Leia uma estrofe de A volta da Asa Branca, de Gilberto Gil. ...
“(...)
A seca fez eu desertar da minha terra Mas felizmente Deus agora se alembrou De mandar chuva presse sertão sofredor Sertão das muié séria, dos home trabaiadô.
(...)”
Sobre a estrofe acima, considere as afirmativas abaixo.
I - Há inversões sintáticas, próprias da linguagem poética.
II - Há tentativa de reproduzir na escrita um modo de falar.
III - Há erros involuntários de ortografia.
IV - O vocabulário remete a uma região do país.
Está correto APENAS o que se afirma em
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Gabarito comentado
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Gabarito: D
Fundamento decisivo: O decisivo é o reconhecimento, no próprio trecho, de grafias que representam oralidade regional e de um léxico que remete ao sertão; isso sustenta II e IV e afasta III, sem exigir inversão sintática como traço comprovado.
- Quando aparecer grafia não padrão em poema ou canção, verifique primeiro se ela representa um modo de falar antes de tratá-la como erro.
- Se o próprio texto trouxer marcador lexical como "sertão", considere isso como indício textual direto de regionalização.
- Não marque "inversão sintática" só porque o texto está em versos; ela precisa estar efetivamente comprovada no trecho.
- Separe desvio estilístico intencional de erro involuntário: essa distinção costuma decidir questões de interpretação linguística.
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d) II: Há tentativa de reproduzir na escrita um modo de falar. - Modo de falar predominante em regiões sertanejas do nordeste
IV: O vocabulário remete a uma região do país. - Remete a regiao Nordeste
"A seca fez eu desertar da minha terra Mas felizmente Deus agora se alembrou De mandar chuva presse sertão sofredor Sertão das muié séria, dos home trabaiadô."
A alternativa correta é a D (II e IV).
Aqui está a explicação detalhada de cada uma das afirmativas para ajudar você a compreender perfeitamente a análise do texto:
- I - Há inversões sintáticas, próprias da linguagem poética. (INCORRETA)
- Explicação: O trecho está construído quase inteiramente na ordem direta (Sujeito + Verbo + Complemento): "A seca (sujeito) fez (verbo) eu desertar...", "Deus (sujeito) agora se alembrou (verbo)...". A estrutura "fez eu desertar" representa uma sintaxe típica do registro coloquial/oral da língua, e não uma inversão sintática ou recurso de estilo poético (como o hipérbato ou a anástrofe).
- II - Há tentativa de reproduzir na escrita um modo de falar. (CORRETA)
- Explicação: O autor utiliza a grafia para transcrever foneticamente marcas da oralidade e da linguagem popular. Exemplos claros disso são:
- "alembrou" (inserção da vogal a- no início do verbo lembrar, processo fonético chamado prótese);
- "presse" (aglutinação coloquial de para + esse);
- "muié" (redução fonética de mulher);
- "home" (redução de homem);
- "trabaiadô" (queda da consoante líquida palatal e do -r final de trabalhador).
- III - Há erros involuntários de ortografia. (INCORRETA)
- Explicação: Em textos artísticos, poéticos e musicais, os desvios em relação à ortografia oficial não são involuntários (erros por distração ou desconhecimento). Trata-se de um recurso estilístico propositado e voluntário (licença poética) para conferir verossimilhança, cor local e identidade à voz que canta.
- IV - O vocabulário remete a uma região do país. (CORRETA)
- Explicação: O uso de termos como "sertão", aliado às marcas de pronúncia e concordância reduzida ("muié séria", "home trabaiadô"), constitui um caso clássico de variação diatópica (geográfica), remetendo diretamente ao falar do sertão nordestino.
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