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Q4237954 Medicina
Mulher, 27 anos de idade, previamente hígida, procura atendimento por fadiga progressiva, náuseas e leve desconforto abdominal há 3 semanas. Nega febre, uso de medicamentos, álcool ou viagens recentes. Exame físico: icterícia leve, fígado palpável a 2 cm do rebordo costal. Exames laboratoriais: ALT 385 U/L, AST 412 U/L, bilirrubina total 3,2 mg/dL, INR 1,3. Sorologias virais negativas. ANA 1:320 homogêneo, IgG sérica 2.130 mg/dL (elevada). Antimúsculo liso e antimitocôndria não reagentes. Ultrassonografia sem alterações. Qual a conduta mais adequada neste momento? 
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: A hepatite autoimune é sugerida pela combinação de mulher jovem, padrão hepatocelular, ANA alto, IgG elevada e exclusão de hepatites virais, mas a confirmação diagnóstica depende de histologia. Como a paciente está estável, sem insuficiência hepática aguda grave, a conduta mais adequada é confirmar com biópsia hepática antes de instituir tratamento.

Tema central: Hepatite autoimune
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque, apesar da suspeita forte, o diagnóstico ainda não está definitivamente fechado. Em paciente estável, sem falência hepática aguda, encefalopatia ou INR muito elevado, iniciar corticoide empiricamente não é a melhor conduta. Isso pode mascarar diagnósticos alternativos e ainda alterar a interpretação histológica, justamente o exame necessário para confirmação etiológica.
B
Errada
Está errada porque a elastografia estima rigidez/fibrose hepática, mas não confirma a etiologia autoimune da hepatite nem substitui a biópsia na suspeita diagnóstica inicial. O problema central aqui é confirmar hepatite autoimune, não fazer estadiamento não invasivo de fibrose.
C
Certa
A alternativa C está correta porque o conjunto clínico-laboratorial sustenta forte suspeita de hepatite autoimune, mas a confirmação depende da integração com histologia compatível. A biópsia hepática é o passo apropriado neste momento porque documenta o padrão inflamatório característico, como hepatite de interface, e ajuda a excluir outras causas de hepatite. Como a paciente está estável e não há quadro fulminante que imponha tratamento imediato sem confirmação, a conduta correta é confirmar o diagnóstico por biópsia.
D
Errada
Está errada porque já existe hepatite ativa clínica e bioquímica: fadiga, náuseas, icterícia leve, transaminases elevadas, ANA alto e IgG aumentada. Repetir enzimas em 4 semanas posterga indevidamente a investigação de uma doença potencialmente progressiva, quando o critério médico correto é avançar agora para confirmação diagnóstica.
Pegadinha da questão
A banca explora a confusão entre quadro muito sugestivo e diagnóstico confirmado: ANA em alto título e IgG elevada apontam fortemente para hepatite autoimune, mas não dispensam biópsia em paciente estável; além disso, elastografia parece exame atraente, porém não resolve a definição etiológica.
Dica para questões semelhantes
  • Suspeita forte de hepatite autoimune não equivale a diagnóstico fechado: pense em confirmação histológica.
  • Se o enunciado mostrar paciente estável, sem insuficiência hepática aguda grave, a tendência é biopsiar antes de imunossuprimir.
  • Elastografia responde sobre fibrose/rigidez, não sobre etiologia inflamatória autoimune.
  • Anticorpo negativo isolado, como antimúsculo liso, não exclui hepatite autoimune se o restante do quadro for compatível.

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