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Paciente vítima de colisão auto-auto é admitido instável, e...

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Q3909065 Medicina
Paciente vítima de colisão auto-auto é admitido instável, evolui para choque, recebe reposição volêmica inicial, controle de via aérea e medidas de suporte hemodinâmico, sendo encaminhado para sala cirúrgica para controle de lesões. No pós-operatório imediato evolui com necessidade de vasopressores, hiperlactatemia persistente e acidose metabólica, mantendo estado crítico vulnerável a infecção e complicações, incluindo falência de múltiplos órgãos. Considerando princípios técnicos contemporâneos de tomada de decisão frente ao politrauma, choque e risco de complicações cirúrgicas e infecciosas precoces, assinale a alternativa correta. 
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: O critério que decide a questão é a indicação de damage control surgery no politrauma com exaustão fisiológica: diante de choque persistente, necessidade de vasopressores, hiperlactatemia e acidose metabólica, o paciente não tolera reparo definitivo prolongado, e a conduta tecnicamente correta é abreviar a operação para controle de hemorragia e contaminação, com ressuscitação subsequente e reoperação planejada.

Tema central: Controle de danos
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque reduz o dano metabólico do choque traumático ao volume absoluto infundido e ainda afirma independência do tipo de fluido e da pressão de perfusão. Isso contraria a fisiopatologia do choque hemorrágico: acidose e hiperlactatemia decorrem principalmente de hipoperfusão e anaerobiose, além de dependerem do controle da hemorragia, da perfusão sistêmica e tecidual, do tipo de reposição, da coagulopatia e da hipotermia. O volume infundido isoladamente não explica nem corrige o dano metabólico.
B
Certa
A alternativa B está correta porque descreve a indicação clássica da cirurgia de controle de danos no trauma grave: instabilidade hemodinâmica ou choque persistente associados a sinais de colapso fisiológico, especialmente acidose importante e coagulopatia. Nesse cenário, o objetivo não é completar um reparo definitivo prolongado, mas interromper a espiral de exaustão fisiológica com controle rápido de hemorragia e contaminação, seguido de ressuscitação intensiva e nova abordagem programada.
C
Errada
Está errada porque transforma lactato e déficit de base em metas de normalização completa em 2 horas e propõe expansão agressiva com cristalóide acima de 40 mL/kg para atingi-las. Pela base, lactato e BE são marcadores de hipoperfusão e de tendência de resposta, não alvos de correção total em janela rígida às custas de sobrecarga volêmica. Essa estratégia é tecnicamente inadequada no choque hemorrágico porque o excesso de cristalóide agrava coagulopatia dilucional, edema tecidual, hipotermia e pode piorar o sangramento.
D
Errada
Está errada porque afirma como padrão a antibioticoprofilaxia de amplo espectro rotineira em todo politraumatizado grave, mesmo sem foco infeccioso definido. Pela base, o uso de antibiótico no trauma é contextual e depende do tipo de lesão, da contaminação, da profilaxia perioperatória ou de infecção estabelecida. Gravidade do politrauma, por si só, não justifica antibiótico empírico universal.
Pegadinha da questão
A banca mistura marcadores de hipoperfusão e risco infeccioso para induzir duas confusões: achar que hiperlactatemia persistente exige mais cristalóide e achar que paciente muito grave deve receber antibiótico de amplo espectro de rotina. O ponto decisivo, porém, é o estado de exaustão fisiológica que indica controle de danos.
Dica para questões semelhantes
  • Em trauma grave, decida primeiro pelo estado fisiológico: choque persistente, acidose, hiperlactatemia e coagulopatia apontam para estratégia de controle de danos.
  • Lactato e déficit de base servem para acompanhar hipoperfusão e resposta à ressuscitação; não imponha normalização completa imediata com sobrecarga de cristalóide.
  • No choque hemorrágico, desconfie de alternativas que tratem volume absoluto de reposição como fator isolado ou que ignorem controle da hemorragia e perfusão.
  • Antibiótico no trauma não é automático pela gravidade; procure indicação vinculada a lesão, contaminação ou contexto operatório.

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