou-se extraordinariamente elástico, fugindo completamente dos princípios que o originaram." (5º§), o trecho destacado é uma
Alternativas

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Tema central da questão: A questão avalia identificação e classificação de orações subordinadas, especificamente o reconhecimento de uma oração subordinada adverbial consecutiva conforme a norma-padrão.

Justificativa da alternativa correta (E): O trecho destacado “fugindo completamente dos princípios que o originaram” expressa uma consequência do que é afirmado antes (“o conceito de liberdade de imprensa tornou-se extraordinariamente elástico”). Ou seja, a elasticidade é tamanha que resulta em fuga dos princípios originários. Esse relacionamento de causa e efeito caracteriza as orações adverbiais consecutivas, geralmente introduzidas por expressões como “tão...que”, “de modo que”, “de forma que”, mas também podendo ser implícita.

Regra gramatical: Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa): “A oração consecutiva exprime consequência de um fato. A estrutura pode ser explícita ou reduzida: ‘Choveu tanto, que alagou a rua.’ — Ocorre também quando a oração reduzida indica o efeito da ação principal.”

No exemplo analisado, a oração reduzida de gerúndio (‘fugindo’) estabelece a relação de consequência, sendo, portanto, adverbial consecutiva.

Análise das alternativas incorretas:

A) Oração subordinada adjetiva restritivaIncorreta. Não restringe ou especifica substantivo algum, tampouco relaciona-se por pronome relativo.

B) Oração subordinada adjetiva explicativaIncorreta. Não está inserindo uma explicação referente a substantivo já definido.

C) Oração subordinada substantiva apositivaIncorreta. Não funciona como aposto de nenhum termo da oração principal.

D) Oração subordinada adverbial condicionalIncorreta. Não expressa condição, mas consequência.

Dicas para provas: Fique atento às relações de causa, consequência e condição. O gerúndio pode introduzir orações adverbiais e, conforme o contexto, indicar consequência. Se o evento da subordinada advém do que se enuncia antes, provavelmente trata-se de oração consecutiva.

Referências: Evanildo Bechara, Moderna Gramática Portuguesa; Cunha e Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo.

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Comentários

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É oração subordinada adverbial, pelo fato de que a palavra completamente, tem sentido de advérbio. E consecutiva pelo conectivo QUE exprimindo uma consequência. 
No Brasil, no entanto, o conceito de liberdade de imprensa tornou-se extraordinariamente elástico, fugindo completamente dos princípios que o originaram."

Quando você lê assim: "O conceito se tornou tão elastico de um jeito  que fugiu completamente dos princípios que o originaram" 
 Dá uma ideia de consequencia... 
 

QUE vem na forma: Percedido de tal, tanto, tão, tamanho.

Olhei a questão e não tive ideia, acabei resolvendo por eliminação e olhando o sentido do período, veja:

o período não começa com o pronome relativo "que", logo A e B descartadas

condicional vem com a principal indicando hipótese, em geral, com a conjunção condicional "se" ou no subjuntivo; ou futuro do pretérito, o que não é o caso, logo descartada também

substantiva deveria ser iniciada com a conjunção integrante "que", além disso a apositiva deveria ser uma enumeração ou explicitação sobre a liberdade de imprensa, não foi, logo descardada.

Sobrou a última, semanticamente (via gerundio) denota relação temporal com a primeira, logo a correta.

Gabarito E

IDECAN do capeta ptqp

A resposta correta é E) oração subordinada adverbial consecutiva.

O trecho destacado "fugindo completamente dos princípios que o originaram" é uma oração subordinada adverbial consecutiva porque indica uma consequência ou resultado da ação expressa na oração principal "tornou-se extraordinariamente elástico". A conjunção implícita entre as orações sugere que o fato de o conceito de liberdade de imprensa ter se tornado elástico tem como consequência o fato de estar fugindo dos princípios que o originaram.

As orações subordinadas adverbiais consecutivas geralmente expressam uma consequência ou resultado de uma ação ou situação, e podem ser introduzidas por conjunções como "de modo que", "de forma que", "de maneira que", ou podem estar implícitas, como no caso do trecho destacado.

Portanto, a resposta correta é E) oração subordinada adverbial consecutiva.

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