Uma criança de 2 anos, portadora de síndrome de Down, sem qu...

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Q3510879 Medicina
Uma criança de 2 anos, portadora de síndrome de Down, sem queixas, compareceu à consulta de rotina.  De acordo com o protocolo de envio de portadores de síndrome de Down, o médico deve:
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Tema central: Vigilância em saúde de crianças com síndrome de Down em consulta de rotina. Nessa faixa etária (2 anos), as diretrizes recomendam rastreios periódicos específicos, mesmo na ausência de sintomas.

Alternativa correta: C – solicitar avaliação da acuidade auditiva e visual.
Crianças com síndrome de Down têm alto risco de perda auditiva (otite média com efusão e perda sensorioneural) e de alterações oftalmológicas (erros refracionais, estrabismo, catarata). Por isso, as recomendações (AAP 2022; SBP; Ministério da Saúde) são: avaliação audiológica periódica — tipicamente semestral até 3 anos e anual depois — e avaliação oftalmológica anual desde o primeiro ano de vida. Detectar precocemente previne atraso de linguagem e dificuldades de desenvolvimento.

Como chegar à resposta: Em consultas de rotina de crianças com Down, priorize rastreios mandatórios (audição, visão, tireoide, sono) mesmo sem queixas. Exames de imagem e encaminhamentos especializados só com indicação clínica.

Por que as demais estão incorretas?

A) Encaminhar ao neuropediatra não é rotina em assintomáticos. É indicado se houver regressão do desenvolvimento, crises convulsivas, cefaleia persistente, sinais focais ou dúvidas diagnósticas. A supervisão pode ser feita pelo pediatra geral com encaminhamentos direcionados (AAP; SBP).

B) Tomografia de crânio não é exame de triagem. Expõe à radiação e requer sedação em alguns casos. Só é indicada diante de critérios clínicos (trauma, convulsões, sinais neurológicos). Diretrizes não recomendam TC de rotina em síndrome de Down.

D) Apenas orientações gerais é conduta incompleta. Além da audição e visão, recomenda-se: rastreio de tireóide anual (TSH/T4), acompanhamento do crescimento com curvas específicas para Down, avaliação de apneia do sono (triagem clínica anual e polissonografia por volta dos 4 anos), entre outros (AAP 2022; SBP).

E) Encaminhar à nutricionista pelo “maior risco de déficit pôndero-estatural” generaliza incorretamente. Crianças com Down têm estatura menor por padrão e maior risco de sobrepeso/obesidade. A avaliação nutricional é útil, mas não substitui os rastreios mandatórios (audição/visão) e não é automaticamente indicada apenas pelo diagnóstico, sem achados clínicos.

Pegadinha clássica: muitos lembram de “exame de imagem de rotina” (p.ex., coluna cervical para instabilidade atlantoaxial). As diretrizes atuais não recomendam radiografias de rastreio em assintomáticos; a conduta é clínica e orientada por sinais/sintomas.

Referências úteis: American Academy of Pediatrics (Health Supervision for Children With Down Syndrome, 2022); Sociedade Brasileira de Pediatria; Ministério da Saúde – Diretrizes de Atenção à Pessoa com SD.

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