Um recém-nascido de 3 dias, masculino, nascido a termo, com...

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Q4111861 Medicina

Um recém-nascido de 3 dias, masculino, nascido a termo, com trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down), sem complicações durante a gravidez ou o parto, apresenta distensão abdominal progressiva e episódios de vômitos biliosos. No exame físico, observa-se a presença de um ânus patente, mas o bebê ainda não eliminou mecônio desde o nascimento. A mãe relatou que o bebê está se alimentando mal e teve episódios de choro inconsolável. A radiografia abdominal revela distensão de alças intestinais e ausência de ar no reto. Os sinais vitais estão dentro dos limites normais, e não há história familiar de doenças congênitas.



Sobre as hipóteses diagnósticas pertinentes e condutas adequadas, escolha a alternativa correta.

Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: A

Fundamento decisivo: O quadro é de obstrução intestinal distal neonatal sugestiva de doença de Hirschsprung: atraso na eliminação de mecônio, distensão abdominal progressiva, vômitos biliosos, ânus patente, ausência de ar no reto e associação com síndrome de Down apontam para aganglionose distal; por isso, a conduta compatível é descompressão por lavagem/irrigação distal e preparo para confirmação por biópsia retal.

Tema central: Hirschsprung neonatal
Análise das alternativas
A
Certa
A alternativa A reúne o diagnóstico mais compatível e a conduta inicial adequada. O quadro clínico-radiológico é típico de doença de Hirschsprung, que cursa com obstrução funcional distal por aganglionose congênita, explicando ausência de eliminação de mecônio, distensão e vômitos biliosos, além de reto sem ar. A presença de síndrome de Down reforça essa hipótese. A confirmação diagnóstica é feita por biópsia retal, e antes disso a abordagem inicial segura inclui descompressão intestinal por lavagens/irrigações distais.
B
Errada
O diagnóstico provável até pode ser Hirschsprung, mas a conduta está tecnicamente errada. Recém-nascido com distensão abdominal, vômitos biliosos e atraso de mecônio tem quadro de obstrução intestinal neonatal, não de constipação funcional. Laxantes orais não resolvem a obstrução distal e a alta hospitalar é inadequada, pois atrasa descompressão, investigação confirmatória e vigilância de piora clínica.
C
Errada
Íleo meconial é menos compatível com o conjunto do caso do que doença de Hirschsprung, especialmente pela associação com síndrome de Down e pelo padrão descrito de ausência de ar no reto em contexto de obstrução distal neonatal. Além disso, a conduta proposta está errada: aumentar dieta oral é inadequado diante de vômitos biliosos e distensão abdominal obstrutiva, situação que exige estabilização e não estímulo de via oral.
D
Errada
Essa alternativa contradiz diretamente o exame físico. O enunciado informa ânus patente, o que afasta ânus imperfurado como explicação da obstrução. Portanto, a hipótese diagnóstica já cai pelo dado anatômico descrito, e a conduta baseada nessa premissa fica sem sustentação.
Pegadinha da questão
A banca separa diagnóstico e conduta: a alternativa B acerta a doença, mas erra gravemente o manejo; além disso, o dado 'ânus patente' elimina a opção de ânus imperfurado, mesmo com quadro obstrutivo.
Dica para questões semelhantes
  • Em recém-nascido com atraso de mecônio, distensão e vômitos biliosos, pense primeiro em obstrução intestinal distal orgânica, não em constipação simples.
  • Se o ânus é patente, malformação anorretal obstrutiva evidente perde força; valorize esse achado no exame físico.
  • Na suspeita de Hirschsprung neonatal, procure o par diagnóstico-conduta correto: confirmação por biópsia retal e descompressão distal inicial.
  • Em quadro obstrutivo neonatal, alternativas com laxante oral, aumento de dieta ou alta costumam estar erradas pelo mecanismo da doença e pelo risco de atraso no manejo.

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