“É muito raro ter afinidade.” A oração destacada, sintatica...

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Q2039308 Português
AFINIDADE

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem a todo e qualquer tempo. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente. Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando realmente há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação no exato ponto em que foi interrompido.
Retoma também o diálogo, a conversa, o afeto.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real. Do subjetivo para o objetivo. Do permanente sobre o passageiro. Do básico sobre o superficial.
É muito raro ter afinidade.
Mas quando existe não se precisa de códigos verbais para se expressar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
Afinidade é jamais "sentir por".
Quem "sente por", confunde afinidade com masoquismo,
mas quem "sente com", avalia sem se contaminar.
(...)
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retornar à relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas ou tiradas pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob a forma ampliada do eu individual aprimorado.

Do livro: "Alguém que já não fui" Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros - Adaptado

Fonte: https://www.contandohistorias.com.br/cgi-bin/ch.cgi

“É muito raro ter afinidade.”


A oração destacada, sintaticamente, exerce função de:

Alternativas

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Tema central da questão: Função sintática de oração subordinada substantiva subjetiva

O ponto principal da questão é identificar a função sintática da oração destacada "ter afinidade" na frase "É muito raro ter afinidade."

Pela norma-padrão, uma oração subordinada substantiva subjetiva exerce a função de sujeito do verbo da oração principal. O sujeito oracional ocorre quando o sujeito é uma ação: típicos exemplos são frases com "é necessário estudar" ou "é proibido fumar", em que "estudar" e "fumar" são os sujeitos dos verbos "é".

Análise da estrutura:

Oração principal: "É muito raro"

Oração subordinada: "ter afinidade"

A pergunta essencial é: O que é muito raro? A resposta está na ação: "ter afinidade". Portanto, "ter afinidade" é o sujeito da oração.

Autores como Evanildo Bechara (em "Lições de Português pela Análise Sintática") ensinam que em frases desse tipo, a oração reduzida de infinitivo é o sujeito oracional, e o verbo da principal surge na 3ª pessoa do singular (é).

Justificativa da alternativa correta:
A) sujeito da oração principal. (Correta) A oração "ter afinidade" responde à pergunta "O que é raro?" e exerce função de sujeito oracional.

Análise das alternativas incorretas:

B) predicativo: Incorreta. A expressão "muito raro" caracteriza o sujeito "ter afinidade", logo é predicativo, não sujeito.

C) objeto direto: Incorreta. A oração principal não possui verbo transitivo direto que exija objeto.

D) complemento nominal: Incorreta. O complemento nominal completa o sentido de subsantivos, adjetivos ou advérbios, o que não ocorre.

E) objeto indireto: Incorreta. Não há verbo ou nome que exija preposição para essa relação.

Estratégia para concursos: Sempre pergunte o que caracteriza, indica, define ou age sobre o verbo da oração principal – se a resposta for uma ação expressa por outra oração, esse é um sujeito oracional ou oração subordinada substantiva subjetiva.

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GABARITO: A

sujeito da oração principal.

“É muito raro ter afinidade.”

Dissecando:

É → verbo copulativo ou de ligação

Raro → predicativo do sujeito

Muito → adjunto adverbial

Ter afinidade → sujeito oracional

O segmento "ter afinidade" é uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo. Se a desenvolvêssemos, dar-se-ia nestes termos:

"É muito raro que se tenha afinidade."

Aclaram-se mais as relações sintáticas quando desenvolvemos as orações reduzidas.

Letra A

"É muito raro ter afinidade" ............ É muito raro ISSO.

ISSO é muito raro.

Isso= sujeito

é= verbo de ligação

muito= adjunto adverbial

raro= predicativo do sujeito

"É muito raro ter afinidade" ............ É muito raro ISSO.

ISSO é muito raro.

Isso= sujeito

é= verbo de ligação

muito= adjunto adverbial

raro= predicativo do sujeito

A ordem correta da frase é "Ter afinidade é muito raro"

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