Assinale a alternativa cuja frase apresenta correta concord...

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Q1623026 Português

Leia o texto.


Sempre fora invejosa; com a idade aquele sentimento exagerou-se de um modo áspero, invejava tudo na casa: a sobremesas que os amos comiam, a roupa branca que vestiam. As noites de soirée* , de teatro, exasperavam-na. Quando havia passeios projetados, se chovia de repente, que felicidade! O aspecto das senhoras vestidas e de chapéu, olhando por dentro das vidraças com um tédio infeliz, deliciava-a, fazia-a loquaz:

— Ai, minha senhora! É um temporal desfeito! É a cântaros, está para todo o dia! Olha o ferro!

E muito curiosa; era fácil encontrá-la, de repente, cosida por detrás de uma porta com a vassoura a prumo, o olhar aguçado. Qualquer carta que vinha era revirada, cheirada… Remexia sutilmente em todas as gavetas abertas; vasculhava em todos os papéis atirados. Tinha um modo de andar ligeiro e surpreendedor. Examinava as visitas. Andava à busca de um segredo, de um bom segredo! Se lhe caía um nas mãos!

Era muito gulosa. Nutria o desejo insatisfeito de comer bem, de petiscos, de sobremesas. Nas casas em que servia ao jantar, o seu olho avermelhado seguia avidamente as porções cortadas à mesa; e qualquer bom apetite que repetia exasperava-a, como uma diminuição de sua parte. De comer sempre os restos ganhava o ar agudo – o seu cabelo tomara tons secos, cor de rato. Era lambareira: gostava de vinho; em certos dias comprava uma garrafa de oitenta réis, e bebia-a só, fechada, repimpada, com estalos da língua, a orla do vestido um pouco erguida, revendo-se no pé.


Eça de Queirós. O primo Basílio


*espécie de reunião social

Assinale a alternativa cuja frase apresenta correta concordância nominal ou verbal.
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Concordância verbal e nominal na norma-padrão.

A banca explora as regras gramaticais de concordância, essenciais para o cargo de Assistente Administrativo, pois garantem clareza e correção na linguagem escrita e falada. Entender as relações entre sujeito, verbo e predicados é fundamental para acertar questões similares.

Justificativa da alternativa correta (D):

Naquela formatura, discursaram formando e paraninfo.

Pela norma-padrão, quando o sujeito composto vem após o verbo, a concordância pode ser feita no plural: “Discursaram formando e paraninfo” (Bechara, Moderna Gramática Portuguesa). Portanto, o uso do verbo no plural está correto, atendendo ao princípio da concordância verbal. Exemplo: “Chegaram o professor e os alunos.”

Análise das alternativas incorretas:

A) A casa estava meia desarrumada.
O correto é “meio desarrumada”. “Meio”, com valor de advérbio, é invariável. Segundo Cunha & Cintra, só varia quando numeral (ex: “meia dúzia”).

B) Haviam muitos talheres naquela mesa.
“Haver” com sentido de existir é impessoal e deve ser usado no singular: “Havia muitos talheres”.

C) Doce ou chocolate faz mal para minha saúde...
O verbo deveria ir ao plural (“fazem”) se não houver exclusividade, caso contrário, o singular não traz clareza. Além disso, a repetição de “nem” é desnecessária.

E) Podem haver mais oportunidade...
Erra novamente o emprego do verbo “haver”, que é impessoal. O correto seria: “Pode haver mais oportunidades”.

Dicas finais: Fique atento a termos impessoais, concordância com sujeitos compostos, e pegadinhas com advérbios invariáveis.

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Comentários

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NA LETRA "C", NÚCLEOS LIGADOS POR "OU", SE TIVER A IDEIA DE INCLUSÃO, O VERBO FICA NO PLURAL, SENÃO, FICA NO SINGULAR (IDEIA DE EXCLUSÃO).

Sem entrar em pormenores, a concordância verbal diz respeito à correta flexão do verbo (em número e pessoa) a fim de concordar com o sujeito. Esporadicamente, no entanto, foge-se à regra geral e faz-se a concordância de modo distinto: em determinados casos, concorda-se com o predicado. Por seu turno, concordância nominal se refere à adequada flexão dos adjuntos adnominais em relação ao substantivo ou pronome em matéria de gênero (masculino e feminino) e/ou número (plural e singular). 

a) A casa estava meia desarrumada.

Incorreto. A palavra sublinhada acima tem valor de "parcialmente", ou seja, é um advérbio. Portanto, deve ser grafada de acordo com a que corresponde a ela: "meio". Correção: "A casa estava meio desarrumada";

b) Haviam muitos talheres naquela mesa.

Incorreto. O verbo "haver", apresentando sentido de existência, não varia, devendo ser flexionado na terceira pessoa do singular. Correção: "Havia muitos talheres naquela mesa";

c) Doce ou chocolate faz mal para minha saúde, pois não posso ingerir nem açúcar, nem cacau.

Incorreto. O núcleo do sujeito está ligado por "ou" e este não abarca o sentido excludente: pode ser o chocolate ou o açúcar que causam mal. Correção: "Doce ou chocolate fazem mal (...)";

d) Naquela formatura, discursaram formando e paraninfo.

Correto. O verbo antepõe-se ao sujeito composto por dois núcleos (formando e parninfo). Neste caso, ou o verbo concorda com o mais próximo (formando) ou com ambos (formando e parinfo);

e) Podem haver mais oportunidade para ela matar sua fome!

Incorreto. Quando há locução verbal cujo verbo principal é o "haver" no sentido de existir, a impessoalidade se estende para ele, para o auxiliar. Correção: "Pode haver mais oportunidades (...)".

Letra D

Apenas complemento...

OU

Trazendo ideia de Exclusão - Singular

Marcos ou João casará com Maria.

Trazendo ideia de Inclusão - Plural

Bebida ou fumo fazem mal à saúde.

Matheus Oliveira, muito obrigada pelo comentário.

Boa questão sobre concordância de sujeito composto.

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Sujeito anteposto ao verbo deve concordar com os sujeitos presentes. (alternativa C na questão)

Doce ou chocolate faz mal para minha saúde, pois não posso ingerir nem açúcar, nem cacau.

Doce ou chocolate fazem mal para minha saúde, pois não posso ingerir nem açúcar, nem cacau.

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Sujeito proposto ao verbo pode concordar com todos os núcleos ou o sujeito mais próximo.(alternativa D na questão)

Naquela formatura, discursaram formando e paraninfo.

Ou

Naquela formatura, discursou formando e paraninfo.

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Se alguém encontrar algum erro, favor informar.

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