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Q4195012 Medicina
Paciente de 34 anos, feminina, branca, tabagista, com 1,62 metro de altura e 84 kg, chega ao consultório queixando-se de diminuição da visão em OE, dor retro-orbitária e diplopia esporádica há 3 semanas. Queixa-se também de fadiga excessiva no final do dia. Refere estar tomando escitalopram VO há 3 meses e fazendo tratamento para incontinência urinária.
Seu exame oftalmológico mostrou: Refração sob cicloplegia: OD +0.25 D.E. = 20/20 OE +0.50 D.E. = 20/60 Biomicroscopia: Sem alterações AO. Tonometria de aplanação: 15 mmHg AO (11:00 hs) Mapeamento de retina: OD sem alterações. OE hiperemia e discreto edema de papila.
A principal hipótese diagnóstica para esse caso é:
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Gabarito: E

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é o padrão de neurite óptica típica: mulher jovem com perda visual monocular subaguda, dor retro-orbitária, refração que não explica a baixa visual e discreto edema de papila. Esse conjunto é classicamente compatível com neurite óptica desmielinizante, cuja principal associação etiológica em prova é esclerose múltipla.

Tema central: Neurite óptica desmielinizante
Análise das alternativas
A
Errada
Neuropatia óptica isquêmica anterior arterítica é incompatível com o perfil central do caso: costuma ocorrer em idosos, em contexto de arterite de células gigantes, com perda visual súbita importante. Aqui há mulher jovem com quadro subagudo e doloroso, o que favorece neurite óptica e afasta AION arterítica.
B
Errada
Neuropatia tabaco-álcool é tipicamente tóxico-nutricional, bilateral, insidiosa e pouco dolorosa, com padrão central/cecocentral e palidez temporal, não edema unilateral doloroso. O tabagismo foi usado como distrator, mas o padrão clínico ocular não corresponde a essa neuropatia.
C
Errada
Doença de Graves pode cursar com diplopia por orbitopatia, mas o quadro esperado inclui sinais orbitários, como retração palpebral, proptose e restrição muscular. Isso não explica adequadamente a perda visual monocular subaguda dolorosa com discreto edema de papila, que é muito mais compatível com neurite óptica desmielinizante.
D
Errada
Metástase tumoral no nervo óptico é hipótese muito menos provável neste cenário, porque falta contexto neoplásico e faltam achados mais sugestivos de processo compressivo ou infiltrativo. Em mulher jovem com esse padrão clínico, a probabilidade diagnóstica favorece fortemente neurite óptica típica.
E
Certa
A alternativa E está correta porque o quadro descrito é o fenótipo clássico de neurite óptica desmielinizante: mulher de 34 anos, baixa visual unilateral em semanas, dor retro-orbitária e papila discretamente edemaciada. A diplopia esporádica ainda reforça possibilidade de acometimento desmielinizante adicional em vias oculomotoras. Em questão de hipótese principal, esse padrão aponta para esclerose múltipla como associação mais típica.
Pegadinha da questão
A banca mistura tabagismo, diplopia e fadiga para desviar o raciocínio, mas o dado que domina o caso é a combinação de baixa visual unilateral subaguda com dor retro-orbitária e discreto edema de papila, típica de neurite óptica; além disso, edema de papila discreto não exclui neurite óptica.
Dica para questões semelhantes
  • Em mulher jovem com perda visual unilateral subaguda e dor retro-orbitária, pense primeiro em neurite óptica desmielinizante.
  • Não use edema discreto de papila para deslocar automaticamente o diagnóstico para neuropatia isquêmica ou infiltração tumoral.
  • Diplopia isolada não fecha Graves; ela precisa ser integrada ao restante do quadro ocular e neurológico.
  • Tabagismo isolado não sustenta neuropatia tabaco-álcool quando o caso é unilateral, doloroso e subagudo.

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