O primeiro período do texto – A tolerância religiosa no Bras...
O perigo da intolerância religiosa
A tolerância religiosa no Brasil nunca foi pura e simplesmente uma medida imposta por decreto. É antes disso um aspecto cultural. Por um lado, foi preciso incluir na Constituição artigo resguardando a liberdade de culto e proteção contra a discriminação, porque tais garantias não seriam naturais; por outro, a convivência entre credos distintos foi facilitada pela formação do povo. A miscigenação e a intimidade entre a casagrande e a senzala resultaram em mecanismos de acomodação, como o sincretismo que uniu religiões aparentemente tão diferentes quanto o catolicismo e o candomblé.
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Tema central: Interpretação de Texto – distinção entre fato e opinião
O foco desta questão é avaliar se você consegue identificar a opinião expressa pelo autor no primeiro período do texto: “A tolerância religiosa no Brasil nunca foi pura e simplesmente uma medida imposta por decreto.” Trata-se de conteúdo central em provas de textos dissertativos, pois o candidato precisa diferenciar informação objetiva (fato) de avaliação subjetiva (opinião).
Regra essencial: Fato é uma informação comprovável, objetiva. Opinião é um juízo de valor, sustentado por crença, interpretação ou análise pessoal, e não pode ser verificado por evidência concreta. Nas palavras de Celso Cunha e Lindley Cintra, “A opinião expressa sempre um ponto de vista, marcado, muitas vezes, por expressões subjetivas ou avaliativas.”
Comentário da alternativa correta – D:
"A história brasileira criou condições para a tolerância religiosa." Esta alternativa está em total sintonia com a opinião do autor, que atribui a tolerância religiosa no Brasil a aspectos culturais e à formação histórica do nosso povo (miscigenação, sincretismo). A resposta compreende o implícito do texto: as leis existem, mas a raiz da tolerância é histórica e cultural, não meramente legal. Fica evidente que o autor valoriza o contexto histórico como fator determinante, e não a simples imposição por lei.
Análise das alternativas incorretas:
A) As leis brasileiras possuem pouca força. – Errada: o texto não faz juízo sobre a força ou fraqueza das leis brasileiras.
B) Fatores estranhos impediram a tolerância religiosa no Brasil. – Errada: ao contrário, fala-se da facilitação da convivência, não de impedimento.
C) A tolerância religiosa foi instaurada entre nós por força de lei. – Errada: afirmação oposta à ideia do autor, pois ele nega que a tolerância se deva somente à lei.
E) O povo brasileiro se viu legalmente obrigado à tolerância. – Errada: assim como a anterior, contraria a tese do texto.
Estratégia para a prova: Sempre procure identificar a ideia central do trecho e o uso de palavras que indicam avaliação ou posicionamento do autor (nunca, sempre, pura e simplesmente). Questões de interpretação textual costumam trazer "pegadinhas" em que uma única palavra altera totalmente o sentido da alternativa; atente-se a expressões que generalizam ou negam o que o texto realmente diz.
Referências: Moderna Gramática Portuguesa (Bechara), Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha & Cintra).
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Comentários
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Ainda bem que pede a resposta com base na opinião do autor... Qualquer brasileiro sabe que religiões de matrizes africanas são nem um pouco toleradas nesse país de racismo velado e comandado por bancada evangélica
A tolerância religiosa no Brasil nunca foi pura e simplesmente uma medida imposta por decreto. É antes disso um aspecto cultural.
A miscigenação e a intimidade entre a casagrande e a senzala resultaram em mecanismos de acomodação
Gabarito D.
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