Uma enfermeira que atua em uma unidade de internação geriát...

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Q3991190 Enfermagem
Uma enfermeira que atua em uma unidade de internação geriátrica acompanha um idoso de 78 anos com diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva em estágio avançado, demência moderada e síndrome de fragilidade. A família relata dificuldade em compreender o prognóstico e questiona sobre a continuidade de procedimentos invasivos. A equipe multiprofissional discute a implementação de cuidados paliativos para o paciente. Analise as proposições a seguir:

I. Os cuidados paliativos não se restringem à fase de terminalidade, podendo ser introduzidos desde o diagnóstico de doenças graves e ameaçadoras da vida, com o objetivo de prevenir e aliviar o sofrimento físico, psíquico, social e espiritual do paciente e de sua família, sem antecipar nem prolongar artificialmente o processo de morrer.
II. A Síndrome de Fragilidade no idoso é condição clínica irreversível que independe de intervenção de enfermagem, sendo sua identificação relevante apenas para fins de registro em prontuário, sem implicar mudanças no planejamento assistencial ou na adoção de medidas preventivas de agravos.
III. O enfermeiro possui atribuição de realizar a Avaliação Multidimensional do Idoso, instrumento que contempla capacidade funcional, cognição, estado nutricional, condições sociais e risco de quedas, sendo essa avaliação fundamental para o planejamento individualizado do cuidado e para a identificação de necessidades específicas do processo de envelhecimento.
IV. A comunicação de más notícias ao paciente e à família é responsabilidade exclusiva do médico, não cabendo ao enfermeiro qualquer participação no suporte informativo, no acolhimento emocional ou na mediação de conflitos relacionados à compreensão do prognóstico e das decisões terapêuticas no contexto dos cuidados paliativos. 
V. A diretriz antecipada de vontade, também denominada testamento vital, é instrumento que expressa os desejos do paciente quanto aos cuidados e tratamentos que deseja ou não receber em situações de incapacidade de manifestar sua vontade, devendo ser respeitada pela equipe de saúde, conforme a Resolução CFM nº 1.995/2012.

Está correto o que se afirma em:
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério que resolve a questão é distinguir princípios reais dos cuidados paliativos e da enfermagem geriátrica de afirmações absolutas falsas. No cenário de idoso com insuficiência cardíaca avançada, demência, fragilidade, dificuldade familiar com o prognóstico e discussão multiprofissional sobre procedimentos invasivos, são verdadeiras as proposições que reconhecem cuidados paliativos precoces, avaliação multidimensional pelo enfermeiro e diretiva antecipada de vontade; são falsas as que tratam a fragilidade como mero registro sem impacto assistencial e a comunicação como ato exclusivo do médico.

Tema central: Cuidados paliativos geriátricos
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque inclui II e IV como verdadeiras. A II é falsa: a síndrome de fragilidade não é apenas condição para registro, mas marcador de vulnerabilidade com repercussão prática no planejamento assistencial, na prevenção de agravos, na funcionalidade, na nutrição, na mobilidade, no risco de quedas e nas transições de cuidado. A IV também é falsa: em cuidados paliativos, comunicação, acolhimento e suporte à família são atribuições multiprofissionais; o enfermeiro participa ativamente da escuta, do esclarecimento compatível com sua competência, da identificação de sofrimento e da mediação junto à equipe.
B
Errada
Está errada porque considera corretas II, IV e V, quando II e IV são falsas. Além disso, exclui I e III, que são verdadeiras. O erro central é aceitar duas afirmações absolutas incompatíveis com a prática assistencial: a de que fragilidade não muda conduta e a de que comunicação em cuidados paliativos seria exclusiva do médico.
C
Errada
Está errada porque inclui II como correta. A identificação da fragilidade tem relevância clínica e assistencial concreta, não sendo um dado burocrático sem consequência. Ela orienta ajuste do plano de cuidados e medidas preventivas de agravos, o que elimina essa combinação.
D
Certa
A alternativa D é a correta porque reúne exatamente I, III e V. A proposição I está correta ao afirmar que cuidados paliativos não se limitam à terminalidade e têm como finalidade prevenir e aliviar sofrimento físico, psíquico, social e espiritual, sem antecipar nem prolongar artificialmente o morrer. A III está correta porque a avaliação multidimensional do idoso, com análise de funcionalidade, cognição, nutrição, contexto social e riscos geriátricos, fundamenta o plano assistencial individualizado e integra a prática do enfermeiro. A V também está correta porque a diretiva antecipada de vontade expressa previamente os desejos do paciente sobre cuidados e tratamentos em futura incapacidade decisional, com apoio normativo da Resolução CFM nº 1.995/2012.
E
Errada
Está errada por dois motivos objetivos: inclui II, que é falsa, e exclui V, que é verdadeira. A fragilidade exige modificação do planejamento de enfermagem e prevenção de desfechos adversos; já a diretiva antecipada de vontade é instrumento válido para orientar a equipe quando o paciente não puder manifestar sua vontade.
Pegadinha da questão
A banca explorou frases categóricas como 'independe de intervenção', 'apenas para registro' e 'responsabilidade exclusiva', que falseiam o papel clínico da fragilidade e o caráter multiprofissional da comunicação em cuidados paliativos.
Dica para questões semelhantes
  • Em cuidados paliativos, marque como corretas as afirmações que reconhecem início precoce, alívio integral do sofrimento e participação da família.
  • Em geriatria, fragilidade nunca deve ser lida como rótulo sem efeito assistencial; sua identificação modifica prevenção, vigilância e planejamento do cuidado.
  • Quando a questão tratar da avaliação multidimensional do idoso, procure itens que vinculem funcionalidade, cognição, nutrição, contexto social e riscos geriátricos ao plano individualizado.
  • Desconfie de alternativas que excluem o enfermeiro da comunicação, do acolhimento ou do suporte informativo em contexto multiprofissional.

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