Um homem de 50 anos com história de ibrilação atrial (FA) c...

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Ano: 2013 Banca: NCE-UFRJ Órgão: UFRJ Prova: NCE-UFRJ - 2013 - UFRJ - Médico cardiologista |
Q2951520 Medicina
Um homem de 50 anos com história de ibrilação atrial (FA) crônica, sem outras comorbidades, foi submetido a uma ablação percutânea por radiofrequência da arritmia há cerca de 4 meses. O procedimento foi realizado com sucesso, não havendo recidiva clinicamente manifesta da FA desde então. Há cerca de 3 meses, o paciente vem apresentando dispneia progressiva, edema de membros inferiores e aumento do volume abdominal. Atualmente, encontra-se com dispneia em repouso. Nega febre ou dor torácica durante todo período. Ao exame: lúcido, orientado, taquidispneico em ar ambiente, corado, peristalse presente, ascite, anictérico, afebril. Frequência cardíaca: 96 bpm, PA: 110x60 mmHg. Murmúrio vesicular reduzido nas bases, com crepitação bilateral até nos 2/3 inferiores. Ictus do ventrículo esquerdo impalpável, ictus do ventrículo direito (VD) e choque valvar em foco pulmonar palpáveis. Ritmo cardíaco regular, em 3 tempos (B3 de VD), bulhas normofonéticas, P2>A2, sopro sistólico 3+/6+ em borda esternal esquerda que aumenta com a inspiração, turgência jugular patológica a 90º, com pressão venosa central de 16 cmH20 e onda “v” gigante no pulso venoso. Abdome: peristalse presente, ascite e, com pulsação hepática palpável, hepatimetria de 15 cm, espaço de Traube timpânico. Membros inferiores com edema bilateral 3+/4+, simétrico, frio, indolor, com cacifo, pulsos pediosos palpáveis. Eletrocardiograma: ritmo sinusal, sobrecarga de átrio e ventrículo direito. Radiograia de tórax: Aumento da área cardíaca, à custa de cavidades direitas. Inversão da trama vascular bilateralmente sugestiva de congestão pulmonar. Derrame pleural bilateral. Mediante o quadro apresentado acima, o diagnóstico mais provável e o exame mais indicado para conirmá-lo são:
Alternativas

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Tema central: O enunciado aborda uma importante complicação pós-ablação da fibrilação atrial (FA): a estenose das veias pulmonares. É essencial reconhecer esse diagnóstico em pacientes com sintomas de insuficiência cardíaca direita após tal procedimento.

Justificativa da alternativa correta (A):

O paciente apresenta dispneia progressiva, edema, ascite e sinais claros de congestão sistêmica (turgência jugular em 90º, hepatomegalia pulsátil, B3 de VD, sopro sistólico à direita). Após ablação da FA, a ocorrência de estenose das veias pulmonares pode levar à elevação da pressão venosa pulmonar, evolução para hipertensão pulmonar e insuficiência cardíaca direita.

Segundo as Diretrizes Brasileiras de Fibrilação Atrial, “A estenose das veias pulmonares é uma complicação associada à ablação da FA... Sua incidência caiu significativamente, variando atualmente entre 0,5-2%.” (Seção: Complicações no pós-ablação)

O exame mais indicado para confirmar estenose de veias pulmonares é a ressonância magnética cardíaca, que permite avaliação anatômica precisa e não invasiva das veias pulmonares.

Análise das alternativas incorretas:

B) Infarto agudo do miocárdio: Não há relato de dor torácica, alterações isquêmicas no ECG ou fatores clínicos sugestivos, e o quadro evolui de forma subaguda.

C) Tromboembolismo pulmonar: Embora cause dispneia, geralmente ocorre de início súbito, podendo vir acompanhada de dor torácica ou hemoptise. O quadro clínico apresentado é insidioso e não há fatores de risco claros.

D) Dissecção aórtica: Faltam sintomas centrais como dor torácica aguda e diferença de pulsos, sendo pouco provável diante dos achados físicos descritos.

E) Miocardite viral: Espera-se antecedentes infecciosos recentes, evolução mista de insuficiência cardíaca e sinais de inflamação, não encontrados no caso.

Estratégia para provas: Ao ler enunciados extensos, busque por associações epidemiológicas (procedimento prévio, tempo de instalação dos sintomas) e destaque complicações potenciais relacionadas ao procedimento descrito. Fique atento para sintomas ou sinais específicos de insuficiência cardíaca direita sem evidência de causas isquêmicas ou infecciosas recentes.

Resumindo: Estenose de veias pulmonares é a complicação mais provável. Ressonância magnética cardíaca é o exame de escolha para confirmar esse diagnóstico.

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