“O papel vai ganhando cores imaginárias, mesmo com o matiz ...

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Leia o texto a seguir para responder à questão.

O papel e o lápis

 

Uma folha em branco para mim é como um convite para criar e explorar um novo universo! Um lápis de grafite macio é o meu instrumento de construção de uma obra emocional e utópica. É quase impossível descrever o sentimento gerado por apenas estes dois itens diante dos meus olhos, no alcance da minha mão. O papel é representação das possibilidades infinitas. O lápis é a matéria-prima a ser moldada. O desenho é a expressão consumada dos pensamentos profundos, dos esforços e da alma.

Não importa que meus traços sejam infantis, ou toscos, que o tema seja lírico, abstrato ou mesmo natural. Não importa que signifique algo para quem olha e não vê, e também pouco importa que toda a obra seja apenas um ponto. Sou eu naquele papel, são os meus instintos e o peso da minha mão.

Aos poucos os esboços ganham contornos mais definidos. Passam-se os segundos, os minutos e as horas, em alguns, também se passam os dias, os meses e talvez os anos. Na mente, o desenho é dinâmico e mutante. O que antes era apenas um horizonte distante agora é um campo coberto por gramíneas e cravejado de árvores, ao longe se nota o velho casebre e a criação animal. Aos poucos a vida vai brotando da ponta do grafite.

O papel vai ganhando cores imaginárias, mesmo com o matiz de chumbo. O vento balança as folhas e os cabelos e sopra o nosso rosto. O som dos pássaros e dos cascos dos cavalos se faz presente. O cheiro da fumaça que corta o céu, saindo da pequena chaminé, fica impregnado no ar. A estradinha de terra faz o convite para se andar descalço e caminhar até o fim da última curva. As águas cristalinas serpenteiam os vales e refrescam nossos pensamentos com a sua brisa.

A relação entre a obra e o lápis é inversamente proporcional. À medida que os retratos, paisagens ou os subconscientes tomam forma e se definem, o grafite se desfaz na ponta do lápis, aos poucos o corpo longilíneo torna-se mais franzino e pequeno. O lápis e o papel vão tornando-se um, igual a um processo químico, são elementos distintos que ao serem combinados resultam numa mistura perfeita.

(...)

 

OLIVEIRA, Alice Elaine Teixeira de. O papel e o lápis. Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo. Disponível em <https://claudemirpereira.com.br/2016/04/0-papel-e-o-lapis-por-alice-elaine-teixeira-de-oliveira/>.

“O papel vai ganhando cores imaginárias, mesmo com o matiz de chumbo.”
A expressão destacada no trecho acima introduz o sentido de:  
Alternativas

Gabarito comentado

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: “O papel vai ganhando cores imaginárias, mesmo com o matiz de chumbo.” A relação concessiva apresenta uma circunstância que poderia contrariar o acontecimento principal, mas não o impede. Como “mesmo com” equivale a “apesar de”, a alternativa correta é D.

Tema central: Valor concessivo de “mesmo com”
Análise das alternativas
A
Errada
Finalidade indicaria um objetivo. O matiz de chumbo não é a finalidade de o papel ganhar cores imaginárias; é uma circunstância que poderia contrariar esse acontecimento, mas não o impede.
B
Errada
Consequência indicaria um resultado. A expressão “mesmo com” não apresenta o matiz de chumbo como resultado do surgimento das cores imaginárias, mas como uma limitação que não impede esse surgimento.
C
Errada
“Mesmo” não equivale a “realmente” nem confirma uma afirmação anterior nessa ocorrência. Integra a expressão “mesmo com”, que admite uma circunstância contrária à expectativa.
D
Certa
A alternativa D está correta porque o matiz de chumbo é apresentado como uma limitação superada pela criação imaginativa. Seria possível esperar ausência de variedade de cores, mas o papel ganha cores imaginárias apesar dessa circunstância. É essa quebra de expectativa que estabelece a relação concessiva.
E
Errada
O trecho não apresenta o matiz de chumbo como causa das cores imaginárias. A relação é de contraste: o papel ganha essas cores apesar do matiz de chumbo, não por causa dele.
Pegadinha da questão
Analisar “mesmo” isoladamente e atribuir-lhe valor de confirmação, sem considerar que a expressão completa “mesmo com” introduz uma circunstância contrária à expectativa.
Dica para questões semelhantes
  • Analise o sentido da expressão completa no contexto, não apenas os valores possíveis da palavra “mesmo”.
  • Verifique se a substituição por “apesar de” preserva a relação de sentido entre os segmentos.
  • Reconheça a concessão quando uma circunstância poderia contrariar o acontecimento principal, mas não o impede, mesmo sem uma oração introduzida por “embora”.

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Comentários

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Uma das melhores técnicas para identificar uma oração ou expressão de valor concessivo é fazer a substituição por: “APESAR DE”

“O papel vai ganhando cores imaginárias, *mesmo com* o matiz de chumbo"

* mesmo com * - está consentindo com a primeira oração - apesar de ser diferente aceita a ação

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