No trecho “...qualquer reencontro retoma a relação no exato...

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Q2039315 Português
AFINIDADE

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem a todo e qualquer tempo. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando realmente há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação no exato ponto em que foi interrompido.
Retoma também o diálogo, a conversa, o afeto.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
É muito raro ter afinidade.
Mas quando existe não se precisa de códigos verbais para se expressar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
Afinidade é jamais "sentir por".
Quem "sente por", confunde afinidade com masoquismo,
mas quem "sente com", avalia sem se contaminar.
(...)
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retornar à relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas ou tiradas pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

Do livro: "Alguém que já não fui" Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros - Adaptado

Fonte: https://www.contandohistorias.com.br/cgi-bin/ch.cgi
No trecho “...qualquer reencontro retoma a relação no exato ponto em que foi interrompido”, a forma verbal RETOMA é classificada, quanto à regência, como:
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Tema central: Regência verbal – Classificação da transitividade do verbo "retomar"

A questão exige identificar como o verbo retoma se comporta em relação ao seu complemento na oração "qualquer reencontro retoma a relação no exato ponto em que foi interrompido".

Explicação da norma-padrão:

Pela Gramática Normativa (Celso Cunha & Lindley Cintra, Rocha Lima), regência verbal trata de como um verbo se articula a outros termos da oração pelo sentido e necessidade de complemento. Os verbos podem ser intransitivos, transitivos diretos, transitivos indiretos, bitransitivos ou de ligação.

Regra aplicada: O verbo retomar significa "tomar de novo", "reassumir". Ele é classificado como transitivo direto, pois exige complemento sem preposição.

Exemplo do próprio texto:
"Retoma a relação...". O verbo retoma liga-se diretamente ao complemento “a relação”, sem uso de preposição. Logo, trata-se de transitividade direta.

Justificativa da alternativa C (CORRETA): O verbo "retomar" pede um objeto direto (“a relação”). Assim, é um verbo transitivo direto.

Análise das incorretas:

  • A) Intransitivo: Incorreto. Verbos intransitivos não exigem complemento – não é o caso de “retomar”.
  • B) Bitransitivo: Errado. O verbo bitransitivo exige dois complementos, direto e indireto (exemplo: “entregou o documento ao chefe”); “retomar” exige apenas um, direto.
  • D) Transitivo indireto: Errado. Aqui seria necessário preposição (“retoma à relação”), o que não ocorre.
  • E) Verbo de ligação: Incorreto. Verbos de ligação apenas unem o sujeito ao predicativo do sujeito e indicam estado (ser, estar, ficar…). “Retomar” expressa ação.

Dica estratégica: Ao analisar verbos, verifique se há objeto direto (sem preposição) ou indireto (com preposição). Desconfie de verbos de ação sendo classificados como de ligação: geralmente são diferentes!

Referência: Gramática da Língua Portuguesa (Cunha & Cintra); Dicionário Infopédia – verbo “retomar” (transitivo direto).

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Complementando !

Verbos transitivos diretos (VTD) são os verbos que precisam de um complemento para fazer sentido. Esse complemento, chamado de objeto direto, se liga ao verbo sem preposição obrigatória:

Ex: o Concurseiro ama o português da FGV

Verbo transitivo direto "ama"

Objeto direto "o português da FGV "

Gab: C

Quem retoma, retoma algo.

Retoma a relação no exato ponto em que foi interrompido.

O verbo "retomar" tem como complemento verbal um objeto direto, ou seja, ele, o verbo, se comporta como transitivo direto.

Letra C

Obs.: há que se evitar o uso do termo "bitransitivo", pelo simples fato de que um verbo não pode ter, ao mesmo tempo, duas transitividades. Use "transitivo direto e indireto". Eis a recomendação do maior estudioso de regência no Brasil: Celso Pedro Luft.

VERBO TRANSITIVO PREPOSICIONADO

Retoma o quê? a relação no exato ponto em que foi interrompido.

Nesse caso é um verbo transitivo direto, porque quem remota, remota alguma coisa.

Gabarito C

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