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Q4237945 Medicina
Paciente, 28 anos de idade, com diagnóstico confirmado de esofagite eosinofílica, apresenta-se assintomático após 14 meses de tratamento com inibidor de bomba de prótons (IBP) em dose alta. Apesar da ausência de sintomas, conta que é o último a sair da mesa após as refeições. Nova endoscopia com biópsias mostra persistência de infiltrado com 50 eosinófilos por campo de grande aumento. Não há estenoses visíveis nem complicações endoscópicas. Qual deve ser a próxima conduta terapêutica mais apropriada?
Alternativas

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Gabarito: C

Fundamento decisivo: Na esofagite eosinofílica, a resposta ao tratamento deve ser avaliada por desfechos sintomáticos, endoscópicos e histológicos, e a remissão histológica é definida por <15 eos/hpf. Como o paciente permanece com 50 eosinófilos por campo após 14 meses de IBP em dose alta, há atividade inflamatória persistente, o que indica necessidade de escalonar a terapia.

Tema central: EoE com falha histológica ao IBP
Análise das alternativas
A
Errada
Errada porque manter apenas o IBP ignora falha objetiva do tratamento: após 14 meses em dose alta, a histologia permanece francamente ativa com 50 eos/hpf. Na EoE, sintomas isolados não definem controle da doença, e a diretriz ACG 2025 exige avaliação também histológica. Portanto, não há base para manutenção inalterada de uma estratégia que não atingiu remissão inflamatória.
B
Errada
Errada porque, embora dieta de exclusão seja opção terapêutica válida na EoE, a questão pede a próxima conduta mais apropriada diante de persistência histológica após IBP. Pela base fornecida, o passo mais diretamente sustentado como escalonamento terapêutico neste contexto é iniciar corticosteroide tópico. A própria base alerta que não se pode afirmar que combinar dieta ao IBP seja necessariamente a melhor próxima etapa neste cenário específico.
C
Certa
A alternativa correta reconhece que o alvo terapêutico na esofagite eosinofílica não é apenas aliviar sintomas, mas controlar a inflamação e prevenir progressão fibroestenótica. A biópsia com 50 eos/hpf mostra falha histológica clara ao IBP em dose alta, muito acima do alvo de remissão histológica descrito na diretriz. Além disso, o fato de ser o último a sair da mesa sugere adaptação comportamental que pode mascarar disfagia, de modo que a ausência de queixa não significa remissão. Nesse cenário, iniciar corticosteroide tópico é a conduta mais apropriada entre as alternativas, como escalonamento anti-inflamatório sustentado pelas diretrizes citadas.
D
Errada
Errada porque suspender tratamento e aguardar sintomas contraria o critério decisivo da doença: a inflamação pode persistir apesar de poucos sintomas e evoluir estruturalmente. A biópsia mostra atividade importante, e a monitorização/tratamento da EoE não deve ser guiada só pela clínica. Essa conduta negligencia doença inflamatória crônica ainda ativa.
Pegadinha da questão
A banca explora a falsa equivalência entre estar assintomático e estar em remissão. Na EoE, adaptação alimentar e mastigação prolongada podem mascarar disfagia, e a histologia persistente é o dado que decide a conduta.
Dica para questões semelhantes
  • Em EoE, confira sempre se o controle foi sintomático, endoscópico e histológico; sintoma sozinho não fecha remissão.
  • Persistência acima de 15 eos/hpf após tratamento indica doença ativa, mesmo com melhora clínica.
  • Falha ao IBP com inflamação persistente pede escalonamento anti-inflamatório; corticosteroide tópico é opção padrão sustentada pela base.
  • Comer devagar ou demorar à mesa pode ser pista de adaptação à disfagia, não prova de normalidade.

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