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Q3510940 Medicina
Um adolescente com 11 anos apresentou tosse produtiva, secreção hialina nasal e febre que duraram cerca de quatro dias. Na sequência, surgiu conjuntivite e prostração, vindo em seguida exantema eritematoso maculopapular, inicialmente retroauricular, progredindo caudalmente, seguindo-se de descamação furfurácea.
O diagnóstico mais provável é:
Alternativas

Gabarito comentado

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Tema central: Doenças exantemáticas da infância. Reconhecimento do quadro clínico típico do sarampo (Morbillivirus) com pródromo catarral e exantema maculopapular de progressão craniocaudal.

Alternativa correta: A – Sarampo

O quadro descrito é clássico: pródromo de febre por alguns dias associado a “3 Cs”: tosse, coriza e conjuntivite, seguido de exantema eritematoso maculopapular que inicia retroauricular/face e progride craniocaudal, tornando-se confluente, com descamação furfurácea na resolução. Pode haver manchas de Koplik (não obrigatórias). Esse padrão temporal e a toxemia/prostração são fortemente sugestivos de sarampo.

Como reforçar o diagnóstico

  • Clínico-epidemiológico em contexto compatível.
  • Laboratório: RT-PCR em swab naso/orofaríngeo ou urina (até 7 dias do exantema) e/ou sorologia IgM positiva; soroconversão de IgG (MS/OMS, UpToDate, Harrison).
  • Vigilância: notificação imediata e coleta de amostras segundo o Ministério da Saúde.

Conduta resumida

  • Suporte: hidratação, antitérmico (evitar AAS).
  • Vitamina A por 2 dias (dose por faixa etária) reduz complicações (OMS).
  • Isolamento respiratório até 4 dias após início do exantema.
  • Pós-exposição: vacina tríplice em até 72 h; imunoglobulina até 6 dias para suscetíveis com contraindicação vacinal (gestantes, imunodeprimidos).

Por que as demais estão incorretas?

  • Dengue (B): febre alta, mialgia intensa, dor retro-orbitária, exantema muitas vezes pruriginoso; não há pródromo catarral (coriza/tosse) nem conjuntivite marcante; atenção a sinais de alarme. Exantema não segue padrão craniocaudal típico.
  • Rubéola (C): febre baixa, linfadenomegalia retroauricular/occipital proeminente, discreta toxemia; exantema craniocaudal mais tenro e não confluente, conjuntivite é leve ou ausente. Não cursa com prostração importante.
  • Escarlatina (D): causada por Streptococcus pyogenes; exantema micropapular “lixa” iniciando no tronco e dobras (Sinal de Pastia), faringoamigdalite e língua em framboesa; descamação é lamelar, sem conjuntivite catarral.
  • Exantema súbito (E): tipicamente em lactentes (6–18 meses); febre alta por 3 dias que some abruptamente e depois surge exantema róseo no tronco; sem pródromo catarral nem conjuntivite.

Estrategia de prova (pegadinhas): fixe o tríade do sarampo (tosse, coriza, conjuntivite), a progressão craniocaudal e a descamação furfurácea. Diferencie de rubéola pela adenomegalia retroauricular, de escarlatina pelo Sinal de Pastia/“lixa”, e de dengue pela ausência de coriza.

Referências essenciais: OMS – Measles surveillance manual; Ministério da Saúde – Guia de Vigilância em Saúde (sarampo); UpToDate – Clinical manifestations and diagnosis of measles; Harrison’s Principles of Internal Medicine.

Gabarito: A – Sarampo.

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