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Q53135 Português
É melhor ser alegre que ser triste, já dizia Vinicius de
Moraes. Sem dúvida. O poeta ia mais longe, entoando em rima
e em prosa que tristeza não tem fim. Já a felicidade, sim. Até
hoje, muita gente chora ao ouvir esses versos porque eles
tocam num ponto nevrálgico da vida humana: os sentimentos. E
quando tais sentimentos provocam algum tipo de dor, fica difícil
esquecer - e ainda mais suportar. A tristeza, uma das piores
sensações da nossa existência, funciona mais ou menos assim:
parece bonita apenas nas músicas. Na vida real, ninguém gosta
dela, ninguém a quer.
Tristeza é um sentimento que responde a estímulos
internos, como recordações, memórias, vivências; ou externos,
como a perda de um emprego ou de um amor. Não se trata de
uma emoção, que é uma resposta imediata a um estímulo. No
caso da tristeza, nosso organismo elabora e amadurece a
emoção, antes de manifestá-la. É uma resposta natural a
situações de perda ou de frustrações, em que são liberados
hormônios cerebrais responsáveis por angústia, melancolia ou
coração apertado.
"A tristeza é uma resposta que faz parte de nossa forma
de ser e de estar no mundo. Passamos o dia flutuando entre
pólos de alegria e infelicidade", afirma o médico psiquiatra
Ricardo Moreno. Se passamos o dia entre esses pólos de
flutuação, é bom não levar tão a sério os comerciais de
margarina em que a família é linda, perfeita, alegre e até os
cachorros parecem sorrir o tempo inteiro. Vivemos uma época
em que a felicidade constante é praticamente um dever de
todos. É fato: ser feliz o tempo todo está virando uma obrigação
a ponto de causar angústia.
Especialistas, no entanto, afirmam que estar infeliz é
mais do que natural, é necessário à condição humana. A
tristeza é um dos raros momentos que nos permite reflexão,
uma volta para nós mesmos, uma possibilidade de nos conhecermos
melhor. De saber o que queremos, do que gostamos. E
somente com essa clareza de dados é que podemos buscar
atividades que nos dão prazer, isto é, que nos fazem felizes.
Assim como a dor e o medo, a tristeza nos ajuda a sobreviver.
Sim, porque se não sentíssemos medo, poderíamos nos atirar
de um penhasco. E se não tivéssemos dor, como o organismo
poderia nos avisar de que algo não vai bem?

(Adaptado de Mariana Sgarioni, Emoção & Inteligência, Superinteressante,
p. 18-20)

Identifica-se a idéia principal do texto em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Em questão de ideia principal, deve-se identificar a síntese da tese reiterada no texto, sem privilegiar exemplos acessórios nem acrescentar informação alheia. O trecho decisivo afirma que a tristeza é “uma resposta natural a situações de perda ou de frustrações” e que “estar infeliz é mais do que natural, é necessário à condição humana”; por isso, a alternativa correta é a que condensa essa naturalidade e necessidade da tristeza.

Tema central: naturalidade e necessidade da tristeza
Análise das alternativas
A
Errada
A alternativa erra por extrapolação interpretativa. O texto não afirma que poetas sejam incapazes de perceber momentos felizes nem constrói uma tese sobre poetas. A referência a Vinicius de Moraes funciona apenas como abertura temática, não como fundamento da ideia principal.
B
Errada
A alternativa contraria a orientação argumentativa do texto. A publicidade é mencionada como exemplo de idealização artificial da felicidade, e o texto critica justamente a pressão de parecer feliz o tempo todo: “ser feliz o tempo todo está virando uma obrigação a ponto de causar angústia.” Portanto, não se afirma que a felicidade corresponda a uma forma ideal de vida.
C
Certa
A alternativa C condensa com fidelidade o desenvolvimento argumentativo do texto. Ela retoma dois pontos decisivos expressamente afirmados: a tristeza como reação natural a perdas e frustrações e sua vinculação necessária à condição humana. Isso corresponde ao núcleo semântico reiterado no texto, inclusive quando se afirma que a tristeza permite reflexão e ajuda a sobreviver.
D
Errada
A alternativa monta uma tese que o texto não formula. Não há afirmação de que tristeza e felicidade sejam sentimentos permanentes, nem de que sejam temas preferidos de poetas e músicos, nem relação causal entre isso e o uso publicitário. Trata-se de generalização com concatenação indevida de elementos dispersos do texto.
E
Errada
A alternativa diz o oposto do texto. O autor não defende que todos devam buscar alegria constante; ao contrário, critica a exigência social de felicidade permanente e sustenta que a tristeza e a infelicidade são naturais e necessárias à condição humana.
Pegadinha da questão
A banca desloca a atenção do leitor para elementos acessórios — a abertura com Vinicius de Moraes e a referência à publicidade — para ver se ele confunde exemplo e introdução com a tese central, que é a naturalidade e a necessidade da tristeza.
Dica para questões semelhantes
  • Quando o comando pedir ideia principal, procure a tese reiterada ao longo do texto, não a frase de abertura nem os exemplos ilustrativos.
  • Elimine alternativas que acrescentam relações causais, generalizações ou juízos que o texto não formula expressamente.
  • Se o texto apresenta um exemplo para criticar um comportamento social, não transforme esse exemplo na posição defendida pelo autor.

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Comentários

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Resposta letra C consubstanciada em trechos como:

Tristeza é um sentimento que responde a estímulos internos, como recordações, memórias, vivências; ou externos, como a perda de um emprego ou de um amor. Não se trata de uma emoção, que é uma resposta imediata a um estímulo. No caso da tristeza, nosso organismo elabora e amadurece a
emoção, antes de manifestá-la. É uma resposta natural a situações de perda ou de frustrações, em que são liberados hormônios cerebrais responsáveis por angústia, melancolia ou coração apertado."



"Especialistas, no entanto, afirmam que estar infeliz é mais do que natural, é necessário à condição humana. A tristeza é um dos raros momentos que nos permite reflexão, uma volta para nós mesmos, uma possibilidade de nos conhecermos melhor. De saber o que queremos, do que gostamos."

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