Existem competências atribuídas para as Casas Legislativas, ...

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Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: AL-PR Prova: FGV - 2024 - AL-PR - Procurador |
Q2448948 Direito Administrativo
Existem competências atribuídas para as Casas Legislativas, a partir das atribuições delineadas para o Congresso Nacional na CRFB/88, que guardam estreita relação com a atividade de fiscalização e controle da atividade administrativa exercida pelo Poder Executivo, que deve ser levada a efeito pelo Poder Legislativo.
Entre as referidas competências, é correto destacar 
Alternativas

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Gabarito: D

Fundamento decisivo: CRFB/1988, art. 49, IX: "Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: IX - julgar anualmente as contas prestadas pelo Presidente da República e apreciar os relatórios sobre a execução dos planos de governo;" e CRFB/1988, art. 71, I: "Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias a contar de seu recebimento;". A alternativa D reproduz essa repartição constitucional do controle externo, pois o Legislativo julga as contas anuais do Chefe do Executivo com auxílio do Tribunal de Contas, que apenas emite parecer prévio.

Tema central: controle externo do Legislativo
Análise das alternativas
A
Errada
Incorreta por vício de competência. A Constituição não atribui ao Poder Legislativo poder de revogar atos administrativos discricionários do Poder Executivo. A revogação é providência ligada à autotutela administrativa e ao mérito do ato, não ao controle externo legislativo.
B
Errada
Incorreta porque inverte a ordem constitucional de atuação. CRFB/1988, art. 71, § 1º: "§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis." E art. 71, § 2º: "§ 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a respeito." Portanto, a sustação de contrato não deve ser realizada diretamente pelo Tribunal de Contas desde o início; sua atuação decisória é subsidiária.
C
Errada
Incorreta por excesso em relação ao texto constitucional. CRFB/1988, art. 49, V: "Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa;" Logo, o Congresso não pode sustar qualquer ato normativo do Executivo, mas somente aqueles que ultrapassem esses limites constitucionais.
D
Certa
A alternativa D está correta porque corresponde à competência constitucional expressa do Poder Legislativo no controle externo: julgar anualmente as contas do Chefe do Poder Executivo. O Tribunal de Contas não exerce esse julgamento; sua atribuição é apreciar essas contas e emitir parecer prévio. Essa divisão funcional está expressamente prevista nos arts. 49, IX, e 71, I, da CRFB/1988.
E
Errada
Incorreta por inexistência de competência constitucional genérica. A Constituição não prevê competência do Legislativo para suspender, de forma geral, licitações em curso do Executivo para apuração de irregularidades. O controle externo é de competências delimitadas, não cabendo criar hipótese ampla de suspensão não prevista no texto constitucional indicado.
Pegadinha da questão
A banca explorou principalmente a confusão entre apreciação das contas pelo Tribunal de Contas e julgamento das contas pelo Poder Legislativo, além de testar se o candidato perceberia que a sustação de atos normativos e de contratos tem limites constitucionais específicos, não sendo competência ampla e irrestrita.
Dica para questões semelhantes
  • Em controle externo, se a questão tratar de contas anuais do Chefe do Executivo, separe sempre: Tribunal de Contas aprecia e emite parecer prévio; Poder Legislativo julga.
  • Quando a alternativa usar expressões amplas como "qualquer ato normativo", confronte com o limite constitucional expresso; no caso, só cabe sustação se houver exorbitância do poder regulamentar ou dos limites da delegação legislativa.
  • Em matéria de contratos, memorize a sequência constitucional: a sustação é adotada diretamente pelo Congresso Nacional; o Tribunal de Contas só decide subsidiariamente se, em 90 dias, Congresso ou Executivo não adotarem as medidas cabíveis.

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lembre-se que os tribunais de contas não julgam, mas apenas auxiliam.

  Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da República, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em 60 (sessenta) dias a contar de seu recebimento; D

II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público;

III - apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório;

IV - realizar, por iniciativa própria, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Comissão técnica ou de inquérito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades administrativas dos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e demais entidades referidas no inciso II;

V - fiscalizar as contas nacionais das empresas supranacionais de cujo capital social a União participe, de forma direta ou indireta, nos termos do tratado constitutivo;

VI - fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município;

VII - prestar as informações solicitadas pelo Congresso Nacional, por qualquer de suas Casas, ou por qualquer das respectivas Comissões, sobre a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de auditorias e inspeções realizadas;

VIII - aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário;

IX - assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, se verificada ilegalidade;

X - sustar, se não atendido, a execução do ato impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal;

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

§ 1º No caso de contrato, o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.

Gabarito D).

Colega Luiza, acredito que a sua afirmação pode induzir a erro (mesmo tendo em conta o enunciado da questão), em razão: A) da previsão do inciso II, do art. 71 e; B) também por um julgado recente. O STF decidiu que: "os Tribunais de Contas possuem competência para o julgamento de tomadas de contas especiais em face de ocupantes dos cargos de Chefes do Poder Executivo Municipal. [...] Na espécie, a imputação de débito e multa resultante da constatação de irregularidades na execução de convênio, após o julgamento em TCE, não se confunde com a análise ordinária das contas anuais, a qual se materializa pela elaboração de parecer prévio, de natureza meramente opinativa".

No âmbito da tomada de contas especial, é possível a condenação administrativa de Chefes dos Poderes Executivos municipais, estaduais e distrital pelos Tribunais de Contas, quando identificada a responsabilidade pessoal em face de irregularidades no cumprimento de convênios interfederativos de repasse de verbas, sem necessidade de posterior julgamento ou aprovação do ato pelo respectivo Poder Legislativo. STF. Plenário. ARE 1.436.197/RO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/12/2023 (Repercussão Geral – Tema 1287) (Info 1121).

Disponível em: <https://www.buscadordizerodireito.com.br

/jurisprudencia/detalhes/ab9bc301ed969f5fa62e9908d7fd80e7>

ADENDO

TCU - não exerce uma função jurisdicional em relação às contas do presidente da República, pois aquele não julga pessoas, mas contas, e suas decisões não fazem coisa julgada, visto que são de cunho administrativo

  • Na função de órgão auxiliar do Poder Legislativo, o TCU apenas emite parecer técnico a respeito das contas.

-STF Info 1079 - 2022: É inconstitucional — por contrariar o princípio da simetria e o que disposto no art. 71, II, da CF/1988 — norma de Constituição estadual que atribui à Assembleia Legislativa competência exclusiva para tomar e julgar as contas prestadas pelos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. (CE  deve prever que as contas do Governador serão julgadas pela AL;  Quem julga as contas das demais autoridades e administradores de recursos públicos? O Tribunal de Contas.)

Em relação à C: não é qualquer ato normativo que irá sustar, somente os que exorbitem dos limites do poder regulamentar ou dos limites da delegação.

Art 49 CF, V

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