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Q2722931 Português

Atenção: Considere o texto abaixo para responder às questões de números 1 a 11.


Diminuto feito grão de poeira, mera mancha de caneta, migalha no teclado, o ponto final é o sumo magistrado de nossos sistemas de escrita, ainda à espera de ser cantado em verso. Sem ele, não haveria fim para o sofrimento do jovem Werther e as viagens do hobbit jamais se completariam. Sua presença permitiu que Henri Michaux comparasse nossa essência a “um ponto que a morte devora”.

Ele coroa o pensamento que se completa, propicia a quimera de uma conclusão e guarda certa altivez que, como a de Napoleão, provém de seu tamanho minúsculo. Ansiosos por seguir em frente, não precisamos de nada que assinale o início, mas precisamos saber onde parar: esse pequeno memento mori, “lembrança da morte”, faz recordar que para tudo há de ter um fim, inclusive para nós mesmos. Como um professor sugeriu, um ponto final é “sinal de um sentido que se perfaz e de uma frase perfeita”.

A necessidade de indicar o fim de uma frase escrita é talvez tão velha quanto a própria escrita, mas a solução, sucinta e prodigiosa, não se estabeleceu até o Renascimento italiano. Por séculos, a pontuação fora assunto irremediavelmente errático.

Já no século I d.C., Quintiliano propunha que a frase além de expressar uma ideia completa devia ainda ser pronunciada de um só fôlego. Por muito tempo os escribas pontuaram os textos com todo o tipo de sinais e símbolos, de um simples espaço em branco a toda uma variedade de pontos e barras.

No começo do século 5 d. C., São Jerônimo, tradutor da Bíblia, concebeu um sistema que assinalava cada unidade de sentido por meio de uma letra que avançava para fora da margem, como indicando um novo parágrafo.

Três séculos mais tarde, o “ponto” era usado para indicar tanto uma pausa no interior da frase como o fim da frase propriamente dito. Valendo-se de convenções tão confusas assim, os escritores não tinham como esperar que o público lesse determinado texto conforme as intenções do autor.

Então, no ano de 1556, Aldo Manuzio, o Jovem, em seu manual de pontuação, Interpungendi ratio, caracterizou pela primeira vez a função e o aspecto definitivo do ponto final. Queria escrever um manual para tipógrafos; não tinha como saber que legava a nós as dádivas de sentido e música de toda a literatura por vir.


(Adaptado de: MANGUEL, A. “Ponto final”, Serrote, jul. 2012)

O sentido de uma expressão do texto é recuperado corretamente pelo que está entre parênteses em:

Alternativas

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Tema central: Esta questão avalia sua capacidade de interpretar o significado de expressões no contexto do texto, utilizando semântica — o estudo do sentido das palavras e frases. É uma habilidade essencial em concursos públicos, já que exige leitura atenta e domínio do vocabulário.

Análise da alternativa correta – Letra A:

“Sucinta e prodigiosa” corresponde a “breve e maravilhosa”. Sucinta significa algo resumido, conciso, sem excessos — isto é, breve. Prodigiosa quer dizer algo extraordinário ou admirável — maravilhosa. O próprio contexto do texto sugere admiração pela “solução, sucinta e prodigiosa”, referindo-se ao ponto final como uma invenção admirável pela sua simplicidade.
Assim, a equivalência é precisa. Essa relação está de acordo com as definições dos principais dicionários e o entendimento normativo sobre sinonímia.

Por que as outras alternativas estão erradas:

B) “Irremediavelmente errático” (incontestavelmente errado)
Errático significa irregular, sem direção definida – não errado. “Irremediavelmente” é “sem conserto”. Portanto, a expressão quer dizer “irregular de modo irreparável”, e não “errado sem contestação”.

C) “Um sentido que se perfaz” (uma noção indefectiva)
“Se perfaz” = se completa, se realiza plenamente. “Noção indefectiva” (que não falha) não corresponde exatamente ao sentido de completude indicado por “que se perfaz”.

D) “Dádivas de sentido” (presentes norteadores)
“Dádivas” são presentes; mas “de sentido” tem relação com significado, não direção ou orientação, como sugere “norteadores”. A equivalência não é perfeita.

E) “Valendo-se de convenções” (Portando-se convenientemente)
“Valendo-se de” é o mesmo que usando, aproveitando, utilizando. “Portando-se convenientemente” traduz ação ligada ao comportamento, o que não se aplica.

Estratégia para provas:
Sempre busque o sentido preciso das expressões, usando o contexto do texto e o significado real das palavras. Muitas vezes, as alternativas erradas se baseiam em uma falsa sinonímia ou em leve mudança de sentido.

Referências: Consulte sempre autores como Bechara e Cunha & Cintra para confirmar significados e sentidos contextuais, como recomenda a gramática normativa.

Gabarito: A

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