TEXTO II:É evidente que a desonestidade não é um fenômeno na...

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Ano: 2009 Banca: CONSULPLAN Órgão: Prefeitura de Guarapari - ES
Q1212395 Português
TEXTO II:
É evidente que a desonestidade não é um fenômeno nativo nem recente. Existe desde que os homens desenvolveram o conceito da honestidade e seu oposto se encontra em todas as culturas e línguas desde o início da civilização – inclusive nas leis e religiões que há tantos milênios visam a reprimi-la e puni-la.
É aí que fico fascinado com o que me parece ser uma das principais e mais urgentes questões da nossa vida pública: a impunidade. Pois, se é verdade que na vida real somos todos permanentemente tentados a cometer uma ou outra desonestidade, é também verdade que a grande maioria consegue resistir às tentações correspondentes por uma mistura de ensinamentos, princípios éticos ou religiosos e – certamente – receio de alguma punição. (...)
(Sobre esquimós e larápios, Roberto Civita, Veja, 31/12/08 – fragmento)
O objetivo do texto é:
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: O critério decisivo é identificar o objetivo do texto pela tese explicitamente enunciada pelo autor: “É aí que fico fascinado com o que me parece ser uma das principais e mais urgentes questões da nossa vida pública: a impunidade.” Como esse é o núcleo temático do fragmento, a alternativa correta é a que mais se aproxima desse foco central, isto é, a D.

Tema central: crítica à impunidade
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque contraria o texto em ponto literal: o fragmento afirma que a desonestidade “não é um fenômeno nativo nem recente”. Além disso, o objetivo do texto não é apresentar a impunidade como fenômeno recente, mas destacá-la como problema central da vida pública.
B
Errada
Está errada porque inverte o eixo valorativo do fragmento. O texto não critica a honestidade; ao contrário, trata a desonestidade como conduta reprimida por leis, religiões, princípios éticos e pelo receio de punição. A referência ao início da civilização serve para mostrar a antiguidade da desonestidade, não para atacar a honestidade.
C
Errada
Está errada porque mistura de modo inadequado o objetivo principal com um argumento de sustentação. O texto de fato critica ou problematiza a impunidade, mas a expressão “com receio de alguma punição” no fragmento explica por que a maioria resiste à desonestidade; ela não formula o objetivo global do texto. Há, portanto, confusão entre tese central e desenvolvimento argumentativo.
D
Certa
A alternativa D foi mantida porque, apesar da redação imprecisa, é a que mais se aproxima do objetivo global do fragmento: problematizar a impunidade no contexto da desonestidade. O texto não se limita a afirmar que a desonestidade existe há muito tempo; ele desloca o foco para a impunidade, apresentada expressamente como questão urgente da vida pública, e relaciona esse tema ao receio de punição como freio às desonestidades. Por isso, a marcação decorre de compatibilidade temática com a tese central, não de fidelidade literal da alternativa.
E
Errada
Está errada porque reduz o texto a uma informação inicial e secundária. A frase sobre a desonestidade não ser fenômeno nativo nem recente funciona como contextualização. O objetivo predominante do fragmento aparece depois, quando o autor explicita a impunidade como questão principal e urgente.
Pegadinha da questão
A banca explora a tendência de tomar a primeira frase como objetivo do texto e de confundir o tema de apoio, desonestidade, com o foco argumentativo central, impunidade; além disso, a alternativa oficial correta é mal redigida, o que obriga a escolher pela maior aproximação ao sentido global.
Dica para questões semelhantes
  • Em pergunta sobre objetivo do texto, localize a tese explicitamente enunciada pelo autor, não apenas a informação de abertura.
  • Diferencie contextualização inicial de foco argumentativo principal observando o que o texto desenvolve depois.
  • Se as alternativas estiverem mal formuladas, escolha a que mais se ajusta ao núcleo de sentido do fragmento, sem exigir reprodução literal.

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