No trecho “As rádios comunitárias eram a expressão mais au...

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Ano: 2014 Banca: IDECAN Órgão: HC-UFPE Prova: IDECAN - 2014 - HC-UFPE - Advogado |
Q552954 Português
Liberdade de imprensa e liberdade de opinião
Há muita dificuldade conceitual, especialmente no Judiciário, para entender o papel dos grupos de mídia e de conceitos como liberdade de imprensa, liberdade de opinião e direito à informação.
Tratam como se fossem conceitos similares.
Direito à informação e liberdade de expressão são direitos dos cidadãos, cláusulas pétreas da Constituição.
Liberdade de imprensa é um direito acessório das empresas jornalísticas. Por acessório significa que só se justifica se utilizado para o cumprimento correto da importantíssima missão constitucional que lhe foi conferida.
No Brasil, no entanto, o conceito de liberdade de imprensa tornou-se extraordinariamente elástico, fugindo completamente dos princípios que o originaram. E há enorme resistência do Judiciário em discutir o tema. É tabu.
Os grupos de mídia trabalham com jornalismo, entretenimento e marketing. E têm interesses comerciais próprios de uma empresa privada.
Jogaram todas as atividades de mídia debaixo da proteção da liberdade de imprensa, mesmo as não jornalísticas, tornando-as imunes a qualquer forma de controle seja de costumes seja da mera classificação indicativa.
Anos atrás, uma procuradora da República intimou a Rede Globo devido a conceitos incorretos sobre educação inclusiva propagados em uma novela. Foi alvo de artigos desmoralizadores do colunista Arthur Xexéo – “acusando-a” de pretender interferir no roteiro, ferindo a liberdade de expressão.
A ação proposta contra o apresentador Gugu, por ocasião da falsa reportagem sobre o PCC, rendeu reportagem desmoralizadora da revista Veja contra os proponentes da ação, em nome da liberdade de expressão.
A mera tentativa do Ministério da Justiça de definir uma classificação etária indicativa para programas de televisão foi torpedeada pela rede Globo, sob a acusação de interferência na liberdade de expressão.
Em todos os casos, a Justiça derrubou as ações em nome da liberdade de imprensa.
Quando o conceito de liberdade de imprensa foi desenvolvido – no bojo da criação do modelo de democracia norte-americano – o pilar central era o da mídia descentralizada, exprimindo a posição de grupos diversificados, permitindo que dessa atoarda nascessem consensos e representações.
As rádios comunitárias eram a expressão mais autêntica desse papel democratizante da mídia, assim como as mídias regionais.
Hoje as rádios comunitárias são criminalizadas. E as concessões públicas tornaram-se moeda de troca com grupos políticos, com coronéis eletrônicos, que a tratam como propriedade privada. É inacreditável a naturalidade com que se aceita o aluguel de horários para grupos religiosos, ou a venda das concessões para outros grupos, como se fossem propriedade privada e não um ativo público.
Tudo isso decorre da enorme concentração do setor, responsável por inúmeras distorções. Houve perda de representatividade da mídia regional, esmagamento das diferenças culturais, ideológicas.
Daí o movimento, em muitos países, por um marco regulatório que de maneira alguma interfira na liberdade de expressão. Mas que permita a desconcentração de mercado, promovendo o florescimento de novos grupos de mídia que tragam a diversificação e a pluralidade para o setor.
Enfim, instituir a verdadeira economia de mercado no setor.
(Luis Nassif. Disponível em: http://jornalggn.com.br/noticia/liberdade-de-imprensa-e-liberdade-de-opiniao.)
No trecho “As rádios comunitárias eram a expressão mais autêntica desse papel democratizante da mídia, assim como as mídias regionais." (13º§), a expressão destacada tem função
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Gabarito: B) aditiva.

Tema central: A questão aborda funções das conjunções e locuções conjuntivas — ponto central da sintaxe da Língua Portuguesa. É fundamental para concursos identificar o valor semântico que a conjunção agrega entre as orações ou termos, como adição, comparação, causa, oposição etc.

Análise detalhada:

No trecho analisado, “assim como as mídias regionais”, a locução conjuntiva está unindo dois termos do sujeito: “rádios comunitárias” e “mídias regionais”. Nesse contexto, o sentido transmitido é de adição — ambas as mídias representando expressão autêntica do papel democratizante.

Regra da norma-padrão: Segundo Bechara (Moderna Gramática Portuguesa), “assim como” pode, a depender do contexto, ser comparativa ou aditiva. Quando o objetivo é incluir outro elemento de modo suplementar e com o mesmo valor, o uso é aditivo, como vemos no trecho.

Exemplo analógico:Os advogados, assim como os juízes, devem respeitar a ética profissional.” — aqui, ambos figuram na mesma lista de deveres.

Análise das alternativas incorretas:

  • A) Causal: Uma conjunção causal explicaria o motivo de algo, o que não ocorre aqui.
  • C) Conclusiva: Seria o caso de um conectivo indicando conclusão (“portanto”, “logo”), diferente do valor de “assim como” neste contexto.
  • D) Adversativa: Esperaríamos oposição ou contraste (“mas”, “porém”). “Assim como” não expressa antagonismo no trecho.
  • E) Comparativa: Aqui está a pegadinha: em muitos contextos, “assim como” pode ser comparativa. Porém, no texto em análise, há mais a ideia de adição de grupo ou união de elementos de mesmo valor do que comparação em si.

Estratégia de prova: Atenção especial à função do conectivo no contexto, e não apenas à função “dicionária”. Em questões similares, busque analisar se há soma, contraste ou equivalência.

Resumo: A locução “assim como” serve, neste caso, para adicionar outro elemento de igual importância, justificando o gabarito aditivo.

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Comentários

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Justificando o Gabarito B

Para ser comparação: 

A Comparação teria que ser da subordinada com a principal e não contrário.

Veja:

SÃO* as rádios comunitárias eram a expressão mais autêntica desse papel democratizante da mídia, ASSIM COMO as mídias regionais ( Ideia de Adição)          ( * ) o "SÃO" no início é só para exemplificar 

ou 

ASSIM COMO AS rádios comunitárias eram a expressão mais autêntica desse papel democratizante da mídia, SÃO as mídias regionais  (Ideia de Comparação)




Bons Estudos.

Essa questão precisa urgente do comentário do professor!! Não consigo ver adição aí por nada.

“As rádios comunitárias e as mídias regionais eram a expressão mais autêntica desse papel democratizante da mídia"

Esta alteração na frase me auxilou na resolução.

GABARITO - B

 

1) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando ideia de acrescentamento ou adição. São elas: e, nem (= e não), não só... mas também, não só... como também, bem como, não só... mas ainda.

 

“As rádios comunitárias eram a expressão mais autêntica desse papel democratizante da mídia, assim como(BEM COMO) as mídias regionais."

 

http://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf85.php

Conectores de subordinação comparativos: Como, igual a , mais (do) que, menos (do) que, tanto quanto

Conectores de coordenação aditivos: e, nem, não só, mas também, como, não apenas, mas ainda, não só, assim como, bem.

 

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