Um paciente de 75 anos de idade queixa-se de disfagia, perda...

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Q1686738 Medicina

Um paciente de 75 anos de idade queixa-se de disfagia, perda de peso e rouquidão. É tabagista ativo e refere consumir de três a cinco latas de cerveja diariamente. Nega outras doenças. O exame físico encontra-se sem particularidades, exceto pelo fato de o paciente estar um pouco emagrecido. As tomografias computadorizadas de região cervical e de tórax são normais. Endoscopia digestiva alta evidenciou lesão vegetante em esôfago médio.


Considerando esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.


A esofagectomia trans-hiatal tem maior risco de mediastinite e menor risco de sangramento.

Alternativas

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Gabarito: E (ERRADO)

Tema central: A questão aborda as complicações das técnicas cirúrgicas para tratamento do câncer de esôfago, especialmente esofagectomia trans-hiatal versus esofagectomia transtorácica.

Análise e justificativa:

No contexto do caso clínico apresentado (disfagia, emagrecimento, lesão vegetante de esôfago, fatores de risco clássicos como tabagismo e etilismo), está indicada abordagem cirúrgica para câncer de esôfago. Entre as opções cirúrgicas, destacam-se:
- Esofagectomia trans-hiatal (ETH): realizada sem toracotomia, abordagem por abdômen e pescoço.
- Esofagectomia transtorácica (ETT): realizada com toracotomia, permitindo melhor acesso ao mediastino.

A afirmação de que a ETH tem maior risco de mediastinite é incorreta. Embora a ETH apresente maior incidência de fístula cervical (devido à anastomose nessa região), a mediastinite é mais associada às complicações cervicais graves ou à ETT, que envolve maior manipulação mediastinal. Dados do Instituto Nacional de Câncer e de revisões na literatura (Sabiston, Tratado de Cirurgia) não apontam diferença significativa na incidência global de mediastinite entre as técnicas.

Quanto ao risco de sangramento: ETH tende a apresentar menor sangramento estimado em comparação à ETT, devido à ausência de abertura do tórax. Contudo, significativa variação depende da habilidade do cirurgião, extensão do tumor e condição clínica do paciente. Mesmo assim, as evidências apontam que não há diferença clínica significativa em relação ao risco de hemorragia pós-operatória.

Resumo crítico:
A alternativa está ERRADA porque:

  • A ETH não demonstra maior risco de mediastinite segundo estudos comparativos e diretrizes cirúrgicas (ex: INCA, Sabiston).
  • O risco de sangramento pode ser discretamente menor na ETH, porém isso não altera significativamente a segurança do procedimento em relação à ETT.

Dica de interpretação: Fique atento a frases absolutas (“maior risco”, “menor risco”) quando a literatura não mostra diferença significativa, pois são potenciais pegadinhas em provas.

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Comentários

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A afirmação está incorreta. A esofagectomia trans-hiatal é um procedimento cirúrgico que consiste na retirada do esôfago, geralmente em casos de câncer ou outras patologias graves. Embora seja uma técnica considerada menos invasiva do que outras, como a esofagectomia com toracotomia, ela ainda apresenta riscos como qualquer procedimento cirúrgico, como infecções e sangramentos. Além disso, a escolha da técnica cirúrgica adequada para cada caso depende de diversos fatores, como a localização da lesão e a saúde geral do paciente, e deve ser decidida pelo médico responsável pelo caso.

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