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Q2722954 Português

Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 11.


Diminuto feito grão de poeira, mera mancha de caneta, migalha no teclado, o ponto final é o sumo magistrado de nossos sistemas de escrita, ainda à espera de ser cantado em verso. Sem ele, não haveria fim para o sofrimento do jovem Werther e as viagens do hobbit jamais se completariam. Sua presença permitiu que Henri Michaux comparasse nossa essência a “um ponto que a morte devora”.

Ele coroa o pensamento que se completa, propicia a quimera de uma conclusão e guarda certa altivez que, como a de Napoleão, provém de seu tamanho minúsculo. Ansiosos por seguir em frente, não precisamos de nada que assinale o início, mas precisamos saber onde parar: esse pequeno memento mori, “lembrança da morte”, faz recordar que para tudo há de ter um fim, inclusive para nós mesmos. Como um professor sugeriu, um ponto final é “sinal de um sentido que se perfaz e de uma frase perfeita”.

A necessidade de indicar o fim de uma frase escrita é talvez tão velha quanto a própria escrita, mas a solução, sucinta e prodigiosa, não se estabeleceu até o Renascimento italiano. Por séculos, a pontuação fora assunto irremediavelmente errático.

Já no século I d.C., Quintiliano propunha que a frase além de expressar uma ideia completa devia ainda ser pronunciada de um só fôlego. Por muito tempo os escribas pontuaram os textos com todo o tipo de sinais e símbolos, de um simples espaço em branco a toda uma variedade de pontos e barras.

No começo do século 5 d. C., São Jerônimo, tradutor da Bíblia, concebeu um sistema que assinalava cada unidade de sentido por meio de uma letra que avançava para fora da margem, como indicando um novo parágrafo.

Três séculos mais tarde, o “ponto” era usado para indicar tanto uma pausa no interior da frase como o fim da frase propriamente dito. Valendo-se de convenções tão confusas assim, os escritores não tinham como esperar que o público lesse determinado texto conforme as intenções do autor.

Então, no ano de 1556, Aldo Manuzio, o Jovem, em seu manual de pontuação, Interpungendi ratio, caracterizou pela primeira vez a função e o aspecto definitivo do ponto final. Queria escrever um manual para tipógrafos; não tinha como saber que legava a nós as dádivas de sentido e música de toda a literatura por vir.


(Adaptado de: MANGUEL, A. “Ponto final”, Serrote, jul. 2012)

Caso o autor se referisse a acontecimentos passados, no segmento Ansiosos por seguir em frente, não precisamos de nada que assinale o início... (2º parágrafo), os verbos sublinhados devem assumir a seguinte forma para que se mantenha a correlação adequada entre eles:

Alternativas

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Comentário da Questão – Tema central:

Esta questão avalia seu domínio sobre correlação de tempos verbais na norma-padrão do Português, um conhecimento essencial para garantir clareza e precisão em textos oficiais e comunicações formais, competências valorizadas em concursos públicos para operador.

Análise da Regra – Correlação Temporal:

Na frase original, ambos os verbos (precisamos e assinale) estão no presente: “não precisamos de nada que assinale o início”. Se a ação passa para o passado, a norma-padrão recomenda:

  • Oração principal: Pretérito Imperfeito do Indicativo (precisávamos)
  • Oração Subordinada: Pretérito Imperfeito do Subjuntivo (assinalasse)

Exemplo:Não precisávamos de nada que assinalasse o início.”

Segundo Celso Cunha & Lindley Cintra (“Nova Gramática do Português Contemporâneo”), é fundamental manter essa harmonia verbal, pois a subordinada exprime um fato dependente da principal e ambos precisam coexistir no mesmo “tempo histórico”.

Análise das Alternativas:

  • A) “teríamos precisado – assinala”: mistura o futuro do pretérito com presente, rompendo a correlação.
  • B) “estávamos precisando – assinalara”: “assinalara” indica ação concluída antes da necessidade, o que não é o pretendido.
  • C) “precisáramos – assinalou”: “precisáramos” (pretérito mais-que-perfeito) não combina com “assinalou” no contexto.
  • D) “precisávamos – tenha assinalado”: “tenha assinalado” (pretérito perfeito do subjuntivo) é mais usado com uma principal no presente ou futuro, não com pretérito.
  • E) “precisávamos – assinalasse”: única que respeita a correlação temporal adequada; ambas no passado, como exige o contexto.

Orientação prática: Sempre observe o tempo verbal em orações principais e subordinadas, evitando misturas que tornem o sentido confuso. Pegadinhas frequentes envolvem justamente a mistura indevida de tempos.

Conclusão: A alternativa E (precisávamos – assinalasse) é a correta.

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Precisávamos----assinalasse

Letra -- e

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