Na opinião do autor, expressa no texto, a estratégia chinesa...
(OMC) em 2001 consolida a crescente abertura do país de maior
população do mundo. Tal fato foi marcado por vários anos de
difíceis negociações com os principais parceiros internacionais,
EUA e União Européia, com os quais teve que concluir prévios
acordos sobre as modalidades concretas da mútua abertura das
economias. Foi celebrada, portanto, mesmo que de maneira
superficial, como uma forma de triunfo final da economia de
mercado. Os pragmáticos chineses parecem nutrir a idéia básica
que permitiu no passado os êxitos do Japão e dos tigres asiáticos:
integrar-se ao mundo ainda dominado pelo Ocidente de maneira
dinâmica, mas prudente, negociada e não imposta, sem deixar-se
dominar.
Viktor Sukup. A China frente à globalização: desafios e oportunidades. In: Revista
Brasileira de Política Internacional. Brasília, ano 45, n.o 2, 2002, p. 82 (com adaptações).
Julgue os itens subseqüentes, com relação ao tema focalizado no
texto acima.
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Alternativa correta: C - certo
Tema central: A questão aborda a estratégia chinesa de inserção internacional e sua semelhança com a modernização japonesa durante a Era Meiji. É um tema essencial em Relações Internacionais, pois envolve paradigmas teóricos sobre desenvolvimento e integração ao sistema internacional.
Resumo teórico: No século XIX, o Japão iniciou profundas reformas (Era Meiji, 1868-1912), buscando modernizar sua economia, política e sociedade para evitar a dominação ocidental e garantir desenvolvimento autônomo. O país adotou práticas e tecnologias do Ocidente, mas sob controle nacional, mantendo sua soberania. Essa postura foi replicada, décadas depois, por outros países asiáticos, conhecidos como “tigres asiáticos”, e também inspira a estratégia chinesa contemporânea.
Justificativa da alternativa correta (“Certo”): O texto destaca que a China, ao aderir à OMC, buscou integrar-se de forma negociada, dinâmica e prudente, sem abrir mão do controle próprio. Exatamente como fez o Japão na Era Meiji: modernização autônoma, abertura seletiva e resistência à subordinação ao Ocidente. Essa análise é confirmada por diversos autores (como Amado Cervo e Clodoaldo Bueno em “História da Política Exterior do Brasil” e o próprio artigo citado na questão), que reconhecem o paralelismo entre as posturas chinesa e japonesa.
Estratégia para interpretação: Atenção ao uso de termos como “não-subalternidade” e “negociada”, sem deixar-se dominar. Essas expressões indicam claramente uma referência à autonomia e controle sobre o processo de abertura – chave para perceber o acerto da alternativa.
Resumo final: A alternativa “Certo” está correta porque reconhece, fundamentadamente, que a inserção internacional da China retoma o modelo japonês de integração com autonomia, evitando subordinação ao Ocidente.
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Comentários
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Gabarito: CERTO
Na opinião do autor, expressa no texto, a estratégia chinesa de inserção no mercado global lembra a experiência nipônica da segunda metade do século XIX. Com efeito, entre outros significados, a Era Meiji correspondeu à decisão japonesa de se modernizar como meio de se desenvolver pela via da não-subalternidade em relação ao Ocidente.
Esta afirmativa está corretíssima.
Em 1976, Deng Xiaoping assume o poder. São lançadas as Quatro Grandes Modernizações: indústria, agricultura, ciência e tecnologia e Forças Armadas e criadas as Zonas Econômicas Especiais para empresas estrangeiras.
GAB: CERTO
A Era Meiji, que começou em 1868 com a Restauração Meiji, foi um período em que o Japão passou por uma rápida modernização e industrialização. A liderança japonesa decidiu adotar muitas práticas ocidentais em termos de tecnologia, organização militar, sistemas de educação, e outras áreas, com o objetivo de fortalecer o país e evitar a subjugação pelas potências ocidentais.
Da mesma forma, a estratégia chinesa de inserção no mercado global, especialmente desde as reformas econômicas iniciadas por Deng Xiaoping no final dos anos 1970, tem como objetivo modernizar o país e desenvolver sua economia, evitando a subalternidade em relação ao Ocidente. A China buscou integrar-se ao sistema econômico global, atraindo investimentos estrangeiros, adotando tecnologia avançada, e modernizando suas indústrias e infraestrutura, muito similar ao que o Japão fez durante a Era Meiji.
Portanto, a afirmação de que a estratégia chinesa lembra a experiência nipônica da Era Meiji é verdadeira, pois ambas refletem um esforço consciente de modernização e fortalecimento nacional para evitar a subalternidade em relação ao Ocidente.
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