A biotecnologia moderna promove a obtenção de proteínas ter...
Gabarito comentado
Confira o gabarito comentado por um dos nossos professores
Tema central: Produção de proteínas terapêuticas recombinantes em diferentes sistemas de expressão (bactérias, leveduras, células de mamíferos e vegetais), com foco em pós-traducionais (glicosilação, γ-carboxilação, sulfatação) que impactam atividade, meia-vida e imunogenicidade.
Alternativa correta: C — Produção de fatores de coagulação em células eucarióticas (ex.: CHO, HEK293) permite modificações pós-traducionais adequadas, aproximando-se da forma nativa humana e reduzindo risco de reações imunogênicas. Fator VIII e IX dependem de glicosilação complexa, sulfatação e, no caso do FIX, γ-carboxilação de resíduos de glutamato (via vitamina K) para função plena. Sistemas eucarióticos conseguem essas etapas; bactérias não. Essa escolha melhora estabilidade e segurança clínica. Referências: Alberts – Molecular Biology of the Cell; Lodish – Molecular Cell Biology; revisão de biológicos (Walsh, Nat Biotechnol); diretrizes regulatórias FDA/EMA sobre bioterapias ressaltam a importância do “glycan profile” para eficácia e imunogenicidade.
Por que as demais estão incorretas?
A. Falso por dois motivos: (1) é indispensável um promotor bacteriano (ex.: T7, tac, lac) para transcrição em E. coli; (2) o DNA exógeno não se integra “sem restrições”; usualmente permanece em plasmídeos com origem de replicação e marcador seletivo. Além disso, bactérias não removem íntrons e não realizam glicosilação complexa, exigindo uso de cDNA e limitando a produção de proteínas humanas complexas.
B. Falso: glicosilação vegetal difere da de mamíferos (p. ex., β1,2-xilose e α1,3-fucose em plantas), podendo aumentar imunogenicidade. Por isso, glycoengineering é necessário para “humanizar” os açúcares de anticorpos produzidos em plantas. Não se pode “dispensar” ajustes pós-traducionais. Revisões em biotecnologia e documentos regulatórios destacam esse ponto.
D. Falso: leveduras secretam proteínas heterólogas de forma eficiente usando sinais como o peptídeo α-fator (S. cerevisiae) ou sistemas de Pichia pastoris. Há ampla literatura e uso industrial de secreção em leveduras; portanto, não é impedida.
Estratégia de prova: desconfie de termos absolutos (“sem restrições”, “dispensando”, “impede”). Para proteínas que exigem modificações póstraducionais complexas (fatores de coagulação, EPO, anticorpos), prefira células de mamíferos. Lembre que bactérias são ótimas para proteínas simples, sem glicosilação; plantas e leveduras exigem atenção ao padrão de glicosilação e à secreção.
Fontes úteis para revisão: Alberts – Molecular Biology of the Cell; Lodish – Molecular Cell Biology; Walsh G. Biopharmaceutical Benchmarks; UpToDate e documentos FDA/EMA sobre qualidade de bioterápicos e glicosilação.
Gabarito: C
Gostou do comentário? Deixe sua avaliação aqui embaixo!
Clique para visualizar este gabarito
Visualize o gabarito desta questão clicando no botão abaixo