Mulher, 36 anos de idade, com diagnóstico de retocolite ulc...

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Q4237951 Medicina
Mulher, 36 anos de idade, com diagnóstico de retocolite ulcerativa pancolônica há 5 anos, em uso regular de mesalazina oral e retal, procura atendimento por quadro de diarreia aquosa iniciada há cerca de 7 meses, mas com piora na última semana, sem sangue ou muco, associada a cólicas abdominais. Nega febre, vômitos, perda ponderal ou uso recente de antibióticos. Refere boa adesão ao tratamento e remissão clínica há 2 anos. Ao exame físico: sem dor à palpação e sem sinais de desidratação. PCR normal, calprotectina fecal 38 µg/g, PCR para C. difficile negativo. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: B

Fundamento decisivo: Em paciente com retocolite ulcerativa em remissão, diarreia aquosa crônica sem sangue ou muco, com PCR normal, calprotectina fecal baixa (38 µg/g) e teste negativo para C. difficile, torna-se improvável atividade inflamatória intestinal relevante ou causa infecciosa, sustentando a hipótese de diarreia funcional.

Tema central: DII em remissão versus diarreia funcional
Análise das alternativas
A
Errada
Está errada porque atividade da RCU costuma cursar com diarreia inflamatória, frequentemente com sangue, muco, urgência/tenesmo e marcadores inflamatórios mais altos. Aqui há diarreia aquosa crônica, ausência de sinais clínicos inflamatórios, PCR normal e calprotectina fecal baixa, achado que afasta atividade mucosa relevante.
B
Certa
A alternativa B está correta porque o quadro reúne sinais compatíveis com distúrbio funcional e não com atividade inflamatória da retocolite ulcerativa: remissão clínica prévia, diarreia aquosa crônica com cólicas, ausência de sangue, muco, febre, perda ponderal e alterações ao exame físico, além de PCR normal e calprotectina fecal baixa. Em paciente com DII, esse padrão favorece sobreposição funcional.
C
Errada
Está errada porque o enunciado não fornece base específica para colite colagenosa nem para atribuição causal à mesalazina. Essa hipótese exigiria confirmação histológica, enquanto o caso traz elementos muito mais fortes a favor de causa funcional.
D
Errada
Está errada por incompatibilidade temporal e clínica: superinfecção viral aguda não explica um quadro com 7 meses de evolução. Além disso, faltam febre, vômitos e síndrome infecciosa, e o teste para C. difficile foi negativo.
Pegadinha da questão
A banca explora o viés de ancoragem de interpretar toda diarreia em paciente com RCU como atividade da doença; a piora na última semana pode distrair do dado decisivo, que é o caráter crônico do quadro sem inflamação objetiva, especialmente com calprotectina fecal baixa.
Dica para questões semelhantes
  • Em DII com novos sintomas, não conclua flare apenas pela diarreia; confronte sempre com sangue, muco, sinais sistêmicos e marcadores inflamatórios.
  • Calprotectina fecal baixa, em contexto compatível, pesa fortemente contra atividade inflamatória intestinal relevante e favorece etiologia funcional.
  • Ao avaliar diarreia em DII em remissão, separe sistematicamente atividade da doença, infecção e sobreposição funcional.
  • Quando a alternativa propõe colite microscópica ou colagenosa, verifique se há suporte histológico no enunciado; sem isso, essa conclusão pode ser extrapolação.

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