Na doença de Alzheimer, os sintomas neuropsiquiátricos (agi...

Próximas questões
Com base no mesmo assunto
Q3649717 Psiquiatria
Na doença de Alzheimer, os sintomas neuropsiquiátricos (agitação, psicose) pedem abordagem escalonada, priorizando medidas não farmacológicas e investigação de gatilhos. Quando farmacoterapia é inevitável, qual conduta é mais adequada? 
Alternativas

Gabarito comentado

Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores

Alternativa correta: EAntipsicótico atípico na menor dose e menor tempo possível, após falha de medidas ambientais e exclusão de delirium, com reavaliações frequentes.

Tema central: manejo de sintomas neuropsiquiátricos (BPSD) na Doença de Alzheimer. Exige abordagem escalonada: primeiro não farmacológica e busca de gatilhos (dor, infecção, constipação, retenção urinária, privação de sono, mudanças ambientais). Medicamentos só quando há risco/sofrimento significativo e após excluir delirium.

Resumo teórico: Intervenções ambientais e psicoeducação do cuidador reduzem agitação e psicose. Se necessário, usar antipsicóticos atípicos (p.ex., risperidona, quetiapina, olanzapina, aripiprazol) em dose mínima eficaz e por curto período, com tentativa de taper após estabilização e monitorização de eventos adversos (AVC, sedação, hipotensão, sintomas extrapiramidais, mortalidade). Há black box warning para antipsicóticos em demência.

Fontes-chave: APA Practice Guideline on the Use of Antipsychotics in Dementia (2016); NICE NG97 Dementia (atualizações); AGS Beers Criteria 2023 (evitar antipsicóticos e benzodiazepínicos em idosos, salvo exceções, e sempre na menor dose/tempo).

Por que a E é correta: resume as boas práticas recomendadas pelas diretrizes: priorizar medidas não farmacológicas, excluir delirium, considerar antipsicótico atípico apenas quando o risco/sofrimento persistir, e fazer reavaliações frequentes com descontinuação assim que possível.

Por que as demais estão erradas:

ABenzodiazepínico de longa ação diariamente: aumenta risco de quedas, confusão, delirium e desinibição paradoxal. Beers 2023 desaconselha uso crônico em idosos.

BHaloperidol em altas doses e por tempo indefinido: maior risco de EPS, prolongamento de QT, mortalidade; se usado, deve ser por curto prazo e em dose baixa para agitação grave refratária, nunca manutenção.

CAnticolinérgico para agressividade + donepezila: anticolinérgicos pioram cognição e podem precipitar delirium, além de antagonizar o efeito dos inibidores de colinesterase.

DSuspender IChE para reduzir todos os sintomas comportamentais: a suspensão não reduz universalmente BPSD e pode piorar cognição e comportamento em alguns; decisão é individualizada.

Estratégia de prova:

- Procure os marcadores de conduta correta: “medidas não farmacológicas primeiro”, “excluir delirium”, “menor dose e menor tempo”, “reavaliações frequentes”.

- Desconfie de termos como “altas doses”, “uso diário crônico”, “manutenção indefinida” ou fármacos com perfil anticolinérgico.

- Lembre do aviso de caixa-preta dos antipsicóticos em demência e da recomendação Beers de evitar benzodiazepínicos crônicos.

Dica prática: antes de medicar, trate dor, infecção, constipação, privação de sono, ajuste ruído/iluminação e treine o cuidador. Se usar antipsicótico, documente risco/benefício e reavalie em 2–4 semanas para reduzir ou suspender.

Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!

Clique para visualizar este gabarito

Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo