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Q1686709 Medicina

Uma paciente de 42 anos de idade, com cisto sebáceo em couro cabeludo, vai ao centro cirúrgico ambulatorial para realização de exérese do cisto. A paciente é previamente hígida e já fez alguns procedimentos com a equipe da cirurgia plástica, inclusive com anestesia local, sem intercorrências nos procedimentos anteriores. A paciente negava uso contínuo de medicações ou alergias. Após antissepsia, foi realizada anestesia local com lidocaína 2% sem vasoconstritor. Após iniciada a cirurgia, a paciente passou a apresentar formigamento de língua e lábios, zumbidos, distúrbios visuais e agitação.


A respeito desse caso clínico e tendo em vista os conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.


Naloxone deve ser administrado imediatamente.

Alternativas

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Gabarito: E (ERRADO)

Tema central: Esta questão aborda o manejo de toxicidade sistêmica por anestésico local (LAST) após infiltração de lidocaína. Os sintomas descritos — formigamento de língua e lábios, zumbidos, distúrbios visuais e agitação — são clássicos de intoxicação pelo anestésico local, principalmente por aumento repentino da concentração plasmática.

Justificativa da resposta correta: O item afirma que "naloxona deve ser administrada imediatamente." Este é um erro conceitual importante. A naloxona é um antagonista opioide, indicada apenas para quadros de intoxicação por opioides. Neste caso, não há relação com o uso de opioides.

Segundo orientações presentes no UpToDate e confirmadas por protocolos internacionais, o manejo imediato da LAST envolve:

  • Interromper a administração do anestésico
  • Suporte avançado de vida: manter vias aéreas, administrar oxigênio e monitorar sinais vitais
  • Administração precoce de emulsão lipídica a 20% em casos graves: dose inicial de 1,5 mL/kg em bolus, seguido de infusão contínua de 0,25 mL/kg/min, podendo repetir bolus se necessário

De acordo com Miller’s Anesthesia (8ª edição, cap. 36): “A administração de emulsão lipídica intravenosa mudou o paradigma do tratamento da toxicidade sistêmica por anestésico local... Não há papel para naloxona nesse cenário.”

Análise crítica da alternativa incorreta: Caso a alternativa fosse “certo”, haveria erro grosseiro: naloxona não reverte efeitos tóxicos de anestésicos locais. Atentar-se sempre para a indicação do medicamento solicitado pelo enunciado.

Dica de prova: Em questões sobre reações adversas a fármacos, buscar sempre consistência entre o quadro clínico e o agente terapêutico sugerido. Termos como “administrar imediatamente” podem ser pegadinhas, exigindo conhecimento preciso da fisiopatologia.

Resumo: Para LAST, não utilizar naloxona. Realizar suporte básico/avançado e considerar emulsão lipídica se grave. Isso segue as principais diretrizes anestesiológicas e protocolos clínicos atuais.

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Comentários

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A questão está errada, pois o uso de naloxone não é indicado nesse caso clínico. Os sintomas apresentados pela paciente são característicos de uma reação tóxica à lidocaína, que é um anestésico local. Nesses casos, é necessário interromper imediatamente o procedimento cirúrgico e administrar oxigênio, benzodiazepínicos para controlar a agitação e suporte clínico geral. O uso de naloxone é indicado para reverter os efeitos de opioides, e não é apropriado para tratar a reação à lidocaína. É importante que o profissional de saúde esteja apto a reconhecer sintomas de reações adversas aos medicamentos e tomar as medidas adequadas para garantir a segurança do paciente.

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