Em infecções fúngicas bucais, como a candidíase, certos gru...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: controle de candidíase bucal (infecção por Candida spp.) em grupos de risco com recidivas. Exige abordagem multifatorial: confirmação diagnóstica quando necessário, antifúngicos adequados e correção de fatores predisponentes (imunossupressão, prótese mal adaptada, xerostomia, uso de corticoide inalatório, diabetes).
Alternativa correta: A — Está alinhada às recomendações da IDSA e do UpToDate para candidíase orofaríngea:
- Investigação e manejo de fatores predisponentes: avaliar imunodeficiências (HIV, quimioterapia, uso de imunossupressores), controle glicêmico, higiene e adaptação de próteses, xerostomia e uso de antibióticos prévios. Sem isso, a recidiva é comum.
- Terapia antifúngica: tópica (ex.: nistatina suspensão, clotrimazol) para casos leves; fluconazol sistêmico para casos moderados/graves, recidivantes ou imunossuprimidos.
- Exame histopatológico quando houver lesões hiperplásicas não removíveis (suspeita de candidíase crônica hiperplásica/leucoplasia), pela associação com displasia/carcinoma.
Dicas diagnósticas:
- Pseudomembranosa: placas brancas removíveis;
- Eritematosa: dor/queimação com mucosa avermelhada;
- Estomatite protética: eritema sob a prótese;
- Angular (queilite): fissuras nos comissuros. Em dúvida, fazer citologia, cultura ou biópsia nas lesões não removíveis.
Por que as outras estão erradas?
- B — “Antibioticoterapia de amplo espectro por tempo ilimitado”: conceito inverso. Antibiótico não trata fungo e ainda favorece candidíase por disbiose. Aumenta resistência e risco de colite por C. difficile. Contraria princípios de antimicrobial stewardship (IDSA/OMS).
- C — “Reduzir o fluxo salivar”: saliva tem defesas antifúngicas (IgA, lactoferrina, histatinas). Xerostomia e pH ácido aumentam risco de Candida. Deve-se estimular saliva e higiene, não o oposto.
- D — “Remover esmalte”: Candida coloniza mucosa e próteses, não o esmalte dental. Remoção de esmalte é iatrogênica e sem benefício.
Condutas práticas (hospital/ambulatório):
- Higienizar e desinfetar próteses (imersão noturna; soluções apropriadas), ajustar prótese e retirá-la para dormir.
- Tratar com nistatina/clotrimazol; considerar fluconazol 7–14 dias em recidivas/imunossuprimidos.
- Investigar HIV, diabetes, uso de corticoide inalatório e orientar enxágue após inalação.
- Abordar xerostomia: hidratação, sialogogos quando indicados.
Referências: IDSA Clinical Practice Guideline for Candidiasis (2016, atualizações); UpToDate – Oropharyngeal candidiasis in adults (acesso 2024); Ministério da Saúde – Protocolos de manejo de estomatites e imunossuprimidos.
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo