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Q3058017 Medicina
Uma mulher de 66 anos, sem comorbidades crônicas conhecidas, procura o pronto-socorro com queixa de febre alta (39°C) há 3 dias, acompanhada de dores musculares e articulares intensas, dor retro-orbital e erupção cutânea maculopapular. Ela relata também náuseas e anorexia. O exame físico revela pressão arterial de 100/70 mmHg, frequência cardíaca de 90 bpm, prova do laço negativa. Não há sinais de sangramento ativo, e o exame abdominal não mostra hepatomegalia ou ascite.
Qual grupo da classificação de risco mais apropriada para esse paciente e conduta inicial?
Alternativas

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Tema central: Classificação de risco e conduta inicial no manejo do dengue segundo estratificação A–D (Ministério da Saúde/OMS). O objetivo é identificar ausência de sinais de alarme e a presença de fatores de risco (ex.: idade ≥65 anos) para definir seguimento e necessidade de exames.

Alternativa correta: B – Grupo B

Justificativa: Paciente com quadro típico de dengue na fase febril (febre alta, mialgia/artralgia, dor retro-orbital, exantema), sem sinais de alarme (sem dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento mucoso, letargia, hepatomegalia, derrames, hipotensão) e sem gravidade. Entretanto, é idosa (66 anos), o que configura grupo de risco e a enquadra no Grupo B: solicitar hemograma/hematócrito e plaquetas (e transaminases se disponível) para definir necessidade de internação, manter hidratação oral e antitérmico seguro (paracetamol; evitar AINE/ácido acetilsalicílico). Reavaliação precoce em 24–48 h e orientação de sinais de alarme.

Estratégia de prova: Procure ativamente “sinais de alarme” (dor abdominal intensa contínua, vômitos persistentes, sangramento mucoso, letargia/irritabilidade, hepatomegalia >2 cm, derrames cavitários, queda de plaquetas com aumento do Ht) e “fatores de risco” (idosos, gestantes, comorbidades, extremos de idade, condições sociais). Idoso sem alarme → Grupo B.

Análise das alternativas incorretas:

A – Grupo A: Indicado para pacientes sem sinais de alarme e sem fatores de risco. Aqui há fator de risco (idosa). Não basta dar alta com sintomáticos sem solicitar exames e vigilância mais estreita. Diverge do protocolo do MS.

C – Grupo C: Indicado quando há sinais de alarme, com necessidade de hidratação venosa e observação hospitalar. A paciente não apresenta alarme (PA estável, prova do laço negativa, sem vômitos persistentes, sem sangramento, sem dor abdominal intensa). Excesso de conduta.

D – Grupo D: Reservado para dengue grave (choque por extravasamento, sangramento grave, disfunção orgânica), com UTI. Não há hipotens��o, choque, sangramento importante ou falência orgânica. Incompatível com o quadro.

E – Grupo B com hidratação venosa e internação: O Grupo B não implica internação/venóclise automáticas; indica solicitar exames e decidir a internação conforme achados clínico-laboratoriais. Para este caso estável, a via oral e manejo ambulatorial com reavaliação são adequados.

Conduta prática inicial (Grupo B): hemograma seriado (Ht/plaquetas), hidratação oral fracionada, paracetamol; educação para sinais de alarme; reavaliação em 24–48 h ou antes se piora. Evitar AINEs/aspirina.

Referências essenciais: Ministério da Saúde – Dengue: Guia de Manejo Clínico (estratificação A–D); WHO 2009 Dengue Guidelines; UpToDate – Dengue: clinical manifestations and treatment; Harrison’s Principles of Internal Medicine, capítulo de arboviroses.

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