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Q3058015 Medicina
Um paciente de 55 anos, etilista social, portador de hipertensão arterial sistêmica e usuário crônico de AINEs apresentase no pronto-socorro com sinais de hemorragia digestiva alta, incluindo hematêmese e melena. Ele está em estado de choque hipovolêmico, com pressão arterial de 80/50 mmHg e frequência cardíaca de 130 bpm. O exame físico revela sinais de ascite e palidez. O hemograma mostra hemoglobina de 6,9 g/dL, e o coagulograma revela aumento do tempo de protrombina (TP) com RNI de 1,92 e alargamento do tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPa). Após estabilização inicial com fluidos, qual deve ser a conduta terapêutica mais adequada, considerando o manejo eficaz e as estratégias de tratamento para essa situação crítica? 
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Tema central: Hemorragia digestiva alta (HDA) grave em paciente com sinais de doença hepática (ascite, coagulopatia), sugerindo hipertensão portal/varizes, mas com uso crônico de AINEs (risco de úlcera). Exige abordagem que cubra HDA varicosa e não varicosa, com estabilização, terapia farmacológica precoce e endoscopia urgente.

Alternativa correta: B — Transfusão de hemácias (Hb 6,9 g/dL; alvo 7–9 g/dL), início de IBP IV (cobre úlcera por AINE) e vasoconstritor esplâncnico (p.ex., terlipressina, octreotídeo ou somatostatina) para provável HDA varicosa, com endoscopia precoce (idealmente em até 12 h). Essa estratégia está alinhada às diretrizes AASLD/Baveno VII para sangramento varicoso e ACG/ESGE para HDA não varicosa. Referências: Baveno VII (2022), AASLD (2021–2023), ACG/ESGE (2021), Harrison’s, UpToDate.

Pegadinha importante: O quadro sugere varizes (ascite, INR 1,92), mas o uso de AINEs obriga a cobrir úlcera. Por isso, IBP + vasoconstritor esplâncnico antes da endoscopia. Além disso, em cirróticos com HDA, é recomendado antibiótico profilático (ex.: ceftriaxona 1 g/dia por 5–7 dias), mesmo não citado na alternativa B — ponto esperado na prática e em diretrizes (AASLD/Baveno VII).

Raciocínio clínico resumido: 1) Ressuscitar com cristaloide isotônico e CH estratégia restritiva; 2) IBP IV + terlipressina/octreotídeo precoces; 3) Antibiótico se cirrose; 4) Endoscopia em até 12 h (ligadura elástica se varizes; hemostasia endoscópica se úlcera); 5) Considerar correção de coagulopatia apenas em sangramento maciço/procedimento (INR na cirrose não reflete risco real).

Por que as demais estão incorretas?

A) Hipertônica não é fluido de escolha na HDA; usar cristaloide isotônico. Inicia vasopressor precocemente sem reposição adequada e não inclui vasoconstritor esplâncnico; mistura condutas e pode piorar perfusão esplâncnica. Embora acerte o antibiótico, o conjunto é inadequado.

C) Albumina não é expansor inicial na HDA (é útil em PBE/paracentese de grande volume). “Antiácidos” são obsoletos (o correto é IBP IV). Cirurgia é resgate após falha endoscópica/angio.

D) Vasopressores não são primeira linha em choque hemorrágico; prioriza-se volume/sangue. Sangue total não é padrão em HDA. Atrasar a endoscopia por 24 h contraria diretrizes (realizar em até 12 h).

E) Balão de Sengstaken-Blakemore é ponte de resgate em sangramento varicoso incontrolável quando droga/endoscopia não estão disponíveis; não é primeira escolha. Omissão de terapia padrão farmacológica torna a opção inadequada.

Dicas para prova: Identifique sinais de cirrose (ascite, coagulopatia) → pense em vasoconstritor esplâncnico + antibiótico. Use transfusão restritiva. Endoscopia precoce. Evite vasopressor antes de reposição e evite hipertônica/albumina como expansores iniciais. Balão é apenas resgate.

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